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Música

Naomi Munakata

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 31.08.2020
31.05.1955 Japão / Honshu / Hiroshima
26.03.2020 Brasil / São Paulo / São Paulo
Naomi Munakata (Hiroshima, Japão, 1955 - São Paulo, São Paulo, 2020). Regente e professora. Uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento e pela difusão da música coral no Brasil, desenvolveu importantes referências musicais para essa modalidade de canto. Seus coros são reconhecidos pela qualidade técnica e pela riqueza de repertório.

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Naomi Munakata (Hiroshima, Japão, 1955 - São Paulo, São Paulo, 2020). Regente e professora. Uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento e pela difusão da música coral no Brasil, desenvolveu importantes referências musicais para essa modalidade de canto. Seus coros são reconhecidos pela qualidade técnica e pela riqueza de repertório.

Aos dois anos de idade, Naomi muda-se para o Brasil e, aos quatro, inicia os estudos musicais ao piano. Começa a praticar canto aos sete, quando entra para o coro regido pelo pai, o músico Motoi Munakata. Aos 16, participa simultaneamente de cinco coros, que executam peças de compositores, estilos e épocas variadas. Essa experiência contribui para a formação de seu amplo repertório, que lhe será útil na atividade de regente. Além do canto e do piano, estuda harpa e violino.

Em 1973, Naomi começa a desenvolver a habilidade de regência ao trabalhar com os maestros Eleazar de Carvalho (1912-1996), Hugh Ross, Sérgio Magnani (1914-2001) e John Neschling (1947). Anos depois é contemplada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) com o prêmio de melhor regente coral. Para formalizar sua educação na área, gradua-se em composição e regência pela Faculdade de Música do Instituto Musical de São Paulo, em 1978.

Com o intuito de aprimorar suas habilidades musicais, faz diversos cursos no Brasil e no exterior: estuda regência, análise e contraponto com o compositor Hans Joachim Koellreutter (1915-2005); é orientada pelo maestro Eric Ericson (1918-2013) na Suécia, com apoio financeiro da Fundação VITAE; e em 1986, recebe do governo japonês uma bolsa de estudos para aperfeiçoar-se em regência na Universidade de Tóquio.

No Brasil, a partir de 1995, Naomi coordena e rege o Coro Sinfônico do Estado de São Paulo (renomeado Coro da Osesp – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – em 2001). Ao longo de 20 anos à frente do grupo, realiza suas principais interpretações, consagrando-se como maestrina de referência. Com o coro, interpreta obras românticas e modernas, que são a base dos concertos da Osesp, além de peças renascentistas e barrocas. Desenvolve um consistente solfejo – entoação de notas com marcação adequada de compasso – e uma eficiente competência conjunta para ler partituras de alta complexidade. As habilidades do coro lhe permitem executar obras complexas dos séculos XX e XXI, como as do compositor polonês Krzysztof Penderecki (1933-2020).

Embora Naomi tenha feito o coro desenvolver a habilidade de cantar em diversas línguas, é sob sua regência que ele se destaca por executar, com singularidade, importantes obras da música brasileira.  Nos Choros (2008), gravados pela Osesp em homenagem ao compositor Villa-Lobos (1987-1959), ela valoriza a entoação de um português tipicamente brasileiro, com técnicas que preservam a afinação e a precisão rítmica num modo inovador de canto coral. O mesmo procedimento se evidencia nos álbuns gravados em 2009 e 2013, que apresentam peças de compositores como Aylton Escobar (1943), Camargo Guarnieri (1907-1993) e Marlos Nobre (1939).

Como educadora, Naomi dirige a Escola Municipal de Música de São Paulo, na qual dá aulas de teoria e percepção musical; também atua como professora de música da Faculdade de Artes Alcântara Machado (FAAM) e da Faculdade Santa Marcelina. Suas atividades de difusão do canto se estendem para o rádio quando apresenta o programa Vozes, na Rádio Cultura FM, em 2006. As edições do programa se dedicam ao repertório coral, tratando de seus compositores, intérpretes e períodos históricos. Além de divulgar produções de reconhecimento internacional, como a obra do compositor britânico Benjamin Britten (1913-1976), as interpretações do maestro sueco Eric Ericson e a música renascentista, o programa dá espaço a produções corais independentes, ao veicular gravações não comerciais de coros.

Depois de 20 anos regendo o Coro da Osesp, Naomi o deixa em 2015, embora permaneça vinculada à instituição como regente honorária. Em 2016, torna-se maestrina do Coral Paulistano, corpo artístico do Theatro Municipal de São Paulo, criado como desdobramento da Semana de Arte Moderna. Em uma programação extensa de apresentações de música erudita, dá prosseguimento, por quase quatro anos, à proposta original de Mário de Andrade (1893-1945): divulgar e prestigiar a música nacional.

Ao dedicar sua vida e carreira aos coros, Naomi Munakata torna-se uma importante mantenedora da música no Brasil. Suas propostas de execução, que prezam pelo rigor clássico, sem privar o canto brasileiro de inovações técnicas e estéticas, impulsionam uma musicalidade fundamentada em traços culturais do país.

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