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Sylvio Back

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.11.2020
22.07.1937 Brasil / Santa Catarina / Blumenau
Sylvio Carlos Back (Blumenau, Santa Catarina, 1937). Cineasta, escritor e poeta. Passa parte da vida no sul do Brasil, entre os estados de Santa Catarina e Paraná. Em Curitiba, vive por 30 anos, quando cursa economia e trabalha como professor de português e jornalista profissional até 1967. Atua também como crítico cinematográfico para jornais, ...

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Sylvio Carlos Back (Blumenau, Santa Catarina, 1937). Cineasta, escritor e poeta. Passa parte da vida no sul do Brasil, entre os estados de Santa Catarina e Paraná. Em Curitiba, vive por 30 anos, quando cursa economia e trabalha como professor de português e jornalista profissional até 1967. Atua também como crítico cinematográfico para jornais, como o Diário do Paraná. É um dos fundadores do Clube de Cinema do Paraná (1962). Autodidata, inicia a carreira de diretor em 1964, com o curta-metragem As Moradas, sobre habitações na cidade de Curitiba. Seu primeiro longa-metragem, Lance Maior (1968), aborda os desejos de ascensão de um jovem bancário de classe média. Adapta o romance Geração do Deserto (1964), do escritor Guido Wilmar Sassi (1922-2003) para o cinema, fazendo seu segundo longa, A Guerra dos Pelados (1970), eleito pelo jornal Folha de S.Paulo como melhor filme exibido em 1971. 

Coordena os dois primeiros festivais em Super 8 na capital paranaense e dirige filmes publicitários entre 1971 e 1975. Lança, Aleluia, Gretchen! (1976), história de uma família alemã que foge da Alemanha nazista e fixa-se no sul do Brasil. Recebe prêmios importantes em 1977, como o Molière de melhor diretor e de melhor fotografia para José Medeiros (1921-1990), no Festival de Gramado. 

Após este filme, realiza outros curtas, médias e longas-metragens como Revolução de 30 (1980) e República Guarani (1981), premiado como melhor roteiro no Festival de Brasília, de 1982. Em 1986, muda-se para o Rio de Janeiro. Faz Guerra do Brasil (1987), documentário sobre a Guerra do Paraguai, que ganha o prêmio especial do júri no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, de 1987. Quatro anos depois, dirige o documentário, Rádio Auriverde: A FEB na Itália (1991). Já em 1995, mostra como os índios são representados em filmes nacionais e internacionais em Yndio do Brasil. Volta a fazer ficção em Cruz e Souza, o Poeta do Desterro (1999) – uma releitura da trajetória do poeta catarinense, Cruz e Sousa (1861-1898). Seus longas mais recentes são Lost Zweig (2003), sobre a vida do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942); e O Contestado: Restos Mortais (2010), documentário sobre a Guerra do Contestado no Sul do país. Em paralelo à carreira no cinema, escreve livros de poema como O Caderno Erótico de Sylvio Back (1986), Moedas de Luz (1988) e A Vinha do Desejo (1994). 

Sylvio Back constrói sua carreira, segundo ele, pautada em um cinema “desideologizado”, que não procura fundar verdade alguma, iconoclasta em relação às instituições e livre de ligação estética com movimentos cinematográficos. Concentra-se nas relações entre o cinema e a história do Brasil, realizando filmes ficcionais e documentários.

Durante o regime militar brasileiro (1968-1976), Back destaca-se no cenário nacional com a realização de três longas-metragens de ficção: Lance Maior, A Guerra dos Pelados e Aleluia, Gretchen!. Intitulada como “trilogia do sul”, o cineasta aborda a realidade brasileira com base na perspectiva da região sul. Em Lance Maior, mostra a vida e os desejos de alguns jovens de Curitiba, cidade em processo de modernização urbana, pela história de um bancário de classe média. No filme A Guerra dos Pelados, representa o conflito da Guerra do Contestado, entre posseiros, latifundiários e empresas estrangeiras, ocorrido na divisa do Paraná e Santa Catarina no início do século XX. Na opinião do crítico Carlos Alberto de Mattos (1964), esse filme é o que mais se distancia do cinema “desideologizado” de Back, já que, para ele, é um “depoimento do artista-militante, perfeitamente integrado a sua história pessoal e ao espírito de indignação da época”1.

Em Aleluia, Gretchen!, longa de maior destaque e premiação da carreira, narra o cotidiano de uma família alemã que foge da Alemanha nazista e muda-se para o sul do Brasil. Para mostrar as ligações da Ação Integralista Brasileira com o Terceiro Reich ao longo de quatro décadas, o diretor recorre a uma linguagem polêmica e ousada como o tema. Com enquadramentos que se aproximam da estética teatral, o filme utiliza imagens da juventude hitlerista, da bandeira nazista, além do enfoque nos diálogos dos personagens. Mostra cada um deles como uma alegoria de suas crenças, que deram condições para a existência do movimento. Outro elemento importante é a trilha sonora, com A Cavalgada das Valquírias, do compositor alemão Richard Wagner (1813-1883), que evoca a Alemanha de Adolf Hitler (1889-1945). No final do longa, essa música funde-se a uma batucada carnavalesca, alusão ao período da ditadura militar brasileira. 

Depois, inicia uma tetralogia documental, com estilo descompromissado e anti-didático. É representada pelos trabalhos: Revolução de 30, colagem de diversos filmes, ficções e documentários, para retratar a Revolução de 1930; República Guarani, registro da cultura e da história dos índios guaranis; Guerra do Brasil, retrato da Guerra do Paraguai, ocorrida entre 1864 e 1870 e Rádio Auriverde: A FEB na Itália (1991), sobre a participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, durante a 2a Guerra Mundial. Em República Guarani e em Guerra do Brasil, apropria-se da chamada “dramaturgia da entrevista”, na qual prevalece o confronto das versões, ou seja, sem a preocupação de trazer a verdade sobre os fatos, como em um documentário tradicional, mas a peculiaridade de cada versão.

Sylvio Back retorna à ficção em Cruz e Sousa, O Poeta do Desterro. No filme, registra desde as arrebatadoras paixões do poeta negro simbolista em Florianópolis até seu isolamento social, racial e intelectual e o trágico fim no Rio de Janeiro. Também realiza Lost Zweig, retomando os últimos dias do escritor judeu Stefan Zweig no Brasil e seu suicídio com a mulher em Petrópolis, em 1942. Imprime seu estilo, alinhado com a própria experiência de vida. Back constrói uma filmografia que se distingue pela temática e assemelha-se no objetivo: resgatar a história da região sul do país e da América Latina, num retrato da realidade, da memória e da cultura do Brasil.

Notas:

1. MATTOS, Carlos Alberto. Back, lance por lance [1989 – 91]. In: BACK, Sylvio. Filmes noutra margem. Curitiba: Secretaria do Estado da Cultura, 1992. pp.11.

Obras 2

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Exposições 1

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Fontes de pesquisa 6

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  • IMDB. Sylvio Back. Disponível em: . Acesso em: 26 .jun. 2007.
  • MAGALHÃES, Marion Brepohl. Aleluia, Gretchen: um hotel para o Reich. In: SOARES, Mariza de Carvalho, FERREIRA, Jorge (oOrg.). A história vai ao cinema: vinte filmes brasileiros comentados por historiadores. Rio de Janeiro: Record, 2001. pp. 33-41.
  • MATTOS, Carlos Alberto. Back, lance por lance [1989 – 91]. In: BACK, Sylvio. Filmes noutra margem. Curitiba: Secretaria do Estado da Cultura, 1992.
  • NAGIB, Lúcia. O cinema da retomada: depoimentos de 90 cineastas dos anos 90. São Paulo: Editora 34, 2002.
  • RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (Orgs). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000. p.40-41.
  • RAMOS, Fernão; MIRANDA, Luiz Fernando (Orgs.). Enciclopédia de cinema brasileiro. 2 ed. São Paulo: Senac, 2004.

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