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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Sérgio Buarque de Holanda

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.05.2022
11.09.1902 Brasil / São Paulo / São Paulo
24.04.1982 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Raizes do Brasil, 1936
Sérgio Buarque de Holanda

Sérgio Buarque de Holanda (São Paulo, São Paulo, 1902 - idem, 1982). Historiador, ensaísta, crítico literário e professor. Embora tenha uma atuação importante como crítico literário, Sérgio Buarque é mais conhecido como historiador. Certamente essas duas facetas da produção intelectual de Sérgio Buarque não aparecem de modo tão radicalmente sepa...

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Sérgio Buarque de Holanda (São Paulo, São Paulo, 1902 - idem, 1982). Historiador, ensaísta, crítico literário e professor. Embora tenha uma atuação importante como crítico literário, Sérgio Buarque é mais conhecido como historiador. Certamente essas duas facetas da produção intelectual de Sérgio Buarque não aparecem de modo tão radicalmente separadas e, volta e meia, pode-se reconhecer na produção ensaística do historiador a presença do estudioso da literatura e vice-versa. 

Nos anos 1920, inicia sua produção como crítico literário em jornais e revistas.  Em diversos textos, antes mesmo da Semana de Arte Moderna (1922), opõe-se ao repertório da velha crítica, externando convicções antipassadistas. Abre, assim, o caminho dos novos e estabelece uma primeira medida crítica que funciona como referência estética aos propósitos de ruptura modernista. 

Antonio Arnoni Prado, professor de crítica e história literária, considera como contribuições desse conjunto impressionante de artigos e ensaios a discussão inovadora de método e funções, com bibliografia atualizada; a concepção da literatura como forma privilegiada de conhecimento; e a fidelidade aos deveres do crítico, ao acompanhar e questionar tudo o que cada geração vai sucessivamente realizando em literatura1.

Em 1929, Sérgio Buarque parte para a Alemanha como correspondente dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand (1892-1968), a fim de acompanhar o intenso período da República de Weimar (1919-1933) e da ascensão do nazismo. Lá, desperta seu interesse por história e ciências sociais, estudando autores importantes como Max Weber. De volta ao Brasil em 1931, inicia suas atividades de pesquisa historiográfica e acadêmica, assumindo as cadeiras de história da América e cultura luso-brasileira na Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, então capital da República. 

Em 1936, publica sua obra mais conhecida, Raízes do Brasil, inaugurando a coleção Documentos Brasileiros, dirigida por Gilberto Freyre (1900-1987). Nela, Buarque investiga a constituição da sociabilidade brasileira, mostrando como o brasileiro rejeita a impessoalidade, típica à esfera pública, e procura dar a ela um tom de afeição, ainda que aparente, deixando nublados os limites entre o público e o privado. É a partir dessa análise que Buarque chega ao conceito de homem cordial, instrumento fundamental para a compreensão do Brasil ainda hoje. 

Raízes do Brasil é considerada uma das obras fundadoras da moderna historiografia e ciências sociais brasileiras, áreas que até então guiavam-se pelos parâmetros cientificistas da virada do século. Em prefácio escrito em 1967 para a 4ª edição do livro, Antonio Candido (1918-2017) ressalta que a obra se destaca por afirmar que o conhecimento do passado deve estar vinculado aos problemas do presente. Segundo Candido, Raízes do Brasil é “um clássico de nascença”2

Na década de 1940, entre colaborações periódicas à crítica literária, o autor inicia uma obra sobre o barroco e o arcadismo, que deixa inacabada e só é publicada postumamente, sob o título Capítulos de Literatura Colonial (1991), com organização de Antonio Candido. Na apreciação de conjunto desses capítulos, o organizador chama a atenção para a maneira independente de conceber o período na sua relação com as literaturas matrizes e o relevo dado a certas obras e autores. Em termos metodológicos, Sérgio Buarque obedece a um sentido de continuidade vertical dos estilos de época, sem se amarrar ao corte horizontal das divisões de período, como barroco e arcadismo.

A curiosidade investigativa de Sérgio Buarque sobre a formação do Brasil persiste e o autor publica outra obra importante para a historiografia brasileira: Visão do Paraíso (1959). Originalmente apresentada como tese para o concurso da cátedra de história da civilização brasileira na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP), assumida em 1957 por Sérgio Buarque, a obra compara os imaginários ibéricos do Novo Mundo. 

Através de cartas e documentos, reconstrói as narrativas de portugueses e espanhóis sobre a América. Nessa reconstrução, o autor defende que, enquanto os espanhóis demonstravam ter uma visão paradisíaca das terras americanas (determinada pelos ideais da tradição medieval), os portugueses revelavam uma percepção mais pragmática (influenciados pelos ideias modernos renascentistas). Lançada em um momento em que predominavam os estudos de cunho econômico-social, a obra demora a ser estudada e amplamente conhecida. Isso muda no final do anos 1980, com os trabalhos de Laura de Mello e Souza3 e Ronaldo Vainfas4, que retomam Visão do Paraíso como documentação para seus estudos históricos. 

Em 1962, Sérgio Buarque cria o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), instituição multidisciplinar de pesquisa da história e das culturas brasileiras. Um dia após o Ato Institucional nº 5 (AI-5), decretado em 1968, pede demissão de suas funções acadêmicas e passa a trabalhar em casa. Nos anos 1970, segue produzindo textos de crítica literária e historiografia.

O fascínio de Sérgio Buarque pelo Brasil leva-o a refletir sobre a história do país pelo viés de suas culturas sem, contudo, abrir mão do rigor técnico daquele que se põe no lugar de observador. Sua obra oferece contribuições valiosas para a compreensão do que é ser brasileiro e para o fazer historiográfico. No trânsito entre literatura e história, Sérgio Buarque de Holanda figura entre os grandes pensadores do Brasil. 

Notas

1. PRADO, Antonio Arnoni. "Introdução” a Sérgio Buarque de Holanda. O Espírito e a Letra: Estudos de Crítica Literária (1948-1959). São Paulo: Companhia das Letras, 1996, 2v.

2. CANDIDO, Antonio. O significado de “Raízes do Brasil”. In: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 4. ed. Brasília: Ed. UnB, p. 10.

3. MELLO E SOUZA, Laura. O Diabo e a Terra de Santa Cruz: feitiçaria e religiosidade popular no Brasil colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 1986.

4. VAINFAS, Ronaldo. Trópico dos pecados: moral, sexualidade e Inquisição no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1989.

Obras 11

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Espetáculos 1

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Exposições 2

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Fontes de pesquisa 8

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  • CANDIDO, Antonio (org.). Sergio Buarque e o Brasil. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1998.
  • CANDIDO, Antonio. “Introdução” a HOLANDA, Sergio Buarque de. Capítulos de Literatura Colonial. São Paulo: Brasiliense, 1991.
  • GALVÃO, Walnice Nogueira. Presença da literatura na obra de Sérgio Buarque de Holanda. Estudos Avançados. v.15 n.42. São Paulo maio/ago 2001.
  • HOLANDA, Maria Amélia Buarque de. Apontamentos para a cronologia de Sérgio. Disponível em: https://www.siarq.unicamp.br/sbh/index.html. Acesso em: 1 maio 2022.
  • MARTINS, Renato. Sérgio Buarque de Holanda e o estudo comparado dos imaginários ibéricos em Visão do Paraíso (1959). Ler História, n. 72, 2018. Disponível em: https://journals.openedition.org/lerhistoria/3634. Acesso em: 2 maio 2022.
  • PRADO, Antonio Arnoni. "Introdução” a Sérgio Buarque de Holanda. O Espírito e a Letra: Estudos de Crítica Literária (1948-1959). São Paulo: Companhia das Letras, 1996, 2v.
  • PRADO, Antonio Arnoni. Uma visita à casa de Balzac. Revista USP, n. 39, São Paulo set./nov. 1998.
  • WEGNER, Robert. Sérgio Buarque de Holanda. In: Biblioteca Virtual do Pensamento Social – Sociedade Brasileira de Sociologia. Disponível em: https://www.sbsociologia.com.br/project/sergio-buarque-de-holanda/. Acesso em: 1 maio 2022.

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