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Artes visuais

Oswaldo Bratke

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.01.2020
24.08.1907 Brasil / São Paulo / Botucatu
06.07.1997 Brasil / São Paulo / São Paulo
Oswaldo Arthur Bratke (Botucatu SP 1907 - São Paulo SP 1997). Arquiteto, urbanista. Ingressa no curso de engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie em 1926, e ainda estudante abre um escritório com colegas de turma. Em 1930, recebe a medalha de ouro na Seção Universitária do 4º Congresso Pan-Americano de Arquitetura do Rio de Janeiro, e ...

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Oswaldo Arthur Bratke (Botucatu SP 1907 - São Paulo SP 1997). Arquiteto, urbanista. Ingressa no curso de engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie em 1926, e ainda estudante abre um escritório com colegas de turma. Em 1930, recebe a medalha de ouro na Seção Universitária do 4º Congresso Pan-Americano de Arquitetura do Rio de Janeiro, e ganha o concurso do projeto para o Viaduto Boa Vista, em São Paulo. Dois anos depois de se formar engenheiro-arquiteto, em 1933, abre escritório com o colega Carlos Botti. Na década de 1930, a dupla projeta e constrói mais de 400 residências nos estilos ecléticos em voga. A partir de 1940, Bratke se envolve na urbanização do Jardim do Embaixador, em Campos do Jordão, São Paulo, onde projeta um bar e restaurante, algumas residências e o Grande Hotel Campos do Jordão. Trabalha em São Vicente, São Paulo, na urbanização da Ilha Porchat, em 1942.

Progressivamente se distancia do canteiro de obras, concentrando-se em projetos residenciais - ao mesmo tempo que passa a buscar soluções formais modernas. Nessa década projeta alguns edifícios em São Paulo, entre os quais o Jaçatuba (1942), e o ABC (1949) - um dos primeiros prédios em altura a adotar a curtain-wall1.

Em visita à costa oeste dos Estados Unidos, em 1948, conhece as obras de Richard Neutra (1892-1970) e Frank Lloyd Wright (1867-1959), e tem sua casa-ateliê da rua Avanhandava, de 1947, publicada na Arts & Architecture, periódico californiano que promove a arquitetura moderna internacional. Em 1950, trabalha na urbanização do bairro Paineiras, no Morumbi, onde projeta inúmeras residências, entre as quais a sua, em 1951 (menção especial na Exposição Internacional de Arquitetura da 1ª Bienal Internacional de São Paulo), e a do amigo Oscar Americano, em 1952 - casas que se tornam famosas pela utilização de coberturas planas e pela incorporação da paisagem na construção através de vazios, pérgulas e elementos vazados. É eleito presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil de São paulo (IAB/SP) por duas gestões, de 1951 até 1954, ano em que participa do júri de arquitetura da 2ª Bienal Internacional de São Paulo, e do 4º Congresso Brasileiro de Arquitetos.

Torna-se membro da comissão do 4º Centenário de São Paulo. Uma nova fase na sua carreira surge quando é contratado pela Indústria e Comércio de Minérios S.A. (Icomi) para desenvolver o projeto de dois núcleos urbanos no Amapá, em 1955.

Durante cinco anos projeta os planos urbanos, as residências e todos os equipamentos necessários para as vilas de Serra do Navio e Amazonas - estudando os costumes locais, estabelecendo pequenas oficinas de elementos construtivos e desenhando mobiliários e objetos. Após o fim do contrato com a Icomi, continua com o escritório e participa de várias comissões julgadoras de concursos, entre eles o do Paço de Santo André, 1965. Nesse ano, ganha uma sala especial na 8ª Bienal Internacional de São Paulo, e em 1987 é homenageado com uma exposição de sua obra no (IAB/SP) pelos 80 anos de vida. Nas décadas de 1960, 1970 e 1980 se concentra em consultorias em planejamento urbano, além de projetar os planos de urbanização de bairros novos no Morumbi e conceber o plano piloto de Vila Santana e Porto Grande, no Amapá. Aos 89 anos, é homenageado na 2ª Bienal Internacional de Arquitetura do Brasil, em Salvador, em 1996.

Análise

Oswaldo Bratke é um dos mais discretos entre os grandes arquitetos modernos brasileiros. Obteve destaque sobretudo pelos seus projetos residenciais - que, através de pesquisas sobre novos tipos de cobertura, esquadria, material e técnica não convencional, se tornam exemplos máximos na área -, o arquiteto consolida também, a partir de uma experiência ímpar no coração da Amazônia, com os projetos das vilas Serra do Navio e Amazonas, de 1955 a 1960 - uma referência na busca de soluções urbanas e construtivas adequadas a uma situação específica.

Ainda estudante, vence o concurso para a realização do Viaduto Boa Vista (1930), inaugurado em 1932, projeto que guarda a influência do art déco. A sociedade com Carlos Botti lhe rende quase 500 projetos de casas nos bairros-jardim de São Paulo. Essa experiência, se não chega a lhe proporcionar o desenvolvimento de uma linguagem moderna, lhe fornece uma experiência fundamental no campo da construção.

Com o envolvimento em projetos urbanísticos em cidades paulistas como Campos do Jordão e São Vicente, mais especificamente a Ilha Porchat, Bratke começa a despertar seu trabalho para a linguagem moderna ainda nos anos 1940. Após a morte de seu sócio, deixa de lado o acompanhamento da obra e se dedica aos projetos. Desenha alguns edifícios que prenunciam o vocabulário moderno que incorpora e reelabora com maestria a partir dos anos 1950, sobretudo depois de sua visita aos Estados Unidos, em 1948. São exemplos os prédios de apartamentos na rua General Jardim, e na rua Avanhandava, ambos de 1943, e o Edifício ABC, de 1950, além de sua casa-ateliê, também na rua Avanhandava. A cobertura é executada com telhas de papelão revestidas com asfalto e uma película de cobre, permitindo um caimento pequeno que anuncia as coberturas planas posteriores. Em 1956, projeta o Edifício Renata Sampaio Ferreira: um embasamento para comércio e serviços, e um volume vertical para escritórios, solução difundida desde então, com fachadas revestidas de elementos vazados que garantem a proteção às esquadrias. Em 1975, o Renata Sampaio, o ABC e o Jaçatuba são selecionados como "bens arquitetônicos com interesse de preservação" pelo município.

Mas é no programa residencial que Bratke se destaca. Ao lado do colega engenheiro Oscar Americano, inicia a urbanização do bairro do Morumbi, onde constrói a própria residência, em 1951, marco em sua trajetória profissional, menção especial na 1ª Bienal Internacional de São Paulo. Uma estrutura simples e modulada de pilares esbeltos coberta por uma laje plana (a primeira utilizada pelo arquiteto) constitui um volume prismático articulado por cheios e vazios que se alternam nas fachadas através de fechamentos, elementos vazados e varandas. A planta admite reordenações, já que as paredes internas são resolvidas com armários e fechamentos leves. "Ponto de inflexão na [sua] trajetória [...], assinala[va] a consolidação da sua arquitetura segundo uma peculiar visão de modernidade"2. Em seguida, projeta a residência Oscar Americano, 1954 (hoje Fundação Maria Luiza e Oscar Americano), adotando o mesmo partido, porém em proporções maiores: dois níveis sobrepostos a partir da topografia do terreno, no mesmo jogo entre cheios e vazios que garantem a leveza do conjunto e a integração com a paisagem. Outro exemplo é a casa na avenida Morumbi, de 1953 a 1954, que propõe um pátio delimitado por um sistema de pilares e vigas de madeira em continuidade às áreas fechadas, desenhando a silhueta da construção.

Constrói inúmeras outras residências em São Paulo e no litoral, como a Residência Ciccillo Matarazzo, realizada entre 1959 a 1960, em Ubatuba, São Paulo. Entretanto, não se prende a soluções consagradas, buscando adequar a forma e os materiais a situações específicas, como em Ubatuba, quando resgata o telhado de duas águas, sempre obedecendo aos princípios de simplicidade que norteiam seu trabalho.

Mesmo projetando outros programas, como o Hospital Infantil do Morumbi, de 1951 a 1956, as Termas de Lindoia, de 1952 a 1959, ou as Estações da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, em 1960, é a experiência urbanística no Amazonas que, ao lado das residências, marca sua obra na história da arquitetura brasileira.

Vencendo uma concorrência promovida pela Indústria e Comércio de Minérios S.A. (Icomi), em 1955, Bratke parte para o desafio de criar uma cidade nova no interior do Amapá. Condizente com seu espírito inventivo e engenhoso, o projeto reúne todos os requisitos para que desenvolva plenamente suas ideias. Dimensiona os núcleos urbanos e planeja o assentamento com base na polarização de dois bairros (o operário e o de funcionários de médio e alto padrão), ligados pelo centro cívico, formado de praça, administração e comércio, além da escola de 1º grau, o hospital (referência na região), o posto de saúde e o centro esportivo. Desenha os planos de arruamento, saneamento básico e energia elétrica. Para conseguir obedecer aos prazos da construção, racionaliza os processos ao máximo, desenvolve oficinas que possam fornecer materiais locais (blocos de concreto, esquadrias de madeira e tacos) e organiza polos de fornecimento de materiais no Brasil e fora. Percebe-se na disposição das casas uma influência das cidades-jardim: nas palavras do próprio arquiteto, o "desalinhamento dos volumes quebrava a monotonia, evitava uma simetria desagradável e proporcionava outra sensação de espaço"3. As residências seguem plantas padrão cujo tamanho varia de acordo com a atribuição do funcionário. Construídas com blocos de concreto e cobertas com telhas de fibrocimento - materiais pouco adequados ao isolamento térmico necessário em região tão quente -, têm sistemas de ventilação baseados em janelas venezianas com paletas móveis4 que garantem o conforto térmico desejado. Em 1960, o conjunto é finalizado e entregue à Icomi, empresa da qual o arquiteto passa a ser consultor.

Notas

1. Fachada envidraçada orientada para a face menos exposta ao sol.

2. SEGAWA, Hugo. Oswaldo Arthur Bratke. São Paulo: Pro Editores, 1997. p. 110

3. Depoimento de Oswaldo Bratke. Op. cit. p. 257.

4. Desenvolvida originalmente para a residência dos operários e utilizada em quase todas as construções, torna se posteriormente um modelo corrente na região, graças ao seu baixo custo e adequação aos propósitos de vedação e ventilação.

Exposições 2

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Fontes de pesquisa 3

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  • SEGAWA, Hugo e DOURADO, Guilherme Mazza. Oswaldo Arthur Bratke. São Paulo: Pro Editores, 1997. 324p. il., cor&pb.
  • SEGAWA, Hugo e DOURADO, Guilherme Mazza. Oswaldo Arthur Bratke. São Paulo: Pro Editores, 1997. 324p. il., cor&pb. 724.981. B824s
  • THOMAZ, Dalva. Documento Oswaldo Bratke - Entre a idealização e a realidade. Revista AU, São Paulo, ano 8, n. 43, ago-set, 1992, pp. 70-82.

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