Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Renato Cohen

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.02.2017
26.05.1956 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
18.10.2003 Brasil / São Paulo / São Paulo
Renato Cohen (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1956 - São Paulo, São Paulo, 2003). Ator, diretor, performer, teórico e pesquisador. Pertence à geração chamada “teatro das imagens”, que relativiza a importância do texto. Sua atuação começa em fins dos anos 1980, após se formar em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Po...

Texto

Abrir módulo

Biografia

Renato Cohen (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1956 - São Paulo, São Paulo, 2003). Ator, diretor, performer, teórico e pesquisador. Pertence à geração chamada “teatro das imagens”, que relativiza a importância do texto. Sua atuação começa em fins dos anos 1980, após se formar em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), quando se aproxima do pesquisador e diretor teatral Luiz Roberto Galizia (1954-1985), integrante do grupo Ornitorrinco. Ao longo da década de 1980, cria performances e tem breve passagem como programador do Sesc Fábrica Pompeia. Essa vivência é utilizada em sua dissertação de mestrado em artes cênicas na USP, convertida em livro.

Nos anos 1990, faz seus primeiros experimentos cênicos: Magritte – Espelho Vivo (MAC/USP, 1986-1988), Sturm und Drang – Tempestade e Ímpeto (Casa Modernista,1990-1993) e Vitória sobre o Sol (Centro Cultural São Paulo, 1995-1996), versão livre de uma ópera futurista russa. Apresenta o projeto Máquina Futurista (Itaú Cultural,1997) e KA (Museu Ferroviário, Campinas, 1998), adaptação do texto homônimo. Essa montagem é realizada com formandos de artes cênicas da Universidade de Campinas (Unicamp), onde passa a ministrar aulas na graduação e pós-graduação. Cohen cria um novo grupo, batizado com o nome da peça. Também nesse ano publica seu segundo livro, fruto do doutorado realizado na USP.

Em 1999, com o grupo KA, apresenta no Centro Cultural São Paulo (CCSP) o espetáculo Dr. Faustus Liga a Luz, da escritora norte-americana Gertrude Stein (1874-1946). No mesmo ano desenvolve o projeto Imanências - Caixas do Ser, na Casa das Rosas, iniciando um debate sobre o programa televisivo Big Brother. Gradua-se em artes do corpo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e faz pós-graduação em comunicação e semiótica na mesma universidade. Em 2002, dirige o evento Constelação (Sesc Vila Mariana), série de performances transmitidas pela internet. Sua última produção, Hiperpsique (Sesc Pompeia, 2003), traz à cena elementos dramáticos retirados de chats e textos da internet. Nesse ano, rebatiza o nome do seu grupo como Mídia KA.

Paralelamente, Cohen desenvolve trabalho junto ao Hospital-Dia A Casa, centro de pesquisa e terapia de psicóticos. Juntamente com Peter-Pál Pelbart (1956) e Sergio Medeiros, trabalha com pacientes e dirige espetáculos singulares, como Ueinzz - Viagem à Babel (1997), que dará nome ao grupo até hoje atuante, Dedalus (1998) e Gothan SP (2001).

Análise

Cohen, ao publicar seu primeiro livro, Performance como Linguagem (1989), propõe a tese de que a performance é um dos fatores de desconstrução do teatro. Ele defende, para essa modalidade artística, o status de linguagem autônoma. Sugere ideias que provêm, simultaneamente, da literatura, da poesia, das artes visuais, do teatro, da dança e talvez até da música para compreender a nova expressão artística que se revitaliza nos anos 1980. Com sua pioneira investigação, lança termos como persona, mise-en-scène, work in progress - tomada de James Joyce (1882-1941) na época da escritura de seu romance Finnegans Wake (1939) - performance e “performatividade”, palavras frequentemente usadas no teatro, na dança e nas artes. Work in Progress na Cena Contemporânea (1989), seu segundo livro, aprofunda esses estudos.

Interessado na contracultura americana, Cohen depara-se com o new wave, que compreende o punk e as iniciativas de do it yourself (faça você mesmo), que fez surgir híbridos de músicos e artistas visuais. Com essa base, cria performances como Moura Bruma e Dr. Jericko (1983) e Tarô-Rota-Ator (1984), que algumas vezes ocorrem em casas noturnas, como o Madame Satã. Trabalhando como um dos programadores do Sesc Pompeia, realiza eventos dedicados à performance, como as 14 Noites.

Em seu trabalho Magritte – Espelho Vivo, o público é conduzido por espaços que reproduzem quadros do pintor belga, utilizando parte das salas reservadas às bienais, no Parque Ibirapuera. Já Sturm und Drang – Tempestade e Ímpeto acontece nos jardins e na piscina vazia da Casa Modernista, que estava praticamente abandonada. Cohen funda o grupo Orlando Furioso e, com ele, realiza Vitória sobre o Sol, que trata de um de seus temas prediletos: a morte. Alguns elementos dessa encenação são reaproveitados na instalação multimídia Máquina Futurista (1997), que dirige com o grupo de artistas e teóricos formado de Lali Krotoszynski (1961), Teresa Labarrère (1961), Lucio Agra (1960) e Arnaldo de Melo (1960). Performance, instalação, workshops e a participação no evento telemático Global Bodies,  produzido pelo Zentrum für Kunst und Medien (ZKM), na Alemanha, compõem o trabalho, marcando o início de seu interesse pelo uso de tecnologias de transmissão, às quais adicionará a pesquisa de rituais ancestrais e xamanismo.

O mergulho nesse universo resulta em KA, complexa prosa poética, em que Cohen experimenta a fusão entre poesia e cena, recorrendo a textos de vários poetas, notadamente Khlébnikov e Maiakóvski (1893-1930). Além do poeta futurista Khlébnikov (1885-1922), seus autores preferidos são Joseph Beuys (1921-1986) e Bob Wilson (1941). Ka também apresenta um aspecto importante de seu trabalho, a conexão entre pedagogia e performance.

Considerando a importância da pesquisa de Richard Schechner (1934) no programa de Performance Studies, da Universidade de Nova York, Cohen o visita em 2002. Já antes atua junto aos pacientes do Hospital-dia A Casa, esforço de antipsiquiatria inspirado em outras iniciativas. Esse trabalho tem sido considerado uma das mais radicais experiências no terreno que o próprio Cohen considera como “parateatral”. Um espetáculo da companhia Ueinzz (cujo nome deriva de seu primeiro experimento) constitui-se num surpreendente e perturbador desmonte do teatro como é visto tradicionalmente.

Convidado em 2001 a cuidar da área de performance na graduação em Comunicação das Artes do Corpo da PUC/SP, Cohen consolida um espaço de pesquisa a partir de práticas ligadas à inovação. Seus últimos experimentos, Constelação – 12 Horas de Performance (2002), realiza-se no Sesc Vila Mariana e Hyperpsique (2003) marca o retorno ao Sesc Pompeia. Nesse último, arrisca-se no humor, arregimentando fragmentos de uma dramaturgia esfacelada coletada na internet. Imagens fragmentadas, música pop, DJs e VJs constroem um novo discurso, hoje conhecido como teatro performático. Não é difícil concluir que Renato Cohen produziu régua e compasso da arte ao vivo do início do século XXI no Brasil.

Exposições 3

Abrir módulo

Eventos relacionados 12

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 14

Abrir módulo
  • AGRA, Lucio. Renato Cohen, memória afetiva 1.0. Concinnitas - Revista do Instituto de Artes da Uerj. Rio de Janeiro, Uerj, Faperj, 7 Letras, ano 5, n. 6, jul. 2004.
  • AGRA, Lucio; DONASCI, Otávio. (R)entrer dans le vif de l’art / (Re)Viewing live art. In: ROLNIK, Suely (ed. e org.). Parachute, n. 116, São Paulo, Québec, ed. Parachute, out.-nov.-dez. 2004.
  • ALBUQUERQUE, Johana. Renato Cohen (ficha curricular) In: ___________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • ARTE e Tecnologia. Vários. Catálogo do Instituto Cultural Itaú, São Paulo, 1997.
  • ARTE e Tecnologia. apresentação Ricardo Ribenboim; texto Vitória Daniela Bousso; curadoria Vitória Daniela Bousso. São Paulo, SP: Instituto Cultural Itaú, 1997. 120 p.
  • CARVALHAES, Ana Goldenstein. Persona performática: alteridade e experiência na obra de Renato Cohen. São Paulo: Perspectiva, 2012.
  • COHEN, Renato. Curriculum e sites correlatos enviados pelo diretor para a pesquisadora Johana Albuquerque. São Paulo, nov. 1999.
  • COHEN, Renato. Performance como linguagem. São Paulo: Perspectiva, 1989.
  • COHEN, Renato. Work in progress na cena contemporânea. São Paulo: Perspectiva, 1989.
  • LIMA, Mariangela Alves de. O teatro paulista. Sete Palcos, Coimbra, Portugal, n. 3, set. 1998.
  • LIMA, Mariângela Alves de. Dedalus constrói ponte sobre a solidão. São Paulo, O Estado de São Paulo, Caderno 2, 22 de setembro de 2000.
  • PUC/SP. Site de pós-graduação. Disponível em: < http://www4.pucsp.br/cos/budetlie/ >. Acesso em: 19 ago. 2014.
  • ROLLA, Marco P.; HILL, Marcos. MIP – Manifestação Internacional de Performance. Belo Horizonte: Centro de Informação e Experimentação de Arte (Ceia), 2005.
  • SESC. Site Constelação. Disponível em: < http://www.sescsp.org.br/sesc/hotsites/constelacao/ >. Acesso em: 19 ago. 2014.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: