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Enciclopédia Itaú Cultural

Rappin Hood

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 17.03.2022
07.11.1971 Brasil / São Paulo / São Paulo
Antônio Luiz Júnior (São Paulo, São Paulo, 1971). Rapper, radialista, apresentador de TV. Seguindo os princípios das primeiras gerações do rap nacional, suas músicas trazem como seus temas centrais a denúncia social, a conscientização racial e o empoderamento da população negra e marginalizada do Brasil. Ao mesmo tempo em que se mantém fiel a es...

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Antônio Luiz Júnior (São Paulo, São Paulo, 1971). Rapper, radialista, apresentador de TV. Seguindo os princípios das primeiras gerações do rap nacional, suas músicas trazem como seus temas centrais a denúncia social, a conscientização racial e o empoderamento da população negra e marginalizada do Brasil. Ao mesmo tempo em que se mantém fiel a esses preceitos, Rappin’Hood inova ao mesclar sonoridades diversas ao rap, inserindo o gênero musical em um debate mais amplo sobre a música popular brasileira.

Quando criança, tem contato com diversos estilos musicais, graças ao amplo repertório de sua mãe, Dona Beth, que o incentiva a aprender trombone e ingressar na Sinfônica de Heliópolis. Ao mesmo tempo, conhece por meio de tios que organizam bailes em São Paulo, o que havia de mais recente no hip hop estadunidense, como Afrika Bambaataa (1957) e Grandmaster Flash (1958). Em 1986, frequenta a estação de metrô São Bento, considerada o epicentro da origem do movimento hip hop em São Paulo. Em 1989, vence o campeonato de rap com o cognome de Ataliba e ganha visibilidade entre os outros artistas meio.
Impactado pelo grupo de rap estadunidense Public Enemy, além dos brasileiros Racionais MC’s e Thaíde & DJ Hum, Rappin’Hood faz um rap compromissado com a luta social e antirracista, característica das primeiras gerações do rap nacional da qual faz parte. Nesse período, divulga seu trabalho em rádios comunitárias, chamadas também “rádio poste”, como no programa Revolução Rap, apresentado pelo DJ Sapão (1978-2019) na rádio Heliópolis. Um grande incentivador desse início de carreira é o DJ Natanael Valêncio, o primeiro a colocar no ar um programa de rádio totalmente dedicado ao rap, chamado

Movimento de Rua, na Rádio Imprensa. Seguindo seus passos, Rappin’Hood estreia como radialista em 1991, no programa A Voz do Rap, também na rádio Heliópolis, já na frequência FM, onde permanece por dois anos.

Em 1992, funda com Johnny MC e DJ Akeen o grupo de rap Posse Mente Zulu, que se torna conhecido em todo o Brasil em 1995, após a apresentação da música “Sou Negrão” no evento em homenagem aos 300 anos de Zumbi, realizado no Vale do Anhangabaú, na capital paulista. Realizado por Primo Preto e o programa Yo! MTV Raps, o evento se torna um marco na história do hip hop nacional, responsável por impulsionar muitos nomes na cena musical. Nos versos de “Sou Negrão”, o Posse Mente Zulu celebra dezenas de talentos negros das artes e do esporte, além de líderes políticos. A repercussão possibilita a produção do clipe da música e, posteriormente, o lançamento do single “Sou Negrão” pelo selo independente Raízes Discos. Em 1996, o Posse Mente Zulu recebe o prêmio Rapsoulfunk de revelação. Em 1998, o grupo lança o EP Revolusom Parte I, também pela Raízes Discos, com produção do músico KL Jay (1969), do grupo Racionais MC’s.

Apesar de se manter fiel a certa tradição do rap, que tem a crítica social como questão central de seus versos, Rappin’Hood promove inovadoras interseções entre o rap e diferentes ritmos da música popular brasileira. Em 2001, grava com Leci Brandão (1944) o clipe da versão em samba de “Sou Negrão”. A mistura com o samba, além de ampliar as possibilidades estéticas do rap, faz lembrar que o samba – ritmo negro como o rap – é marginalizado em sua origem, mas hoje considerado bem cultural nacional. No mesmo ano, lança seu primeiro álbum solo, Sujeito homem, que entra para a história do rap nacional. Além das parcerias com outros nomes expressivos do rap e dos ritmos variados, a música “De Repente”, com os repentistas Caju & Castanha demonstra a versatilidade desafiadora de Rappin’Hood, além de ampliar os sentidos do rap. Ainda em 2001, apresenta o programa Rap Du Bom, na 105 FM, no qual permanece por dezoito anos.

A sequência do primeiro disco, Sujeito Homem Vol.2 (2005), mantém os mesmos princípios de Rappin’Hood, e conta com a participação de nomes ilustres da MPB: Caetano Veloso (1942), Jairzinho (1975), Zélia Duncan (1964), Gilberto Gil (1942), Arlindo Cruz (1958), entre outros músicos. Assim como o primeiro volume, Sujeito Homem Vol. 2 é uma referência para o rap nacional e a música brasileira em geral. Ainda em 2005, Rappin’Hood volta a se reunir com Johnny MC e DJ Akeen para o lançamento tardio do álbum do Posse Mente Zulu, o Revolusom – A volta do tape perdido. Nos anos seguintes, além de estar envolvido em uma série de projetos voltados para o fortalecimento da cultura hip hop e o empoderamento da juventude negra e pobre do país, Rappin’Hood apresenta o programa Manos e Minas, na TV Cultura.

Produzindo um espaço de conhecimento, debate, divulgação e identidade da cultura das ruas e da juventude periférica, o programa, exibido às quartas-feiras, com reprises no sábado e no domingo, é uma importante conquista para o rap tanto na divulgação de novos artistas, espaços e eventos para o público, quanto para a visibilidade do rap na grande mídia.

Como outros rappers de sua geração, Rappin’Hood atua não apenas na música, mas também como ativista social e comunicador, apresentando programas voltados para o hip hop e a cultura brasileira em canais de rádio e televisão. Sua vivência ampla e diversa da música resulta em trabalhos inovadores para o rap nacional, e contribui ativamente para desestigmatizá-lo e legitimá-lo como música popular brasileira.

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