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Enciclopédia Itaú Cultural

Irandhir Santos

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.08.2021
22.08.1978 Brasil / Pernambuco / Barreiros
Irandhir Gleriston Santos Pinto (Barreiros, Pernambuco, 1978). Ator. Costuma interpretar personagens questionadores e aguerridos, que ora combatem o autoritarismo e defendem a liberdade artística, ora são movidos por desejo de vingança e questões familiares. Constrói carreira bem-sucedida na televisão e no cinema, mas o foco de seu trabalho está...

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Irandhir Gleriston Santos Pinto (Barreiros, Pernambuco, 1978). Ator. Costuma interpretar personagens questionadores e aguerridos, que ora combatem o autoritarismo e defendem a liberdade artística, ora são movidos por desejo de vingança e questões familiares. Constrói carreira bem-sucedida na televisão e no cinema, mas o foco de seu trabalho está na atuação cinematográfica.

No início dos anos 2000, Irandhir forma-se em artes cênicas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e começa a carreira no teatro. Mas quando assiste ao curta-metragem Texas Hotel (1999), de Cláudio Assis (1959), sente-se estimulado a fazer cinema. Na época, Recife começa a formar um polo da cinematografia nacional.

Seus primeiros trabalhos são papéis secundários em Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes (1963), e Baixio das Bestas (2007), de Cláudio Assis. No mesmo ano vive sua primeira experiência em teledramaturgia, na minissérie de teor teatral e artístico Pedra do Reino, dirigida por Luiz Fernando Carvalho (1960) e baseada em obra do dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014). O ator é elogiado pelo próprio Suassuna por seu talento tragicômico ao interpretar o palhaço Quaderna.

Em Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (2008), de Karim Ainouz (1966) e Marcelo Gomes, Irandhir interpreta um geólogo que não aparece uma vez sequer. Mas, segundo críticos, sua locução confere tanta vida e emoção à narrativa que quem assiste tem a impressão de estar vendo o personagem. Com voz introspectiva e considerações poéticas, ele guia o espectador por sua viagem interior.

A primeira experiência cinematográfica no eixo Rio-São Paulo é o filme Olhos Azuis (2009), de José Joffily (1945), com um personagem que fala inglês e espanhol. Irandhir teme a falta de fluência nos idiomas, mas se prepara com um professor e topa o desafio. Ele aprova a forma como adequa a concepção original do personagem às suas próprias características e conta que esse processo o fez acreditar mais em suas falas.

Irandhir se torna conhecido do grande público no papel do professor pacifista Diogo Fraga, no filme Tropa de Elite 2 (2010), de José Padilha (1967). Volta a filmar com Cláudio Assis, desta vez como protagonista de A Febre do Rato (2011). Sua atuação como o poeta Zizo, que perambula com seu alto-falante conclamando as pessoas a abrirem suas mentes para os prazeres da vida livre e desregrada, é qualificada de antológica por críticos como Luiz Carlos Merten.

Em O Som ao Redor (2012), de Kleber Mendonça Filho (1968), Irandhir interpreta Clodoaldo, membro de uma equipe de vigilância que chega a uma rua de Recife propondo segurança 24 horas. A novidade não apenas serve de pretexto para um panorama da convivência problemática com os espaços públicos e privados, como possibilita a Clodoaldo concretizar uma vingança contra o dono da maioria dos imóveis da rua, espécie de senhor feudal urbano.

O corpo do ator toma o primeiro plano e funciona como instrumento de protesto em Tatuagem (2013), de Hilton Lacerda (1965). Seu personagem, Clécio Wanderley, conduz uma trupe teatral que desafia o governo com críticas à religião, à família e às tradições. Numa sequência apontada pela crítica como um momento marcante do cinema, Irandhir interpreta “Esse Cara”, de Caetano Veloso (1942). De colante dourado e flor no cabelo, provoca tensão ao trocar olhares com um espectador da plateia.

Sempre com um livro em mãos, como se estudasse sobre o que faz, Clécio se assemelha ao seu intérprete. Antes de começar uma filmagem, Irandhir gosta de pegar o roteiro e anotar, pesquisar, alterar. Corta, recorta e transforma o script num caderno pessoal do personagem. Ele faz um diário com desenhos, poesias, coisas que se conectam na elaboração do personagem, conta Camilo Cavalcante (1974), que dirige Irandhir em A História da Eternidade (2014).

Nesse longa, Irandhir interpreta Joãozinho, que ama livros e teatro, mas sofre de epilepsia e acaba ficando à mercê de um irmão autoritário. O diretor destaca detalhes do filme que são frutos do impulso criativo e da sensibilidade do ator, como uma camiseta que o próprio Irandhir borda para seu figurino. A peça tem uma carranca amarela que, vista de perto, revela nomes de grandes artistas epiléticos, como Machado de Assis (1839-1908).

Na época, Irandhir atua em duas telenovelas dirigidas por Luiz Fernando Carvalho. Em Meu Pedacinho de Chão (2014), de construção fantástica, seu personagem é o peão Zelão – capanga do coronel que dita as regras num vilarejo humilde –, que começa a questionar as ordens do patrão depois que se apaixona pela professora recém-chegada.

Em Velho Chico (2016), faz o caçula Bento dos Anjos, homem humilde que tem uma vingança pela frente após presenciar o assassinato de seu pai. Sua interpretação enriquece o tom lírico da novela, considerada um marco artístico da teledramaturgia nacional.

Irandhir é considerado um artista talentoso, agregador, curioso, detalhista e intenso. Para compor personagens e se preparar para as cenas, desenvolve um método tão próprio que acaba virando filme: Iran (2017), que o diretor Walter Carvalho (1947) fez a partir de registros de bastidores.

Irandhir Santos dá vida a personagens marcantes, mesmo quando aceita papéis que parecem pouco talhados para ele. Em poucos anos se torna um dos grandes atores do cinema brasileiro e integra os elencos de alguns dos principais filmes nacionais do século XXI.

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