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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Walda Marques

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.12.2022
1963 Brasil / Pará / Belém
Waldoneide Garcia Marques (Belém, Pará, 1962). Fotógrafa. Seu trabalho é voltado para investigações sobre o universo feminino e as narrativas que o cercam, por meio de imagens que se alternam entre o registro documental e a fotografia encenada.

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Waldoneide Garcia Marques (Belém, Pará, 1962). Fotógrafa. Seu trabalho é voltado para investigações sobre o universo feminino e as narrativas que o cercam, por meio de imagens que se alternam entre o registro documental e a fotografia encenada.

Sua ligação com a arte começa durante a infância, acompanhando seu pai e tio fotógrafos, em Belém. Inicia a trajetória profissional como maquiadora em salões de beleza. A experiência com maquiagem leva Marques a trabalhar com beleza, figurino, cenário e produção para teatro, televisão e estúdios fotográficos. Insere-se nos bastidores da fotografia e, nesse período, conhece e trabalha com fotógrafos paraenses em evidência no cenário nacional e internacional, como Luiz Braga (1956) e Octavio Cardoso (1963).

Começa a desenvolver seus primeiros trabalhos autorais quando, em 1989, participa da oficina do fotógrafo Miguel Chikaoka (1950), na Associação FotoAtiva. A partir desse momento, passa a se dedicar à fotografia em tempo integral. Em 1992, funda junto a Octavio Cardoso o estúdio W.O. Fotografia, no qual passa a se sustentar por meio de trabalhos comerciais, como retratos encomendados e casamentos.

A artista conta que sempre teve vontade de criar imagens diferentes da abordagem usual de estúdio e eventos. Começa, então, a experimentar outro modo de fotografar com seus clientes e amigos, propondo cenários e poses alternativos. Sua primeira série, exposta na individual “Maria, tira a máscara que eu quero te ver” (1994), é composta de nus de mulheres de diversas silhuetas, mascaradas, retratadas ora no estúdio, ora nas ruas de Belém. As fotografias possuem forte interferência da produção de Marques e as retratadas anônimas surgem como personagens em um cenário quase fantástico.

A experiência como maquiadora e com os retratos encomendados leva Marques a desenvolver grande proximidade com as pessoas. Essa relação desenvolvida pela fotógrafa ao longo dos anos demonstra sua predileção pelo gênero do retrato e a ligação que desenvolve com seus retratados. Para a fotógrafa, conhecer quem ela fotografa é parte essencial de seu trabalho, considerando como autor também quem está do outro lado da câmera.

O interesse pelas histórias de seus retratados aproxima Marques da fotonovela. Muito popular na segunda metade do século XX no Brasil, as revistas com narrativas românticas são atualizadas pelo olhar da artista, que passa a explorar tanto a fotografia encenada quanto a literatura. O homem do Hotel Central (1998), uma das primeiras fotonovelas produzidas por ela, conta com a colaboração dos artistas Cláudia Leão (1967), Sinval Garcia (1966-2011) e Orlando Maneschy (1968). É produzida ao longo de dois meses, quando a fotógrafa mora na antiga hospedagem localizada no centro de Belém. A traição de duas amigas e a compra de um vestido de noiva que leva a um abandono no altar constroem a base do enredo, desenvolvido por meio de imagens de colorido intenso e uma atmosfera de suspense.

No decorrer de sua trajetória, a fotografia de Marques se aproxima cada vez mais da representação do universo feminino e da feminilidade. Desde seus primeiros trabalhos, a figura feminina surge como elemento central na construção de suas imagens e histórias, de formas múltiplas e repletas de complexidade.

O projeto com as vendedoras de ervas do Mercado Ver-o-Peso, em Belém, evidencia a multiplicidade da obra da artista nesse sentido. Iniciado em 2006, na série Faz querer quem não me quer (2006), a fotógrafa registra as chamadas erveiras após ouvir relatos de seus amores. As histórias dessas mulheres se entrelaçam com os retratos, que desta vez carregam menos elementos de cenário e figurino e ocupam o topo das torres do próprio mercado. As fotos, em grande escala, surgem de modo a revelar as identidades das vendedoras e trazem “a dignidade de cada feirante para a superfície do espaço coletivo”, como afirma o curador e crítico Paulo Herkenhoff (1949), no texto para o catálogo do Arte Pará 2006, que abrigou a instalação produzida por Marques.

Em continuidade a seu trabalho afastado do estúdio, na ocasião do 4º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, em 2013, a artista é convidada pelo curador da edição, o fotógrafo e professor Mariano Klatau Filho (1964), a expor uma série de fotografias feitas em Cuba. A mostra individual, no Museu da Universidade Federal do Pará (UFPA), apresenta imagens do cotidiano cubano, entre espaços domésticos, públicos e suas personagens, na maior parte femininas. Mesmo realizados de forma despretensiosa, o fundo ganha protagonismo nos retratos, que se misturam a composições feitas pela fotógrafa, cenas de interiores e da composição doméstica das casas que visitou. A curadoria de Klatau Filho ressignifica as fotos de Marques e estabelece um diálogo visual e narrativo entre as cidades cubanas e a capital paraense, destacando o colorido das imagens e a franqueza dos retratos.

Os trabalhos de Walda Marques exploram as possibilidades do fazer fotográfico e suas aproximações com o teatro, a pintura e a literatura, quando realiza a produção de cenas e de fotonovelas. Usando interferências de maquiagem, figurino e cenário, ou em registros documentais, suas fotografias são carregadas de drama e trazem elementos como o romance e a intimidade para construir narrativas visuais que transitam entre o relato e a ficção, repletas de personagens, frequentemente femininas, múltiplas e não homogêneas. 

 

Exposições 32

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