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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Mag Magrela

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.09.2019
21.05.1985 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Festival Concreto

Processo de elaboração da obra Fortaleza Cansada, 2018

Carolyna Barbara Maciel (São Paulo, São Paulo, 1985). Desenhista, grafiteira, pintora, escultora e cantora. Destaca-se por seu trabalho com o graffiti, caracterizado por figuras femininas que expressam melancolia e morbidez. As imagens, inicialmente produzidas em São Paulo, têm como suportes muros e paredes de cidades brasileiras e estrangeiras,...

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Carolyna Barbara Maciel (São Paulo, São Paulo, 1985). Desenhista, grafiteira, pintora, escultora e cantora. Destaca-se por seu trabalho com o graffiti, caracterizado por figuras femininas que expressam melancolia e morbidez. As imagens, inicialmente produzidas em São Paulo, têm como suportes muros e paredes de cidades brasileiras e estrangeiras, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Lisboa e Nova York.

Magrela começa a estudar administração de empresas, mas desiste do curso em 2007, depois de participar de uma oficina de graffiti do artista Rui Amaral, quando a arte reaparece como possibilidade para artista, que desde criança tem contato com pinturas feitas por seu pai.

Cria, em seus murais, figuras femininas com o tronco ou a cabeça curvados, o corpo encolhido e olhos expressivos. Neles, Magrela transmite a sensação de desconforto de viver em uma cidade grande e opressora, especialmente para mulheres, espelho de sua relação com a capital paulistana.

O feminino também é plural em seus trabalhos. A artista explora diferentes tipos de corpos, cores e expressões. Na obra a cura (2012), uma figura feminina tem a cabeça cercada de vulvas, sugerindo uma percepção da potência feminina, em posição de repouso e tranquilidade. Trata-se de um contraponto a outras obras nas quais a figura central está curvada, demonstrando medo ou defesa.

Além dos muros, Magrela utiliza outros suportes e técnicas, como a pintura em tela com tinta acrílica e a colagem. Segundo a própria artista, a tela é o suporte com o qual realiza um trabalho mais íntimo e demorado, enquanto o graffiti e a pintura na rua são mais ágeis.

A experimentação de materiais e técnicas, aparece  na obra Lodo (2015), em que uma figura feminina pintada é cercada de fragmentos de azulejos. Estes, destacam-se com cores fortes e causam uma sensação de desconforto em relação à imagem que se encontra curvada e encolhida em um pequeno espaço sem cerâmica.

Na obra Me banho tanto nas águas salgadas dos olhos dela (2015), uma figura feminina de olhos tristes tem no peito um coração desenhado em uma padronagem de azulejos portugueses. A criação da artista é inspirada na conexão do feminino com  a ancestralidade, a partir de  uma viagem a Portugal, em que estabelece conexões com as origens de sua mãe.

Os desenhos de Magrela são orgânicos e se conectam com o suporte e com a natureza, funcionando como intervenções no espaço público. É o caso da obra esse laço eu desfaço desde que me entendo por gente (2016), na qual a configuração do suporte – a parede de uma residência com uma janela central – não atrapalha a execução da obra, mas faz parte dela.

Na obra Na terra de Zé de Dôca feiz-se Maria Bonita (2013), a representação de Maria Bonita  personaliza a força feminina em meio a uma sociedade machista. Trazendo em seu pescoço a figura do cangaceiro, possivelmente Lampião, em tamanho reduzido em relação ao restante da imagem, Magrela evidencia que, mesmo em um ambiente dominado pelo homem, a figura feminina se impõe como resistência. A obra também pode ser vista como alusão à trajetória da artista, que atua em um meio tradicionalmente associado aos homens.

A música também é uma forma de expressão de Magrela, uma das vocalistas do grupo Pitaias. A banda, além de formada por mulheres com diferentes trajetórias, canta composições que exaltam a resistência feminina, como em “Minha versão”, que traz os versos “Na verdade a mulher não é de ninguém” / ”Onde ela quiser ir e ficar também”.

Magrela resgata e reforça a pluralidade da  figura feminina. A cidade é seu principal suporte e inspiração, e seu trabalho surge em muros, telas e colagens como resistência à opressão social que o espaço urbano exerce.

Obras 12

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Reprodução fotográfica da artista

a cura

Técnica mista sobre tela
São Paulo, SP<br> Reprodução fotográfica da artista
Museu Aberto de Arte Urbana - Avenida Cruzeiro do Sul<br> Reprodução fotográfica da artista
Reprodução fotográfica da artista

Batalha

Técnica mista sobre tela

Exposições 7

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Mídias (1)

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Mag Magrela - Série Encontra - Arte 1 (2019)
A grafiteira Carolyna Barbara Maciel, conhecida como Mag Magrela, recebe Gisele Kato em sua casa/ ateliê, apresentando reflexões sobre seu trabalho nos muros, sua produção musical e poética. As personagens femininas, que aparecem em sua obra, são explicadas como representações do cotidiano, das pessoas que circulam na cidade e, também, como processo de autopercepção dos próprios sentimentos e dores.

A Enciclopédia Itaú Cultural apresenta a série Encontra, produzida pelo canal Arte 1. Em um bate-papo com Gisele Kato, o público é convidado a entrar nas casas e ateliês dos artistas, conhecendo um pouco mais sobre os bastidores de sua produção.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Arte 1
Direção: Gisele Kato/ Ricardo Sêco
Produção: Yuri Teixeira
Edição: Tauana Carlier

Fontes de pesquisa 10

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