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Teatro

Amir Haddad

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.08.2021
02.07.1937 Brasil / Minas Gerais / Guaxupé
Registro fotográfico autoria desconhecida

Amir Haddad em cena de SOMMA, 1974
Amir Haddad
Acervo Cedoc/FUNARTE

Amir Haddad (Guaxupé, MG, 1937). Diretor e ator. Dirige grupos alternativos na década de 1970 fundamentando uma linha de trabalho significativamente pesquisada por essa geração: disposição não convencional da cena; desconstrução da dramaturgia; utilização aberta dos espaços cênicos; e interação entre atores e espectadores. Essa linha de pesquisa...

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Biografia
Amir Haddad (Guaxupé, MG, 1937). Diretor e ator. Dirige grupos alternativos na década de 1970 fundamentando uma linha de trabalho significativamente pesquisada por essa geração: disposição não convencional da cena; desconstrução da dramaturgia; utilização aberta dos espaços cênicos; e interação entre atores e espectadores. Essa linha de pesquisa se sedimentará no seu trabalho como diretor a partir da fundação do Tá na Rua, em 1980, grupo que encabeça até hoje.

Sai de Rancharia, interior de São Paulo, em 1954, para estudar na capital. Em 1957, interrompe a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, onde tem como colegas José Celso Martinez Corrêa (1937) e Renato Borghi (1937), que o convidam para dirigir Cândida, de Bernard Shaw (1856-1950). Participa da criação do Teatro Oficina, trabalhando em A Ponte, de Carlos Queiroz Telles (1936-1993), e Vento Forte para Papagaio Subir, de José Celso Martinez Corrêa, ambas em 1958. Em 1959, ainda com o Oficina, participa, entre outras, de A Incubadeira, de José Celso Martinez Corrêa, que lhe vale seu primeiro prêmio de melhor direção.

Desligando-se do Teatro Oficina, segue em 1961 para Belém, no Pará, realizando uma série de trabalhos para a Escola de Teatro de Belém. Em 1965, o Teatro Universitário Carioca o convida para dirigir O Coronel de Macambira, de Joaquim Cardozo (1897-1978), e Amir acaba por permanecer no Rio de Janeiro. Lá é um dos fundadores do grupo A Comunidade, instalado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), que se projeta em 1969 com o espetáculo A Construção, de Altimar Pimentel (1936-2008), atribuindo a Amir o Prêmio Molière de melhor direção. Em 1970, realiza mais dois espetáculos com o grupo: Agamêmnon, de Ésquilo (525 a.C.-456 d.C.), e Depois do Corpo, de Almir Amorim. No mesmo ano, ganha o segundo Molière, com O Marido Vai à Caça, de Georges Feydeau (1862-1921). Em 1972, no Rio de Janeiro, segundo o crítico Yan Michalski (1932-1990), "apenas um espetáculo de grandes méritos e força de personalidade salva a honra da temporada: Tango, fascinante fábula moral e política do polonês Slawomir Mrozec, que Amir Haddad dirigiu com alegre soltura, num tom que oscilava entre farsa rasgada e ópera bufa, mas sempre com um fogo de artifício de idéias diretoriais..."1 Tango é uma produção da atriz Tereza Raquel (1939), em que Amir ganha o prêmio Governador do Estado de melhor diretor. Com o Grupo de Niterói, faz SOMMA, no Teatro João Caetano, 1974, espetáculo que continua as experimentações do A Comunidade, chamando a atenção por colocar a plateia no palco, adotando a improvisação como um dos motores fundamentais da cena. Em 1980, funda o Tá na Rua, fazendo apresentações de rua baseadas em cenas de criação coletiva. Em 1984 estreia com o grupo o espetáculo Morrer pela Pátria, de Carlos Cavaco (1878-1961), encenado por mais de três anos, contribuindo para a pesquisa de demolição da linguagem do teatro convencional do conjunto, que desemboca no seu trabalho de teatro de rua.

Realiza, também, trabalhos no teatro comercial, que lhe valem o Prêmio Shell por Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) e Ferreira Gullar (1930) em 1989; e o Prêmio Sharp, por O Mercador de Veneza, de William Shakespeare (1564-1626), em 1996. Dirige, ainda de Shakespeare, Noite de Reis, em 1997; e O Avarento, de Moliére (1622-1673), em 2000.

Como professor trabalha de 1961 a 1964 na Escola de Teatro do Pará, em Belém, e a partir daí a atividade docente é permanentemente exercida. De 1966 a 1973 dá aulas no Rio de Janeiro na Escola de Teatro da Federação das Escolas Federais Isoladas no Estado do Rio de Janeiro, atual Universidade do Rio de Janeiro, e entre 1965 e 1978 na Escola de Teatro Martins Pena. Trabalha na Formação do Núcleo de Teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, de 1992 a 1995, além de aplicar cursos em muitos eventos de artes cênicas no país e no exterior, sendo, inclusive, pedagogo convidado da Escola Internacional de Teatro Latino-Americano e Caribe, em Havana.

A partir da década de 1990, Amir aprofunda suas pesquisas de teatro de rua, fazendo diversas encenações de Cortejos e Autos pelo país, movimentando milhares de pessoas nessas encenações, tendo quase sempre presente alguns dos integrantes do Tá na Rua.

A capacidade de transitar com a mesma desenvoltura entre produções convencionais e megaespetáculos populares faz de Amir um diretor singular no cenário do teatro brasileiro contemporâneo.

Notas
1 MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão: uma frente de resistência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985, p. 53.

Obras 1

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Espetáculos 97

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Palestras 1

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Fontes de pesquisa 18

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  • A INCUBADEIRA. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1959]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro de Arena.
  • A PONTE. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1958]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Novos Comediantes.
  • ALBUQUERQUE, Johana. Amir Haddad. In:______. Enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo. São Paulo, 2000. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação Vitae.
  • AMIR Haddad. Cedoc / Funarte. Dossiê Personalidade Artes Cênicas.
  • AMIR Haddad. Documentos sobre o acervo do grupo Tá Na Rua.
  • AS MOSCAS. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1959]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro de Alumínio.
  • DEPOIMENTOS VI. Rio de Janeiro: SNT, 1982. (Coleção Depoimentos, 6).
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculos: O Mercador de Veneza - 1996; Noite de Reis - 1997; Mão na Luva - 2001; Um Boêmio no Céu - 2007; Bodas de Sangue - 2009. Não catalogado
  • FRASER, Etty. Etty Fraser. São Paulo: [s.n.], s.d. Entrevista concedida a Rosy Farias, pesquisadora da Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. Não Catalogado
  • HADDAD, Amir. Currículo enviado pelo diretor. 2007.
  • HADDAD, Amir. Da Incubadeira até Morrer pela Pátria ou Amir Haddad, quem diria, acabou em Niterói... Ensaio, Rio de Janeiro, ano 1, n. 0, jan. 1979. Entrevista concedida a Antônio Cadenge e Fátima Saadi.
  • HADDAD, Amir. O lugar importante da felicidade. Papo Teatral, Rio de Janeiro, nov. 1992. Entrevista concedida a Miguel Oniga.
  • MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão: uma frente de resistência. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
  • O DETONADOR de escolas: Amir Haddad. Entrevista. Disponível em: http://www.toduro.com.br. Acesso em: 1 ago. 2000.
  • Pepa & Dola, com Extremos em Curta Temporada. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, julho de 1985. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Extremos - 1985. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Tango - 1972. Não catalogado
  • VENTO FORTE para um Papagaio Subir. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1958]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Novos Comediantes.

Como citar

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