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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Ayrson Heráclito

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 28.09.2021
1968 Brasil / Bahia / Macaúbas
Ayrson Heráclito Novato Ferreira (Macaúbas, Bahia, 1968). Artista visual, performer, professor e curador. Trabalha o corpo com elementos de referência ritualística, principalmente do candomblé, como dendê, carne, açúcar e sangue, buscando relacioná-los ao patrimônio histórico e arquitetônico ligado ao comércio escravista. 

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Ayrson Heráclito Novato Ferreira (Macaúbas, Bahia, 1968). Artista visual, performer, professor e curador. Trabalha o corpo com elementos de referência ritualística, principalmente do candomblé, como dendê, carne, açúcar e sangue, buscando relacioná-los ao patrimônio histórico e arquitetônico ligado ao comércio escravista. 

Licencia-se em educação artística pela Universidade Católica do Salvador (UCSal) em 1989. Nesse período, integra um grupo de estudos com o objetivo de elaborar performances a partir das artes visuais. Toma conhecimento sobre a obra do artista alemão Joseph Beuys (1921-1986) e, influenciado por suas concepções estéticas e pedagógicas, passa a se afirmar como um artista da ação, sendo a performance uma mediação entre ele e o mundo.

Com o grupo, apresenta em 1988 As Meninas, performance realizada na Capela do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), com sua primeira exposição, No Limite da Sagrada Família. A obra traça um paralelo entre o quadro, de mesmo nome da performance, do pintor espanhol Diego Velázquez (1599-1660) e o texto do filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) sobre a pintura. Visando aproximar a arte das ações cotidianas e elaborar uma crítica ao culto da televisão, o grupo desperta variadas reações no público com as imagens apresentadas, manipulando elementos como caquis e caixas de ovos entre duas molduras de madeira.

No ano seguinte, realiza a performance O Crepúsculo do Ritmo, apresentada no Teatro Castro Alves, em Salvador. Premiada na 9ª Oficina Nacional de Dança Contemporânea, a ação evidencia a linha tênue entre arte e vida, aliando recursos de vídeo com uma performance ao vivo. Em 1990, apresenta O Homem Estético na Galeria Manoel Querino, do Museu de Arte da Bahia (MAB), trabalho que trata da relação do homem com o prazer estético. Essas obras marcam o início da pesquisa do artista voltada para as materialidades orgânicas e efêmeras por natureza, dando origem a trabalhos feitos com alimentos como azeite de dendê e carne de charque.

Iniciado em 1994, Transmutação da Carne vem a público em 2000, no Instituto Goethe de Salvador. O trabalho surge a partir de um documento, acessado pelo artista, que descreve as torturas cometidas pelos senhores de engenho sobre os escravizados. Na performance, pessoas se vestem com figurinos de carne de charque e transitam no espaço, até que um agente fere as roupas e os calçados, marcando-os a ferro quente, criando uma atmosfera que se constrói por meio de sons, cheiros e visualidades, que se condensam em um ritual de rememoramento das violências sofridas pelos negros durante a escravidão.

Conclui o mestrado em artes visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1998, e é contratado como professor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) no ano de 2006.

Praticante do candomblé, o artista incorpora em grande parte de sua produção a relação da arte com rituais de cura. Entre 2008 e 2011, produz a série Bori, que significa oferenda à cabeça. A performance trabalha com os 12 principais orixás, em que Ayrson oferece a comida sacrificial ligada a cada divindade. São utilizados alimentos como milho, pipoca, quiabo, arroz e fava, colocados em torno da cabeça de cada performer, que estão deitados em esteiras de palha e vestidos com roupas brancas. O processo remete a um ritual que evoca proteção e preparo para receber a energia dos orixás do panteão.

Reapresenta Transmutação da Carne em 2015, durante a exposição Terra Comunal, da artista sérvia Marina Abramović (1946), no Sesc Pompéia, em São Paulo. Dois anos depois, termina seu doutorado em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Ainda em 2017, apresenta Sacudimentos (2015) na 57ª Bienal de Veneza. A obra é construída na Bahia e no Senegal, duas margens do Atlântico que têm ligação com o tráfico de escravizados. O título é uma forma de limpeza espiritual que o artista entende como necessária nesses lugares, uma ação ritualística carregada de energia invisível para afugentar os espíritos dos mortos. 

Com um olhar particular, Ayrson Heráclito produz um trabalho artístico que evidencia as raízes afro-brasileiras e seus elementos sagrados, projetando ações e práticas que compõem a história e a cultura da população negra.

Espetáculos 2

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Exposições 40

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Festivais 2

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