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Enciclopédia Itaú Cultural

Jackson do Pandeiro

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.08.2019
31.08.1919 Brasil / Paraíba / Alagoa Grande
10.07.1982 Brasil / Distrito Federal / Brasília
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Jackson do Pandeiro, 1972

José Gomes Filho (Alagoa Grande, Paraíba, 1919 – Brasília, Distrito Federal, 1982). Cantor, percussionista, compositor. É conhecido como o “rei do ritmo” por sua habilidade em promover encontros de diferentes gêneros e construir novos arranjos para a música brasileira, especialmente entre canções tradicionais nordestinas e a música de origem afr...

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José Gomes Filho (Alagoa Grande, Paraíba, 1919 – Brasília, Distrito Federal, 1982). Cantor, percussionista, compositor. É conhecido como o “rei do ritmo” por sua habilidade em promover encontros de diferentes gêneros e construir novos arranjos para a música brasileira, especialmente entre canções tradicionais nordestinas e a música de origem afro-brasileira.

Começa a tocar zabumba acompanhando sua mãe, a cantora de coco Flora Mourão, em apresentações na sua cidade natal, Alagoa Grande. Em 1932, muda-se com a família para Campina Grande, após a morte do pai. Na cidade, toca bateria no conjunto musical do Clube Ipiranga, em 1936, sendo efetivado, em seguida, como percussionista.

Adota o nome artístico Zé Jack, baseado nos filmes de faroeste a que assiste durante a adolescência. Em 1940, muda-se para João Pessoa, na Paraíba, para trabalhar na Rádio Tabajara. O nome Jackson do Pandeiro é adotado oito anos depois, quando passa a morar em Recife e trabalhar na Rádio do Jornal do Commercio.

Sua habilidade particular com instrumentos de percussão, como o pandeiro, é referência para a regravação de clássicos da música brasileira, construindo novos arranjos e dando-lhes novas cadências. O músico altera a marcação predefinida das canções, adiantando a execução da música em relação à letra.

Transita entre ritmos como cocos, xaxados e frevos e busca referências nos clubes de música, como o paraibano Cassino Eldorado e, também, em terreiros de candomblé. Incorpora a inspiração das batucadas dos ritos religiosos em suas gravações.

O repertório de Jackson do Pandeiro traz para a cena da música popular brasileira um nordeste festivo e lúdico, com suas tradições musicais. Seu primeiro compacto, gravado em 1953, traz a composição “Sebastiana”, um coco em parceria com Rosil Cavalcanti (1915-1968) e o rojão “Forró no Limoeiro”, de Edgar Ferreira (1922-1995). Além disso, sua presença de palco e figurinos trazem para a cena um nordestino urbano, diferente de Luiz Gonzaga (1912-1989), ligado às raízes sertanejas. 

Segundo o produtor musical Carlos Fernando (1938-2013), o frevo acelerado é uma criação de Jackson. Antes de seu EP Micróbio do Frevo (1955), o ritmo era mais lento.

Além de percussionista e cantor, Jackson também atua na composição de canções do final da década de 1950, assinadas por Almira Castilho (1924-2011). Casa-se com ela em 1956 e torna-se seu companheiro de trabalho por cerca de 11 anos, nas composições e apresentações. A ex-professora e cantora é também a responsável por ensiná-lo a assinar seu nome artístico, já que Jackson só é alfabetizado aos 35 anos. Uma das composições da parceria é “Chiclete com Banana”, lançada em 1951, que traz pela primeira vez a nomenclatura samba-rock, alusão à mistura dos dois ritmos na música.

 Em 1966, lança Cabra da Peste, em que está presente o encontro de ritmos experimentados ao longo de seus trabalhos. É o caso de canções como “Capoeira Mata Um”, mistura de coco e samba, e “Bodocongó", baião com elementos rítmicos do samba, composto em parceria com Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (1915-1979).

A relação com o samba, ritmo reconhecido como carioca na época, é forte em suas misturas rítmicas  e nos carnavais do Rio de Janeiro, dos quais Jackson é campeão em alguns anos. Na produção musical, trabalha no primeiro disco do sambista Bezerra da Silva (1927-2005), O Rei do Coco (1975) e atua como instrumentista em todas as canções. 

O coco e o samba, além dos batuques que Jackson busca em ritos religiosos, proporcionam o encontro rítmico entre a música negra e o cancioneiro tradicional nordestino, fazendo do músico expoente de uma sonoridade única na música popular brasileira.

Assim como intérpretes como Tim Maia (1942-1998), Jackson também passa por uma fase Racional1. Em seu disco Nossas Raízes (1974), o compositor abre espaço para letras que trazem a filosofia para suas música como “Mundo de Paz e Amor”, na qual Jackson canta “Meu caminho é racional, o meu mundo é de paz e amor”.

A atuação de Jackson como instrumentista é fundamental para construir novos arranjos para canções tradicionais, além de trabalhar com a mistura de ritmos, criando sonoridades singulares na música popular brasileira.

Nota

1. Religião derivada do espiritismo, fundada em meados da década de 1930 pelo médium carioca Manoel Jacintho Coelho (1903-1991), que tem como base os livros do Universo em Desencanto, enciclopédia extensiva das ciências terrenas e espirituais.

 

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