Artigo da seção pessoas Laerte

Laerte

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Teatro / artes visuais  
Data de nascimento deLaerte: 10-06-1951 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Sem Título , 1985 , Laerte

Laerte Coutinho (São Paulo, Brasil, 1951). Cartunista, ilustradora e roteirista. Ingressa no curso de jornalismo na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), em 1969. No ano seguinte, inicia a graduação em música na mesma instituição. Durante a universidade, cria, com o cartunista Luiz Gê (1951) a revista experimental Balão (1972).

Em 1973, Laerte vence o 1º Salão de Humor de Piracicaba com um cartum que marca o início de seu engajamento político. Filia-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), participa da campanha eleitoral do Movimento Democrático Brasileiro (MDB),1 em 1974, e cria a empresa de comunicação sindical Oboré, em parceria com o jornalista Sérgio Gomes. No final dos anos 1980, participa das revistas Chiclete com Banana, editada pelo cartunista Angeli (1956), e Geraldão, editada pelo cartunista Glauco (1957-2010); e cria com Luiz Gê a revista Circo. Colabora com importantes periódicos como O PasquimRevista Ovelha Negra, PlacarGazeta MercantilCorreio Braziliense, Zero Hora e Tribuna de Vitória.

Em 1988, Laerte recebe prêmio como Melhor Roteirista Nacional no1º HQ Mix - premiação que busca valorizar a produção de histórias em quadrinhos, cartuns e charges no Brasil -  e é uma das cartunistas mais premiadas nas artes gráficas brasileiras. Na década de 1990, atua como roteirista na Rede Globo, em programas como TV PirataSai de Baixo e no roteiro para o longa-metragem Super-Colosso, produzido pela mesma emissora. Em 1991, colabora semanalmente para a Folha de S.Paulo com as tirinhas Los 3 Amigos. Em 1993, cria o personagem Hugo Baracchini, seu alter ego, como integrante dos Piratas do Tietê que, três anos mais tarde, estreia individualmente no caderno de Informática da Folha de S.Paulo.  

Em 2004, inicia um processo de reflexão sobre sua identidade de gênero, que transforma profundamente sua produção, tornando-a mais engajada em questões de direitos humanos, gênero e sexualidade. Em 2009, assume sua transgeneridade  e vincula-se a movimentos dedicados ao debate sobre o tema. Em 2012, junto com a advogada Márcia Rocha, a atriz Maitê Schneider e a psicanalista Letícia Lanz, funda a Associação Brasileira de Transgêneros (Abrat).

Análise

Laerte é uma das mais importantes cartunistas do Brasil. Criadora de personagens emblemáticos como os Piratas do Tietê, Hugo Baracchini, Deus e Overman, Laerte consegue, com um humor ao mesmo tempo refinado e mordaz, explorar temas relevantes da existência humana. Junto de outros artistas de sua geração, como Angeli e Gauco, inaugura um novo estilo na produção de quadrinhos, tornando-se marco para o cartunismo brasileiro.

Seus trabalhos, das décadas de 1970 e 1980, revelam as preocupações e ideologias da militante política (à época vinculada ao PCB). Destaca-se deste período o livro Ilustração Sindical, publicado pela Oboré, em 1986, com ilustrações, quadrinhos e caricaturas, todos com direitos liberados para a utilização dos sindicatos.

Ainda na década de 1980, torna-se famosa pela parceria com Angeli e Glauco, com quem desenvolve a série de faroeste Los Tres Amigos, cujos personagens são alteregos dos três cartunistas: LaertonAngel Villa e Glauquito. Suas tiras cômicas, publicadas em jornais, se destacam, entre outros motivos, pelo uso de recursos como o hiato, em que Laerte utiliza o espaço em branco não apenas para separar uma vinheta da outra, mas também para introduzir um comentário do narrador.2

Já na série Piratas do Tietê, um grupo de piratas navega pelo rio Tietê, em São Paulo, criando confusões e promovendo saques. Com uma participação especial de Fernando Pessoa logo na primeira tirinha, Laerte sugere sutilmente  o cenário da cidade através de pequenos detalhes como o aqueduto, a ponte da qual o poeta se atira e o cenário próprio da metrópole, em contraste com a estética dos piratas e de suas embarcações, em uma mistura insólita de realidade e fantasia. Por outro lado, a identificação geográfica desaparece com frequência, tornando a metrópole uma referência que ora aparece específica ora genérica.

Em 2004, ingressa em uma fase mais introspectiva de sua carreira e abandona alguns de seus personagens. Sua produção retoma e aprofunda o caráter experimental de seus primeiros quadrinhos - como na época do fanzine Balão - em um processo que resume a necessidade de criar tirinhas com histórias contínuas e se aproxima de discussões mais filosóficas. A partir de 2009, as questões da transgeneridade, muito presentes em sua vida, passam também a figurar em alguns de seus trabalhos, como o personagem Hugo que vivencia os mesmos questionamentos, transformações e se estabelece em uma nova série como Muriel, problematizando situações cotidianas das travestis. Nesta fase, a primazia do humor cede espaço à militância e atuação política, em que a expectativa pelo riso fica, em muitos momentos, em segundo plano.

Notas

1. Partido político fundado em 1966, que abriga opositores do Regime Militar instaurado no Brasil em 1964.
2. Para saber mais ou ver exemplos desse recurso no trabalho de Laerte, ver RAMOS, Paulo. A leitura dos quadrinhos. São Paulo: Contexto, 2009, p. 147.

 

Outras informações de Laerte:

  • Outros nomes
    • Laerte Coutinho
  • Habilidades
    • Cartunista
    • Ilustrador
    • Roteirista

Obras de Laerte: (11) obras disponíveis:

Título da obra: Capitão

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Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoCapitão : s.d.
Autores da obra:
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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

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Fontes de pesquisa (11)

  • ABUJAMRA, Antonio. Antonio Abujamra entrevista o cartunista Laerte Coutinho. TV Cultura, Provocações, Programa 505, 01/03/2011. Disponível em: http://tvcultura.cmais.com.br/programa-505. Acesso em 19/11/2011.
  • COUTINHO, Laerte. Laerte Coutinho. São Paulo: [s.n], 2011. Entrevista concedida para a redação deste verbete.
  • COUTINHO, Laerte. Laertevisão. São Paulo: Conrad, 2007.
  • COUTINHO, Laerte. Muchacha. São Paulo: Quadrinhos da Cia, 2010.
  • COUTINHO, Laerte. Piratas do Tietê – A saga completa v. 1. São Paulo: Jacarandá/ Devir, 2007.
  • COUTINHO, Laerte. Piratas do Tietê – A saga completa v. 2. São Paulo: Jacarandá/ Devir, 2007.
  • COUTINHO, Laerte. Piratas do Tietê – A saga completa v. 3. São Paulo: Jacarandá/ Devir, 2008.
  • LIMA, Elaine Aparecida Barreto Gomes de. Piratas no Tiête: cenários e fundos de cena das HQS. 2006. Dissertação de mestrado - Faculdade de Educação da Unicamp, Campinas, 2006.
  • MOYA, Álvaro de & CIRNE, Moacy (org.). Literatura em quadrinhos no Brasil – acervo da biblioteca nacional. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.
  • PIRACICABA: 30 anos de humor. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado : Instituto do Memorial de Artes Gráficas do Brasil, 2004.
  • RAMOS, Paulo. A leitura dos quadrinhos. São Paulo: Contexto, 2009.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LAERTE . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa24989/laerte>. Acesso em: 16 de Set. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7