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Alceu Valença

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 27.12.2019
01.07.1946 Brasil / Pernambuco / São Bento do Una
Registro fotográfico Antônio Melcop

Alceu Valença, s.d.

Alceu de Paiva Valença (São Bento do Una, Pernambuco, 1946). Cantor e compositor. O artista promove fusões originais do rock com ritmos nordestinos tradicionais, como baião, coco, frevo e toada. Sua poesia também surpreende pela inventividade.

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Alceu de Paiva Valença (São Bento do Una, Pernambuco, 1946). Cantor e compositor. O artista promove fusões originais do rock com ritmos nordestinos tradicionais, como baião, coco, frevo e toada. Sua poesia também surpreende pela inventividade.

Aos dez anos, muda-se para Recife. A carreira profissional inicia-se em 1968, com o show Erosão: a Cor e o Som. Apresenta-se com uma banda underground, antecipando a mistura de influências de seus trabalhos posteriores, que combina música regional e pop. Participa também do 5º Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, para onde se muda um ano depois.

Aproxima-se do também pernambucano Geraldo Azevedo (1945), com quem grava o disco Alceu Valença e Geraldo Azevedo (1972). O trabalho reúne canções dos dois compositores e parcerias criadas especialmente para o repertório do disco. Esse álbum de estreia para ambos abre caminho para outros artistas nordestinos que se firmam ao longo dos anos 1970, como os cearenses Fagner (1949) e Belchior (1946 - 2017) e o paraibano Zé Ramalho (1949).

Em “Me Dá um Beijo”, primeira música do álbum, a guitarra elétrica distorcida anuncia a presença de elementos do rock. Os arranjos são assinados pelo maestro Rogério Duprat (1932-2006), conhecido pelo trabalho em alguns dos principais discos da Tropicália. O arranjo de cordas de “Virgem Virgínia” reverbera um pouco da psicodelia que caracteriza os discos desse movimento, como o primeiro álbum da banda Os Mutantes [Os Mutantes (1968)] e o segundo de Gal Costa (1945) [Gal Costa (1969)].

A convite do diretor Sérgio Ricardo (1932), volta a Pernambuco para protagonizar e interpretar as canções do filme A Noite do Espantalho (1974). Seu primeiro disco solo, Molhado de Suor (1974), chama a atenção da crítica. Em 1975, o artista ganha projeção no Festival Abertura da TV Globo, com a canção “Vou Danado pra Catende”. O show homônimo se transforma no primeiro disco ao vivo de Alceu e é lançado no ano seguinte com o título Vivo! Nessa época, inicia amizade com Jackson do Pandeiro (1919-1982), com quem realiza shows pelo Brasil. Em 1977, lança o elogiado álbum Espelho Cristalino. Esses três álbuns formam uma trilogia e conectam Alceu ao público jovem, marcando o compromisso do artista de divulgar a cultura nordestina com a influência do rock estrangeiro.

Sua obra ganha expressão nacional em 1980, com Coração Bobo, cuja faixa-título se transforma em sucesso. A canção “Gato da Noite” registra batidas do maracatu com arranjo de instrumentos guitarra e piano, retirando o ritmo de seu contexto tradicional e apontando para o estilo explorado nos anos 1990 pelo movimento manguebeat.

O álbum Cavalo de Pau (1982) traz outros grandes sucessos. “Tropicana” e “Como Dois Animais”, parceria com Vicente Barreto, se transformam em duas das músicas mais consagradas do repertório de Alceu Valença. Surpreendem pela aproximação dos elementos do xote com a batida do reggae jamaicano (sobretudo pelas características da linha de baixo, em destaque no arranjo, e a marcação minimalista da guitarra no contratempo das canções).
“Tropicana” é também um bom exemplo de como Alceu trabalha suas letras com um estilo próprio. A associação da beleza da mulher brasileira com frutas tropicais rende versos inspirados como: “pele macia / ai! carne de caju / saliva doce / doce mel / mel de uruçu”.

Em 1983, lança Anjo Avesso, cujo grande sucesso é “Anunciação”. Nessa canção, a marca de Alceu se manifesta nos versos sobre o amor que está por vir acompanhados por batidas de percussão que remetem ao ritmo nordestino e pela guitarra elétrica que antecipa a melodia cantada por Alceu.

Os anos 1990 são marcados pelos álbuns Andar Andar (1990), cuja faixa-título faz uma incursão pelo blues, e Grande Encontro, registro da série de shows realizados em 1996 ao lado de Elba Ramalho (1951), Geraldo Azevedo e Zé Ramalho. Em 1998, lança Forró de Todos os Tempos, que revisita clássicos do gênero, como “O Xote das Meninas” de Luiz Gonzaga (1912-1989) e Zé Dantas (1921-1962)

No disco ao vivo Valencianas (2016), o compositor tem sua primeira experiência com a música de concerto, acompanhado da Orquestra Ouro Preto, com regência do maestro Rodolfo Toffolo. O compromisso com a permanente reinvenção é a marca de seu trabalho.

Influenciado pelas experiências na infância como espectador dos circos mambembes que visitam sua cidade, cria uma narrativa que combina humor e fantasia com reflexões sobre política e relações humanas. Em suas apresentações ao vivo, encarna um personagem ora menestrel ora bobo da corte. O jeito de cantar também faz parte de suas experiências: embora não tenha grande extensão vocal, alterna o timbre médio e a impostação da voz com facilidade para transmitir as mais diferentes sensações ao público. 

A inventividade da obra de Alceu Valença é atestada nos primeiros anos de trajetória do artista, com obras lançadas nos anos 1970 que estabelecem uma ponte imaginária entre a tropicália dos anos 1960 e o manguebeat dos anos 1990. Seu trabalho é fundamental para chamar atenção do público para os ritmos nordestinos em fusões originais: com a psicodelia roqueira nos anos 1970 e com o reggae em alguns dos seus principais sucessos da década de 1980.

 

Obras 1

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Fontes de pesquisa 10

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  • ALCEU VALENÇA. Site oficial do artista. Disponível em: www.alceuvalenca.com.br. Acesso em: 9 out. 2019.
  • AO VIVO em todos os sentidos. Direção de Karla Sabah. Rio de Janeiro: Indie Records, 2003. DVD.
  • BAHIANA, Ana Maria. O taumaturgo crazy do Nordeste. Jornal de Música, n. 10, p. 6, set. 1975.
  • CÂMARA, Renato Phaelante da. MPB – compositores pernambucanos: coletânea bio-músico-fonográfica, 1920-1995. Recife: Editora Massangana, 1997.
  • EIROA, Camila. Alceu Valença exige respeito. Revista Trip, São Paulo, 23 jun. 2016. Disponível em: https://revistatrip.uol.com.br/trip-tv/alceu-valenca-fala-sobre-seu-filme-luneta-do-tempo-cangaco-e-cultura-brasileira. Acesso em: 09 out. 2019
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998. p. 801.
  • MACIEL, Anamelia. Alceu Valença em frente e verso. Recife: Edição do Autor, 1989.
  • SANCHEZ, Pedro Alexandre. Alceu Valença está vivo. Carta Capital, São Paulo, 6 ago. 2013. Disponível em: https://farofafa.cartacapital.com.br/2013/08/06/alceu-valenca-esta-vivo/. Acesso em: 09 out. 2019
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (vol. 2: 1958-1985). São Paulo: Editora 34, 1998. (Coleção Ouvido Musical).
  • VALENÇA, Alceu. Entrevista concedida pelo cantor e compositor ao jornalista Leandro Souto Maior. Rio de Janeiro, 27 ago. 2009.

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