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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Lia Chaia

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.01.2021
07.08.1978 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica Amilcar Packer

Noturno, 2003
Lia Chaia
Ampliação fotográfica
120,00 cm x 80,00 cm
Coleção da Artista/ Cortesia Galeria Vermelho (São Paulo, SP)

Lia Chaia (São Paulo, São Paulo, 1978). Artista visual. Seu processo criativo tem uma intensa variedade de objetos, entre eles, a cidade, a natureza, a cultura e suas inter-relações. Desenvolve em suas obras combinações e atravessamentos de modalidades artísticas e de investigações temáticas, tendo como centralidade o corpo em sua esfera íntima ...

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Lia Chaia (São Paulo, São Paulo, 1978). Artista visual. Seu processo criativo tem uma intensa variedade de objetos, entre eles, a cidade, a natureza, a cultura e suas inter-relações. Desenvolve em suas obras combinações e atravessamentos de modalidades artísticas e de investigações temáticas, tendo como centralidade o corpo em sua esfera íntima e em encontro com intervenções em espaços públicos.

Filha de professores universitários e colecionadores de arte, sua formação artística se inicia muito cedo, no convívio com diversas obras espalhadas pelo chão e pelas paredes de sua casa e enquanto assídua frequentadora de exposições. Sua relação íntima com a arte prevalece ao longo dos anos. Lia ingressa no curso de comunicação e artes do corpo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mas o interrompe depois de um ano. Em 2003, gradua-se em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).

Em 2001, ainda durante sua graduação, desenvolve Desenho-corpo, um de seus primeiros trabalhos apresentados ao público. Em um vídeo de 51 minutos, a artista desenha sobre o próprio corpo, em uma performance sem pausas, que só termina quando não há mais tinta na caneta esferográfica que utiliza em contato com a pele. Ao mesmo tempo que as linhas desenhadas discursam sobre a intimidade do corpo, os enquadramentos utilizados na obra abordam uma relação com a fragmentação dele. O corpo exposto diante de um aparato maquínico torna sua superfície, a pele, um suporte abstrato e maleável. O ventre, o coração, braços e pernas perdem e ganham volume e dimensão conforme a proximidade ou distância da câmera; e as linhas contínuas ou descontínuas desenhadas criam caminhos impressos sobre uma tela virtual. Trata-se de um desenho de escalas variáveis que reflete sobre si mesmo, o corpo que desenha é o mesmo corpo desenhado, em um constante diálogo entre gesto e sensação. A obra compõe a primeira exposição individual da artista, Experiências com o Corpo (2002), no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Em 2002, ainda desenvolvendo uma poética com o próprio corpo, mas expandindo para uma relação com a cidade, Lia Chaia produz a série Madrugada, composta de um conjunto de cinco fotografias em locais diferentes de São Paulo. Em cada imagem, a artista concebe uma personagem com traços de super-heroína, com base em um retrato de um corpo que exibe sua nudez. A cada composição são criadas fissuras nas representações mais tradicionais da cidade. Ao agregar elementos cotidianos e inusitados entre paisagem e corpo, Lia propõe outro olhar e outra vivência desse espaço.

Com uma produção intensa, a artista participa de uma série de exposições individuais e coletivas em institutos de arte como Galeria Vermelha, pela qual Lia Chaia passa a ser representada em 2002, Instituto Itaú Cultural e Centro Georges Pompidou, em Paris. Em 2003, torna-se artista residente na Cité des Arts [Cidade Internacional das Artes], em Paris; e em 2005, é contemplada com a bolsa Iberê Camargo. 

Seus trabalhos criam uma comunicação entre si ao longo de sua produção, como  entre o corpo humano e a cidade. A natureza surge incorporando um desenvolvimento das mesmas questões: quem somos e o que nos compõe, que mundo habitamos e o que criamos nele. Folíngua (2003) e Comendo Paisagens (2005) são obras que olham para o mundo vegetal e como este pode ser incorporado ou, até mesmo, engolido. No primeiro trabalho, por meio de um díptico fotográfico, a imagem de Lia é construída em um corpo híbrido humano, com a língua feita de folhas e uma paisagem de fundo que revela arbustos fora de foco. Reforça-se aqui mais que um desejo de constituir-se natureza, mas uma revelação dessa própria constituição. Já no segundo trabalho, a artista come fotografias de paisagem, pensando uma metáfora de intervenção e inserção da humanidade na paisagem que ela mesma altera. Lia continuamente coloca em questão a construção de seu corpo em relação à natureza e como este pode ser apropriado pela cultura.

Em 2013, inaugura sua primeira exposição individual em Porto Alegre, Contrapasso, na Galeria Ecarta. Um conjunto de três obras e um site specific trabalham a definição da palavra que dá nome à exibição: um passo em direção contrária refere-se à inversão e ao movimento dos pés. Na videoinstalação Piscina, Lia Chaia retira as linhas paralelas das raias e redesenha o espaço que orienta a natação, formando uma espécie de labirinto aquático. O corpo, aqui, não é o individual, e sim o corpo coletivo de um ambiente urbano. A vivência desse lugar é interferida com a proposta de outro ritmo.

Em seus gestos e processos artísticos, seja por meio da fotografia, do vídeo ou da performance, Lia Chaia opera com os paradoxos que acusam as fragilidades de um sistema. Assim, ela propõe novos corpos e formas de caminhar que rompem com a suposta harmonia entre cidade e natureza construída no cotidiano.

Obras 2

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Reprodução Fotográfica Eduardo Verderame

Lingueirão

Fotográfia
Reprodução fotográfica Amilcar Packer

Noturno

Ampliação fotográfica

Exposições 64

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Eventos relacionados 9

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Fontes de pesquisa 18

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  • AGRA, Lucio. Anônimo. Texto criado para a individual Anônimo de Lia Chaia. São Paulo: Galeria Vermelho, set. 2010. Disponível em: https://liachaia.com/ANONIMO-1. Acesso em: 23 maio 2020.
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  • ALVES, Cauê. O retrato como imagem do mundo. São Paulo: MAM, 2005.
  • ANUAL DE ARTE FAAP, 33., 2001, São Paulo, SP. 33ª Anual de Arte FAAP. São Paulo: Fundação Armando Alvares Penteado, 2001.
  • CHAIA, Lia. Experiências com o corpo. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 2002.
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  • CHAIMOVICH, Felipe. Jardim do Poder. Brasília: Centro Cultural Banco do Brasil, 2007.
  • CHIARELLI, Tadeu; CHAIMOVICH, Felipe; ALVES, Cauê. MAM na OCA: Arte brasileira do acervo do museu de arte moderna. São Paulo: Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2005.
  • CHIODETTO, Eder. Comendo Paisagens /Colunas. Texto criado para a exposição coletiva Geração 00 – A Nova Fotografia Brasileira. São Paulo: Sesc Belenzinho, 2011. Disponível em: https://liachaia.com/COMENDO-PAISAGENS-COLUNA. Acesso em: 23 maio 2020.
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