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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Ivan de Albuquerque

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.08.2018
21.02.1932 Brasil / Mato Grosso / Cuiabá
29.10.2001 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Registro fotográfico Gilda Vianna

Ivan de Albuquerque em cena de A Chave das Minas, 1977
Gilda Vianna, Ivan de Albuquerque
Acervo Cedoc/FUNARTE

Ivan de Campos Albuquerque (Cuiabá MT 1932 - Rio de Janeiro RJ 2001). Diretor e ator. Reconhecido na década de 1960 pela elaboração e detalhamento de sua encenação, é consagrado na década de 1970 com espetáculos em que alia refinado tratamento cênico a linguagem experimental.

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Biografia

Ivan de Campos Albuquerque (Cuiabá MT 1932 - Rio de Janeiro RJ 2001). Diretor e ator. Reconhecido na década de 1960 pela elaboração e detalhamento de sua encenação, é consagrado na década de 1970 com espetáculos em que alia refinado tratamento cênico a linguagem experimental.

Inicia-se em teatro em O Tablado e forma-se em direção na Fundação Brasileira de Teatro (FBT), em 1958, ao lado de Rubens Corrêa, Yan Michalski e Cláudio Corrêa e Castro. Já nessa fase da carreira se associa a Rubens Corrêa, com quem trabalha por mais de trinta anos, fundando o Teatro do Rio e o Teatro Ipanema.

No Teatro do Rio, estréia como diretor, em 1959, com Oscar, de Claude Magnier. Em 1961, acompanha o trabalho de Ziembinski em dois espetáculos da companhia, Espectros, de Henrik Ibsen, e O Círculo Vicioso, de Somerset Maugham. Em 1962, a encenação de A Invasão, de Dias Gomes, lhe vale todos os prêmios de melhor diretor do ano, distinguindo-se pela elaborada circulação do numeroso elenco no cenário de Anísio Medeiros. Em 1964, com Rubens Corrêa, inicia a construção do Teatro Ipanema. No mesmo ano, vai para São Paulo trabalhar como ator no Teatro Oficina sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, em Andorra, de Max Frisch. Em 1968, o lançamento da nova casa de espetáculos, cria para Ivan novas perspectivas no caminho da investigação de linguagem, com O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov, que lhe confere o Prêmio Molière de melhor diretor. Em 1970, abre o teatro para o talento de Isabel Câmara, integrante da nova geração de dramaturgos paulistas, com As Moças. Ainda em 1970, é dado um passo radical em busca de uma forma inovadora, provocante e poética do espetáculo, com O Arquiteto e o Imperador da Assíria, de Fernando Arrabal, cuja encenação comporta um grau de transgressão inédito na trajetória do diretor e nos desempenhos dos dois intérpretes, Rubens Corrêa e José Wilker, com expressão corporal coordenada por Klauss Vianna, orientação pioneira na área do teatro. O espetáculo, consagrado no Rio de Janeiro e em São Paulo, vale ao diretor os prêmios Molière e Governador do Estado de São Paulo.

Trabalha como ator sob a direção de Rubens Corrêa em Hoje É Dia de Rock, de José Vicente, 1971, o maior sucesso do grupo e um fenômeno na história do teatro. Abre-se então em sua carreira um hiato provocado pela perplexidade diante do autoritarismo político que atinge toda a produção artística brasileira. Depois de quatro anos de recolhimento para meditação e estudos, ele reaparece no Teatro Ipanema, em 1977, dirigindo outra peça de José Vicente, A Chave das Minas, em que conduz a companhia a um mergulho radical no teatro ritualístico, que se prenuncia desde espetáculos anteriores. Em 1981, leva o Troféu Mambembe de melhor direção por O Beijo da Mulher Aranha, de Manuel Puig. Em 1986, a montagem de Artaud!, colagens de textos de Antonin Artaud, leva ao minúsculo espaço do porão do teatro uma linguagem feita com economia de meios e, ao mesmo tempo, essencialmente teatral. O diretor cria um espetáculo de impacto, com a exuberante interpretação de Rubens Corrêa, que três anos depois ainda é apresentado para a platéia assumidamente reduzida (50 lugares) a que se dirigia. Nos anos 1980, o diretor e a equipe do Teatro Ipanema têm dificuldade de adaptar seu trabalho às exigências do mercado e às expectativas do público. A partir do fim dos anos 1980, tornam-se raras as aparições em cena do diretor.

Segundo o crítico Yan Michalski: "Um dos mais completos encenadores brasileiros [...], Ivan de Albuquerque também é um dos que conseguem equilibrar harmoniosamente um artesanato sólido e seguro e uma aguda capacidade de análise de textos com uma generosa abertura para linguagens novas e experimentais".1

Nota

1 MICHALSKI, Yan. Ivan de Albuquerque. In: ______. Pequena enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro, 1989. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq.

Obras 1

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Espetáculos 50

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Fontes de pesquisa 9

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  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculo: A Noite dos Assassinos - 1969. Não catalogado
  • LIMA, Mariângela Alves de. Quem Faz o Teatro. In: ARRABAL, José; LIMA, Mariângela Alves de; PACHECO, Tânia. Anos 70 - Teatro. Rio de Janeiro: Europa, 1979.
  • MICHALSKI, Yan. Ivan de Albuquerque. In: ______. Pequena enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro, 1989. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq.
  • MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão: uma frente de resistência. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
  • Planilha enviada pela pesquisadora Rosyane Trotta. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Black-Out -1967. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Diário de Um Louco - 1964. Não Catalogado
  • Programa do espetáculo - O Arquiteto e o Imperador da Assíria. Não catalogado
  • TEATRO IPANEMA. O Beijo da Mulher Aranha: 1981, Rio de Janeiro, RJ, [1981]. Programa do Espetáculo. Não catalogado

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