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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Eugênio Hirsch

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 30.08.2016
1923 Áustria / a definir / Viena
23.09.2001 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Eugen Aloisius Hirsch (Viena, Áustria, 1923 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2001). Designer gráfico, ilustrador e pintor. Ainda menino, tem aulas de desenho com o artista expressionista vienense Oskar Kokoschka (1886-1980).1 Em 1938, com a proximidade da Segunda Guerra Mundial, sua família emigra para a Argentina. Em 1945, conhece Monteiro Lob...

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Biografia
Eugen Aloisius Hirsch (Viena, Áustria, 1923 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2001). Designer gráfico, ilustrador e pintor. Ainda menino, tem aulas de desenho com o artista expressionista vienense Oskar Kokoschka (1886-1980).1 Em 1938, com a proximidade da Segunda Guerra Mundial, sua família emigra para a Argentina. Em 1945, conhece Monteiro Lobato (1882-1948) em Buenos Aires, após ter ilustrado a edição argentina de seus livros. O escritor tenta trazê-lo ao Brasil para ilustrar o livro Sítio do Pica-Pau Amarelo, mas morre antes de concretizar a contratação.

Hirsch vem ao Brasil por iniciativa própria em meados dos anos 1950 e, inicialmente, trabalha em agências de propaganda, abandonando a pintura. Em 1959, cria sua primeira capa de livro para a editora Civilização Brasileira, para a inédita edição nacional do polêmico romance Lolita, de Vladimir Nabokov (1899-1977). Em 1964, cria o projeto gráfico da revista Pif-Paf, de Millôr Fernandes (1923-2012), e vai para os Estados Unidos, onde colabora com a revista Playboy. Em seguida, muda-se para a Espanha, contratado pela editora Codex como diretor de arte da coleção O Mundo dos Museus. Retorna ao Brasil em 1970 e trabalha como editor de arte na Livraria Editora José Olympio.

A sua obra torna-se objeto de estudo de diversas pesquisas no campo do design visual. As capas produzidas para a Civilização Brasileira estão documentadas e analisadas no livro O Design Gráfico Brasileiro: Anos 60, organizado por Chico Homem de Melo e publicado pela Cosac Naify, em 2006.

Comentário crítico
Eugênio Hirsch é frequentemente apontado como o responsável pela revolução da visualidade das capas de livro brasileiros que ocorre na década de 1960. A sua notável contribuição deve-se, sobretudo, às capas criadas para a Editora Civilização Brasileira, no Rio de Janeiro, na primeira metade dos anos 1960. Nelas é possível verificar a versatilidade da sua linguagem gráfica, seu extenso repertório e sintonia com a cultura visual do seu tempo.

Para analisar a obra de Hirsch é preciso considerar as condições de trabalho favoráveis oferecidas pela parceria com Ênio Silveira (1925-1996), editor da Civilização Brasileira. Além de uma concepção política e ideológica de vanguarda, a visão ousada do editor em termos de métodos administrativos e política editorial – especialmente nas áreas de publicidade e produção gráfica2 – possibilita a Eugênio Hirsch uma liberdade de criação singular na história do livro brasileiro até então.

"Uma capa é feita para agredir, não para agradar." A conhecida frase de Hirsch espelha a sua linguagem gráfica, como esclarece o pesquisador Chico Homem de Melo,3 "legibilidade, clareza, fidelidade ao conteúdo do livro, nada disso o mobilizava. Ele está muito mais empenhado em surpreender o leitor. [...] A capa era concebida como um cartaz no ponto de venda". Cumpre lembrar que, com o aumento do público leitor nos anos 1960, as estratégias de marketing no ponto de venda tornam-se parte do projeto do livro como um todo. A capa é, portanto, a principal propaganda do livro.

Os elementos textuais (nome do autor, título) e gráficos (fotografias, ilustrações, pinceladas gestuais, elementos gráficos, planos de cor) são planejados em conjunto, resultando em uma identidade impactante para cada romance.

Eugênio Hirsch emprega ilustrações feitas à mão e pinceladas gestuais, que indicam influência do expressionismo. A figura feminina é uma imagem recorrente no seu trabalho. Ao mesmo tempo, faz uso enfático de fotografias, tratadas com alto-contraste e sobrepostas a planos de cores. Este tipo de tratamento das imagens o aproxima da arte pop e da vanguarda do design visual produzido naquele tempo.4

A tipografia, entendida como parte da imagem, é escolhida e trabalhada de acordo com o contexto, visando a integração total com a ilustração. No título Antes, o Verão, de Carlos Heitor Cony (1926), o lettering aparece estilhaçado. Já em Memórias de Lázaro, de Adonias Filho (1915-1990), as letras apresentam imperfeições que lembram o aspecto de um carimbo.

Nas capas da coleção O Mundo dos Museus, criada para a editora espanhola Codex, a tipografia prevalece. Fosse desenhada à mão ou com tipos diagramados expressivamente, ocupa sempre a maior área da capa. Uma fotografia ou detalhe de uma obra de arte associa-se ao título, como um ícone encaixado em meio aos caracteres. No projeto do miolo, ainda que se verifique uma ordenação maior das informações textuais, detalhes das obras de arte drasticamente ampliados provocam impacto no leitor.

A irreverente obra de Eugênio Hirsch, aponta direções para o desenvolvimento do design gráfico brasileiro das décadas seguintes. De acordo com Homem de Melo, "a independência de Hirsch em relação a escolas, normas, rigores ou convenções faz do seu trabalho um prenúncio do design pós-moderno no Brasil".5

Notas
1 LEON, Ethel. Eugênio Hirsch, o cigano das capas. Revista Design & Interiores, São Paulo, v. 25, p. 111.
2 HALLEWELL, Laurence. O livro no Brasil: sua história. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005, p. 535.
3 MELO, Chico Homem (org.). O design gráfico brasileiro: anos 60. São Paulo: Cosac Naify, 2006, p. 62.
4 Ibid, p. 65.
5 Ibid., p. 67.

Fontes de pesquisa 9

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  • ALMEIDA, Marta Assis. Ênio Silveira. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Com-Arte, 2003. Coleção Editando o editor, v. 3.
  • Design Gráfico. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 29 set, 2001, p. D5.
  • FERNANDES, Amaury. A construção de um imaginário moderno: as capas da Editora Civilização Brasileira (1960-1975). Arte & Ensaios – Revista do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais EBA. UFRJ, ano VIII, número 8, 2001, p. 29-37. Disponível em: < http://www.amaury.pro.br/textos/ConstImagMod.pdf >. Acesso em: 10 jan. 2014.
  • FERNANDES, Amaury. Eugênio Hirsch: um perfil especial entre os pioneiros do design brasileiro. In HORCADES, Carlos; THEES, Isabel (org.). Design. Rio de Janeiro: Instituto de Artes Visuais, Escola de Artes Visuais Univercidade, 2002. n. 4, p. 5-9. Disponível em: < http://www.amaury.pro.br/textos/ArtigoEugenio >.pdf. Acesso em: 10 jan. 2014.
  • HALLEWELL, Laurence. O livro no Brasil: sua história. Tradução Maria da Penha Villalobos e Lólio Lourenço de Oliveira. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1985.
  • LEON, Ethel. Eugênio Hirsch o cigano das capas. Revista Design & Interiores, São Paulo, v. 25, p. 111-114.
  • LIMA, Guilherme Cunha; MARIZ, Ana Sofia. Design editorial, conceitos e processos: editora Civilização Brasileira (1959-1970). Apresentação XXIV Simpósio Nacional de História. São Leopoldo, 2007. Disponível em: < http://www.anasofia.net/pdf/apresentacao_simposio_historia_2007.pdf >. Acesso em: 10 jan. 2014.
  • LIMA, Guilherme Cunha; MARIZ, Ana Sofia. Uma nova abordagem para o design do livro brasileiro: a experiência da editora Civilização Brasileira, 1950-1960. Recife: Congresso Internacional de Design da Informação (SBDI), 2003. Disponível em: < http://www.anasofia.net/pdf/artigo_SBDI_2003.pdf >. Acesso em: 10 jan. 2014.
  • MELO, Chico Homem de (org.). O design gráfico brasileiro: anos 60. São Paulo: Cosac & Naify, 2006.

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