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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Mario Cravo Neto

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.08.2022
20.04.1947 Brasil / Bahia / Salvador
09.08.2009 Brasil / Bahia / Salvador

Sacrifício V, 1989
Mario Cravo Neto
Matriz-negativo

Mario Cravo Neto (Salvador, Bahia, 1947 – Idem, 2009). Fotógrafo, escultor, desenhista. Os campos de atuação do artista se integram em suas produções: fotografia e escultura se influenciam mutuamente, criando com frequência relações surpreendentes entre corpos e objetos.

Texto

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Mario Cravo Neto (Salvador, Bahia, 1947 – Idem, 2009). Fotógrafo, escultor, desenhista. Os campos de atuação do artista se integram em suas produções: fotografia e escultura se influenciam mutuamente, criando com frequência relações surpreendentes entre corpos e objetos.

Recebe as primeiras orientações no campo do desenho e da escultura de seu pai, Mario Cravo Júnior (1923-2018). Quando este participa, em 1964, do programa Artists on Residence, patrocinado pela Ford Foundation, o filho o acompanha em viagem a Berlim. Na capital alemã, já adolescente, mantém contato com o artista italiano Emilio Vedova (1919-2006) e com o fotógrafo Max Jacob e inicia seu trabalho com escultura e fotografia. 

Em 1968, muda-se para Nova York e estuda na Arts Students League, com orientação de Jack Krueger (1941), um dos precursores da arte conceitual na cidade. Nesse período, realiza a série de fotografias em cores On the subway e produz suas primeiras esculturas de acrílico. 

Como aponta o estudioso Rubens Fernandes Júnior (1949), suas fotografias, geralmente em preto e branco, revelam acuidade na descrição fotográfica, evocando a herança deixada pelo trabalho anterior com escultura. Em suas obras, utiliza baixas luzes, enquadramento fechado e foco crítico, que, dimensionando volumes e explorando as diferentes texturas, realça o objetivo primeiro de cada foto. A sensação tátil é outro aspecto interessante de seu trabalho, ressaltada pelos jogos de luz e sombra.

Retorna ao Brasil em 1970. Fotografa sua cidade natal e o sertão baiano. Após sofrer um acidente automobilístico em 1975, interrompe a atividade profissional por um ano. Por causa de restrições físicas provocadas pelo acidente, passa a se dedicar à fotografia de estúdio. Além disso, cria instalações e realiza trabalho fotográfico com temática relacionada ao candomblé e à religiosidade católica. 

Para Fernandes Júnior, há uma relação direta entre o trabalho de Cravo Neto e o do fotógrafo e etnógrafo Pierre Verger (1902-1996), principalmente ao abordar a possessão espiritual do corpo. Para compor a série Exvoto, publicada em livro de 1986, o fotógrafo utiliza esculturas votivas em madeira talhada, atualmente reunidas na Fundação Gregório de Mattos, em Salvador. As fotografias da série revelam uma grande sensibilidade no uso da luz, de forma a valorizar planos, entalhes e relevos das peças.

Enfoca frequentemente fragmentos do corpo humano em seus trabalhos e, por vezes, os associa a objetos, como bolas ou pedras, ou a animais, o que confere à imagem um ar de estranhamento e, por vezes, um caráter ritualístico.

Sua obra, como ressalta o crítico Casimiro Xavier de Mendonça (1947-1992), não é narrativa, nem documental, nem antropológica. É o suporte para um investimento visual que procura acentuar a relação do homem com o desconhecido a partir do estabelecimento de relações inesperadas, sobretudo na oposição entre objetos e corpos.

Publica, entre outros livros, Salvador (1999), Laróyè (2000), Na terra sob meus pés (2003) e O tigre do Dahomey a serpente de Whydah (2004). Recebe o Prêmio Nacional de Fotografia da Fundação Nacional de Arte (Funarte), em 1996, o Price Waterhouse, no Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em 1997, e o prêmio de melhor fotógrafo do ano da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), em 1980, 1995 e 2005.

Notabilizado sobretudo pelas imagens relacionadas ao universo religioso e místico – em especial ao catolicismo e ao candomblé –, o trabalho de Mario Cravo Neto transita entre a plasticidade da escultura e a representação fotográfica, entre o registro documental e a liberdade da imaginação.

 

Obras 14

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Espetáculos 1

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Exposições 317

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Feiras de arte 6

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Fontes de pesquisa 10

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  • ALÉM da Taprobana: a figura humana nas artes plásticas dos países de língua portuguesa. Curadoria Claudio Telles. Rio de Janeiro: MAM, 1995.
  • CARBONCINI, Anna (coord.). Coleção Pirelli / MASP de Fotografias: v. 1. Versão em inglês Kevin M. Benson Mundy. São Paulo: Masp, 1991.
  • CARBONCINI, Anna (coord.). Coleção Pirelli/MASP de Fotografias: v. 4. Versão em inglês Kevin M. Benson Mundy. São Paulo: MASP, 1994.
  • CRAVO NETO, Mario. Ex-voto. Prefácio Pietro Maria Bardi; introdução Gilberto Freyre; texto Mario Barata; tradução Sheila Toogood, Colling McDonnel. Salvador: Aries, 1986. 142p. il. color.
  • CRAVO NETO, Mario. Mario Cravo Neto. Introdução Rubens Fernandes Júnior. Salvador: Aries, 1995. 72 p., il. p&b.
  • CRAVO NETO, Mario. Mário Cravo Neto. Tradução Donald Francis Occhiuzzo, Janet Fisher; texto Casimiro Xavier de Mendonça. Salvador: Ada Galeria de Arte, 1991. [39] p., il. p&b.
  • CRAVO NETO, Mario; CANONGIA, Ligia (coord.). Na terra sob meus pés. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2003. 80 p., il. p&b. color.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Negro de corpo e alma. Curadoria Emanoel Araújo, Maria Lúcia Montes, Carlos Eugênio Marcondes de Moura; tradução Christopher Ainsbury, Denise Kato, Doris Hefti, Douglas V. Smith, Eduardo Hardman, Eugênia Deheinzelin, Grant Ellis, H. Sabrina Gledhill, John Norman, Katica Szabó, Lilian Escorel, Regina Alfarano, Ricardo Gomes Quintana, Robert Slenes, Carlos Galvão, Suzanne Oboler, Elitza Bachvarova, Thomas William Nerney. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo : Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • Programa do Espetáculo - A Aurora da Minha Vida - 1981. Não catalogado
  • VERGER, Cravo. Texto Pierre Verger, Mario Cravo Junior. Salvador: Galeria da Pousada do Carmo, 1979.

Como citar

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