Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Abel Ferreira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 18.02.2021
15.02.1915 Brasil / Minas Gerais / Coromandel
13.04.1980 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Abel Ferreira (Coromandel, Minas Gerais, 1915 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1980). Compositor e instrumentista. Inicia os estudos de música aos 12 anos, com aulas de teoria musical e clarineta. Em 1932, é contratado pela Rádio Guarani, de Belo Horizonte. Começa a tocar saxofone alto e tenor. Em 1935, muda-se para São Paulo, para atuar na orq...

Texto

Abrir módulo

Abel Ferreira (Coromandel, Minas Gerais, 1915 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1980). Compositor e instrumentista. Inicia os estudos de música aos 12 anos, com aulas de teoria musical e clarineta. Em 1932, é contratado pela Rádio Guarani, de Belo Horizonte. Começa a tocar saxofone alto e tenor. Em 1935, muda-se para São Paulo, para atuar na orquestra de Maurício Cascapera. Em 1937, retorna a Belo Horizonte e trabalha com J. França e Banda, grupo com o qual se apresenta também em São Paulo. Pressionado pela família, retorna a Coromandel para gerir a sorveteria do pai. O negócio não prospera, e Ferreira volta a tocar.

Assume a direção da emissora Rádio Triângulo Mineiro PRA-5, de Uberaba, e, à noite, atua como instrumentista no cabaré de Dona Tiburtina. Em 1942, grava composições de sua autoria: “Chorando Baixinho” (solo de clarinete) e “Vânia” (valsa), acompanhado pelo regional do Pinheirinho. No ano seguinte, muda-se para o Rio de Janeiro e atua na orquestra de Ferreira Filho, no Cassino da Urca. Entre 1945 e 1946, toca nas orquestras de Vicente Paiva (1908-1964) e Bené Nunes (1920-1997), que se apresentam em rádios e cassinos. Ali acompanha os principais cantores da época, como Carmen Miranda (1909-1955), Francisco Alves (1898-1952), Emilinha Borba (1923-2005) e Marlene (1922-2014). Em 1949, ingressa na Rádio Nacional e participa do programa criado por Paulinho Tapajós (1945-2013), Turma do Sereno, mesmo nome do regional que acompanha serestas e modinhas ao vivo. Em 1951, grava “Lua Branca” [Chiquinha Gonzaga (1847-1935)], e a polca “Se Querem Eu Choro” [Felisberto Marques (ca. 1860-ca. 1920)]. No ano seguinte, registra as valsas “Saudade de Varginha”, composta por ele, e “Saudade Eterna” [Santos Coelho (1870-1927)]. Em 1952, forma com Paulinho Tapajós a Escola de Ritmos, projeto desenvolvido por todo o Brasil. Participa do álbum 5 Companheiros – Pixinguinha e os Chorões Daquele Tempo (1958) e, no mesmo ano, lança Jantar Dançante. Em 1959, registra o disco No Tempo do Cabaré

Em 1958, integra o conjunto Os Brasileiros – formado por Sivuca (1930-2006), Trio Irakitan, Dimas (1930), Pernambuco e Guio Morais (1920) –, que excursiona por vários países europeus e grava o LP Os Brasileiros na Europa. Em 1963, lança o álbum Chorando Baixinho – Abel Ferreira e seu Conjunto. Realiza excursões com Bené Nunes (1920-1997) e Waldir Azevedo (1923-1980). Em 1977, registra Abel Ferreira e Filhos, com o maestro e compositor Leonardo Bruno (1945) e a cantora Vânia Ferreira (1940), seus dois filhos. No mesmo ano, participa do LP Altamiro Carrilho, Abel Ferreira, Formiga e Paulo Moura Interpretam Vivaldi, Weber, Purcell e Villa-Lobos. 

Em 1979, produz o disco Chorando Baixinho – Um Encontro Histórico, com Joel Nascimento (1937), Arthur Moreira Lima (1940), Copinha (1910-1984), Conjunto Época de Ouro, Zé da Velha (1942) e Silvério Pontes (ca. 1970). Sua clarineta e saxofone podem ser ouvidos ainda em álbuns dos principais cantores e compositores brasileiros, como Cartola (1908-1980), Roberto Silva (1920-2012) e Beth Carvalho (1946)

Em 1977, é agraciado com o Golfinho de Ouro, oferecido pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS/RJ).

Se existe uma escola brasileira de sopro, de origem urbana e popular, Abel Ferreira está entre seus principais representantes. O estilo de tocar do instrumentista é partilhado entre aqueles que se convenciona chamar de chorões. Sua maneira de fazer música concentra-se sobre a relação rítmica entre melodia e acompanhamento, vínculo em que solista e conjunto parecem independentes ou em sincronismo relaxado. Sobre a base do conjunto regional do choro, o solista realiza melodias resultantes de combinação métrica típica da música urbana brasileira do início do século XX. Nessa combinação, o solista encaixa a melodia de forma displicente. É esse o estilo de Abel Ferreira, presente em Luiz Americano (1900-1960) e continuado em Paulo Moura (1933-2010).

Embora as biografias de Abel Ferreira relatem os momentos nos quais o instrumentista atua em orquestras, é ao flexibilizar a rítmica da música orquestral europeia que o solista de choro encontra seu estilo. Desse modo, é preciso avaliar o trabalho do músico em cabarés, boates e gafieiras – como o Cabaré da Gruta Vermelha, onde, segundo o próprio Abel, “[tocava-se] das 21 às 4 da manhã, sem parar, por 12 mil réis”. Nesses locais, a função da música é fazer as pessoas dançarem. O balanço dos chorões é também o das gafieiras, e o músico procura valorizar as síncopes e deslocar a melodia do acompanhamento, como forma de deixá-la mais dançante.

Nesse sentido, os primeiros álbuns lançados por Abel Ferreira são exemplares. Em Jantar Dançante (1954), há interpretações de clássicos, como o bolero “Bésame Mucho”, da compositora mexicana Consuelo Velásquez (1916-2005); de sambas, como “Morena Boca de Ouro” [Ary Barroso (1903-1964)] e “Ai que Saudade da Amélia” [Mário Lago (1911-2002) e Ataulfo Alves (1909-1969)]; e de “Baião no Deserto”, composto por Abel Ferreira em parceria com Zé Menezes (1921-2014). No disco No Tempo do Cabaré (1955), maxixes e polcas evocam o ambiente de dança e sedução de um cabaré. Entre os maxixes, estão os famosos “Gosto que me Enrosco” [Sinhô (1888-1930)] e “Pelo Telefone” [Donga (1890-1974)], e os choros “Corta-Jaca” (Chiquinha Gonzaga) e “Brejeiro” [Ernesto Nazareth (1863-1934)]. Nesse disco, Abel Ferreira assina os arranjos e canta algumas faixas.

Algumas de suas composições tornam-se clássicos entre os chorões. A mais conhecida é “Chorando Baixinho”, que Abel Ferreira grava diversas vezes. A estreia em disco é num 78 rotações, acompanhado por regional. Em seguida, passa pela regravação à frente da orquestra da Rádio Nacional, com arranjo de Radamés Gnatalli (1906-1988) e pelo dueto com Arthur Moreira Lima, no disco Chorando Baixinho – Um Encontro Histórico. Além desses registros realizados pelo compositor, o choro tem regravações de outros músicos, como a interpretação de Paulo Moura (1933-2010) com Raphael Rabello (1962-1995) e a versão de Yamandu Costa (1980) em duo com Dominguinhos (1941-2013). Outras composições do músico são frequentes no repertório das rodas de choro, como “Doce Melodia” e “Haroldo no Choro”.

Fontes de pesquisa 3

Abrir módulo
  • ABEL Ferreira e o Choro. Nova história da música popular brasileira, LP de 10'', São Paulo: Abril Cultural, 1978.
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998.
  • TAUBKIN, Myriam (Org.). Um sopro de Brasil. Verbetes redigidos por Maria Luiza Kfouri. [s.l.]; [s.d.], 2006. (Projeto Memória Brasileira).

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: