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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Charles

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.10.2019
1948 Brasil / Rio de Janeiro

Charles
Charles

Carlos Ronaldo de Carvalho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,1948). Poeta e roteirista. Começa a publicar nos anos 1970, sendo um dos fundadores, ao lado de ChacaL (1951), de uma das vertentes da chamada Poesia Marginal carioca. O clima de informalidade faz com que assine apenas como Charles, apelido de Carlos, sem o uso de nenhum sobrenome. 

Texto

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Carlos Ronaldo de Carvalho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,1948). Poeta e roteirista. Começa a publicar nos anos 1970, sendo um dos fundadores, ao lado de ChacaL (1951), de uma das vertentes da chamada Poesia Marginal carioca. O clima de informalidade faz com que assine apenas como Charles, apelido de Carlos, sem o uso de nenhum sobrenome. 

Em 1971 sai seu primeiro conjunto de poemas, Travessa Bertalha 11, mimeografado por Guilherme Mandaro. É considerado um dos fundadores do coletivo Nuvem Cigana, em 1975, polarizador da produção carioca no período marginal, em que leitura, performance, happening e venda de livros artesanais se misturam, tendo como cenário a extinta livraria carioca Muro, em eventos intitulados Artimanhas.  Em 1976, integra a antologia 26 Poetas Hoje, de Heloísa Buarque de Hollanda (1939), que mapeia a produção poética brasileira dos anos 1970. É um dos editores do Almanaque Biotônico Vitalidade

Após 26 anos de silêncio poético, publica Sessentopéia (2011),1 assinando como Charles Peixoto, volume que reúne sua produção desde 1985. Forma-se em comunicação social, e adquire experiência em rádio, cinema e publicidade. A partir da década de 1980 escreve roteiros para a Rede Globo de  Televisão, em programas como Armação Limitada e Malhação

 

Análise

A poesia de Charles Peixoto aparece no cenário da contracultura carioca dos anos 1970, explorando, com base nesse ambiente, suas ideias centrais, que são a ampla liberdade criativa, passando pela espontaneidade e pela anotação; o resgate do primeiro modernismo, sobretudo da poesia de Oswald de Andrade (1890-1954), com a construção de poemas breves perpassados por humor e notas críticas bem como pela informalidade que aponta para o antilírico.

Como descreve Cacasao (1944-1987), sua poesia se resume a “uma espécie de um desvirginamento pop da visão romântica”.2 É o que se pode observar no poema Drama Familiar de Creme de Lua: “Mais um berro histérico / e mato um”,3 que sintetiza a simplicidade comunicativa de sua poesia, expondo a circularidade viciosa das relações familiares, de forma direta e bem-humorada. 

Em Sessentopéia (2011), Charles Peixoto continua explorando a liberdade formal, da palavra puxa palavra, com farto uso de rimas, como em: “Um dia sensato / outro insensato / um dia seduzindo / outro engolindo sapo / o que faz a torrente / é o fio do riacho”,4 no mesmo ambiente descontraído e crítico que caracteriza toda a sua produção. 

 

 

Notas

1. Com acento agudo, já que o autor não aderiu ao recente Acordo Ortográfico.

2. CACASO. Não quero prosa (organização Vilma Âreas). Campinas: Unicamp; Rio de Janeiro: UFRJ, 1997. p. 216.

3. idem. p. 220.

4. PEIXOTO, Charles. Sessentopéia. Rio de Janeiro: 7Letras, 2011. p.32.

Obras 1

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Fontes de pesquisa 5

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  • CACASO. Não quero prosa. Organização Vilma Âreas. Campinas: Unicamp; Rio de Janeiro: UFRJ, 1997.
  • COHN. Sergio (org.) Nuvem cigana - poesia e delírio no Rio dos anos 70. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2007.
  • FERRAZ. Eucanaã (org.) Poesia Marginal - palavra e livro. São Paulo: IMS, 2013.
  • HOLLANDA. Heloisa Buarque (org.) 26 poetas hoje - antologia. Rio de Janeiro: Editorial Labor do Brasil, 1976.
  • PEIXOTO, Charles. Sessentopéia. Rio de Janeiro: 7Letras, 2011.

Como citar

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