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Enciclopédia Itaú Cultural

Maya Da-Rin

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 07.12.2022
02.01.1979 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Maya Da-Rin (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1979). Cineasta, artista visual. Em seus trabalhos, entre instalações, longas e curtas-metragens, documentais e de ficção, o trânsito e fronteiras entre localidades e seus significados físicos e simbólicos é uma condição inerente.

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Maya Da-Rin (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1979). Cineasta, artista visual. Em seus trabalhos, entre instalações, longas e curtas-metragens, documentais e de ficção, o trânsito e fronteiras entre localidades e seus significados físicos e simbólicos é uma condição inerente.

Inicia sua carreira no audiovisual aos 17 anos, como estagiária no departamento de arte de uma emissora de televisão. Trabalha como assistente de direção e começa a criar seus primeiros filmes, onde mescla diferentes mídias, como fotografia e vídeo analógico e digital. Em seus primeiros experimentos, o som tem papel importante, como no média-metragem documental E agora, José? (2002), que aborda a oralidade a partir de dois homens residentes na zona rural da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais.

Seu interesse nas fronteiras, tanto simbólicas quanto geográficas, alimenta os dois primeiros documentários que produz, que surgem a partir da sua investigação nas fronteiras do Brasil com outros países da América do Sul. A fronteira surge como tema importante em seu trabalho dada a relação que possui com a história de colonização do país, principalmente no que tange à ocupação costeira e às relações diplomáticas com países do além-mar e seus efeitos na população local.

O primeiro trabalho que realiza a partir da ideia de fronteira é o curta-metragem Margem (2007). O filme registra a travessia de barco que parte do Brasil em direção à cidade peruana de Iquitos, através do rio Amazonas. O deslocamento dura dois dias e três noites e a câmera que compõe a maior parte das imagens do filme nunca desce do barco, mesmo nos momentos em que a embarcação atraca. A não ser pelo posicionamento da câmera, o filme não possui roteiro definido e é estruturado a partir dos relatos da população ribeirinha em conversas com a diretora e sua equipe. Os temas giram em torno da vida dos entrevistados e de sua relação com a região.

Da-Rin afirma que em seu processo de criação há uma grande relevância da pesquisa, feita geralmente em longas temporadas de viagem, em que estabelece uma relação direta com as pessoas que encontra, a geografia e a paisagem dos lugares de seus filmes. Sua inspiração parte dos encontros e trocas com essas pessoas, que operam como disparadores dos temas.

Desde a produção de Margem, em 2004, a diretora se aproxima da fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, em especial das cidades gêmeas de Letícia e Tabatinga e do vilarejo Santa Rosa, uma zona urbana em meio à floresta amazônica, cercada de disputas políticas, econômicas e sociais. Seguindo sua dinâmica de pesquisa, em 2005 reside por dois meses na cidade de Letícia, na Colômbia. Filmado em 2006, durante seis semanas, o documentário média-metragem Terras (2009) explora como a separação geográfica ditada pela fronteira interfere na vida dos habitantes das cidades, principalmente dos povos Ticuna, numerosos na região. De acordo com Maya, no filme, a fronteira territorial é um ponto de partida para abordar a relação entre as cidades e a floresta amazônica, entre as culturas indígenas e os modos de vida ocidentais, no encontro entre três países da América do Sul. A forma da filmagem converge para seu tema, já que as imagens exibidas são registros de momentos de passagem (deslocamentos em carros, barcos ou em caminhadas).

Em 2010, viaja para a França e, em 2012, ingressa no programa de residência na Le Fresnoy, onde realiza suas primeiras instalações, prosseguindo a pesquisa com relação aos deslocamentos físicos. Entre elas, destacam-se Horizonte de eventos (2012) e Camuflagem (2013), videoinstalações que possuem como estrutura filmagens operadas por programação via GPS.

Mais tarde, ingressa no mestrado na Universidade de Sorbonne, Paris III, e obtém, em 2016, o título de mestre em cinema e história da arte. Nesse período, pesquisa a presença de animais no cinema contemporâneo, tema relevante na produção do roteiro de A febre (2019), que começa a escrever ainda em Paris.

A febre parte também do processo de pesquisa iniciado em Margem, a respeito da migração de povos indígenas para centros urbanos. A amizade e conversa constante da diretora com alguns integrantes de determinados povos indígenas alimenta o desejo pela produção do filme. É seu primeiro longa-metragem de ficção e mostra a relação entre pai e filha de uma família Desana, que se muda para a periferia de Manaus. Justino, interpretado por Regis Myrupu (1980), trabalha como segurança no porto de cargas de Manaus e é acometido de uma intensa febre, não identificada pela medicina não indígena.

Toda a construção das cenas é realizada junto aos atores e equipe de direção, grande parte composta de pessoas de diferentes povos indígenas. A película constitui importante obra para redefinição de um estereótipo de povos indígenas construído até então, na representação no cinema e na atuação profissional nos processos de produção e desenvolvimento de filmes. 

A obra de Maya Da-Rin se constitui como parte fundamental para a formulação de um novo imaginário da região Amazônica e de sua população. Os temas-chave que aborda em suas produções, como as fronteiras e o deslocamento, servem de ponto de partida para refletir sobre questões historicamente decisivas da ocupação do território da América do Sul e seus efeitos diretos sobre as populações indígenas. As imagens, visuais e sonoras, que constroem seus trabalhos servem ao público como fonte singular da experiência estética dos espaços que a artista apresenta.

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