Artigo da seção pessoas Lia Chaia

Lia Chaia

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deLia Chaia: 07-08-1978 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
Imagem representativa do artigo

Noturno , 2003 , Lia Chaia
Reprodução fotográfica Amilcar Packer

Lia Chaia (São Paulo, São Paulo, 1978). Artista visual. Seu processo criativo tem uma intensa variedade de objetos, entre eles, a cidade, a natureza, a cultura e suas inter-relações. Desenvolve em suas obras combinações e atravessamentos de modalidades artísticas e de investigações temáticas, tendo como centralidade o corpo em sua esfera íntima e em encontro com intervenções em espaços públicos.

Filha de professores universitários e colecionadores de arte, sua formação artística se inicia muito cedo, no convívio com diversas obras espalhadas pelo chão e pelas paredes de sua casa e enquanto assídua frequentadora de exposições. Sua relação íntima com a arte prevalece ao longo dos anos. Lia ingressa no curso de comunicação e artes do corpo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mas o interrompe depois de um ano. Em 2003, gradua-se em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).

Em 2001, ainda durante sua graduação, desenvolve Desenho-corpo, um de seus primeiros trabalhos apresentados ao público. Em um vídeo de 51 minutos, a artista desenha sobre o próprio corpo, em uma performance sem pausas, que só termina quando não há mais tinta na caneta esferográfica que utiliza em contato com a pele. Ao mesmo tempo que as linhas desenhadas discursam sobre a intimidade do corpo, os enquadramentos utilizados na obra abordam uma relação com a fragmentação dele. O corpo exposto diante de um aparato maquínico torna sua superfície, a pele, um suporte abstrato e maleável. O ventre, o coração, braços e pernas perdem e ganham volume e dimensão conforme a proximidade ou distância da câmera; e as linhas contínuas ou descontínuas desenhadas criam caminhos impressos sobre uma tela virtual. Trata-se de um desenho de escalas variáveis que reflete sobre si mesmo, o corpo que desenha é o mesmo corpo desenhado, em um constante diálogo entre gesto e sensação. A obra compõe a primeira exposição individual da artista, Experiências com o Corpo (2002), no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Em 2002, ainda desenvolvendo uma poética com o próprio corpo, mas expandindo para uma relação com a cidade, Lia Chaia produz a série Madrugada, composta de um conjunto de cinco fotografias em locais diferentes de São Paulo. Em cada imagem, a artista concebe uma personagem com traços de super-heroína, com base em um retrato de um corpo que exibe sua nudez. A cada composição são criadas fissuras nas representações mais tradicionais da cidade. Ao agregar elementos cotidianos e inusitados entre paisagem e corpo, Lia propõe outro olhar e outra vivência desse espaço.

Com uma produção intensa, a artista participa de uma série de exposições individuais e coletivas em institutos de arte como Galeria Vermelha, pela qual Lia Chaia passa a ser representada em 2002, Instituto Itaú Cultural e Centro Georges Pompidou, em Paris. Em 2003, torna-se artista residente na Cité des Arts [Cidade Internacional das Artes], em Paris; e em 2005, é contemplada com a bolsa Iberê Camargo. 

Seus trabalhos criam uma comunicação entre si ao longo de sua produção, como  entre o corpo humano e a cidade. A natureza surge incorporando um desenvolvimento das mesmas questões: quem somos e o que nos compõe, que mundo habitamos e o que criamos nele. Folíngua (2003) e Comendo Paisagens (2005) são obras que olham para o mundo vegetal e como este pode ser incorporado ou, até mesmo, engolido. No primeiro trabalho, por meio de um díptico fotográfico, a imagem de Lia é construída em um corpo híbrido humano, com a língua feita de folhas e uma paisagem de fundo que revela arbustos fora de foco. Reforça-se aqui mais que um desejo de constituir-se natureza, mas uma revelação dessa própria constituição. Já no segundo trabalho, a artista come fotografias de paisagem, pensando uma metáfora de intervenção e inserção da humanidade na paisagem que ela mesma altera. Lia continuamente coloca em questão a construção de seu corpo em relação à natureza e como este pode ser apropriado pela cultura.

Em 2013, inaugura sua primeira exposição individual em Porto Alegre, Contrapasso, na Galeria Ecarta. Um conjunto de três obras e um site specific trabalham a definição da palavra que dá nome à exibição: um passo em direção contrária refere-se à inversão e ao movimento dos pés. Na videoinstalação Piscina, Lia Chaia retira as linhas paralelas das raias e redesenha o espaço que orienta a natação, formando uma espécie de labirinto aquático. O corpo, aqui, não é o individual, e sim o corpo coletivo de um ambiente urbano. A vivência desse lugar é interferida com a proposta de outro ritmo.

Em seus gestos e processos artísticos, seja por meio da fotografia, do vídeo ou da performance, Lia Chaia opera com os paradoxos que acusam as fragilidades de um sistema. Assim, ela propõe novos corpos e formas de caminhar que rompem com a suposta harmonia entre cidade e natureza construída no cotidiano.

Outras informações de Lia Chaia:

  • Outros nomes
    • Lia Michalany Chaia
  • Habilidades
    • Artista visual

Obras de Lia Chaia: (2) obras disponíveis:

Exposições (63)

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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioHeureka : 01-10-2002  |  Data de término | 25-10-2002
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Data de inícioImagética: 25-10-2003  |  Data de término | 18-01-2004
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Artigo sobre Vol.

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Temas do artigo: Artes visuais  
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Galeria Vermelho

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Fundação Bienal de São Paulo

Fontes de pesquisa (18)

  • AGRA, Lucio. Anônimo. Texto criado para a individual Anônimo de Lia Chaia. São Paulo: Galeria Vermelho, set. 2010. Disponível em: https://liachaia.com/ANONIMO-1. Acesso em: 23 maio 2020.
  • ALVES, Cauê. O retrato como imagem do mundo. São Paulo: MAM, 2005.
  • ALVES, Cauê. Ensaio sobre Lia Chaia. In: FF>> DOSSIER 005. São Paulo: Associação Cultural Videobrasil, 2004. Disponível em: https://videobrasil.org.br/ffdossier/ffdossier005/Ensaio%20sobre%20Lia%20Chaia.pdf. Acesso em: 23 maio 2020.
  • ANUAL DE ARTE FAAP, 33., 2001, São Paulo, SP. 33ª Anual de Arte FAAP. São Paulo: Fundação Armando Alvares Penteado, 2001.
  • CHAIA, Lia. Experiências com o corpo. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 2002.
  • CHAIA, Miguel. Contratempo – O social liricamente colocado. Texto para a individual Contratempo de Lia Chaia. São Paulo: Galeria Vermelho, jun. 2013. Disponível em: https://liachaia.com/CONTRATEMPO-1. Acesso em: 23 maio 2020.
  • CHAIMOVICH, Felipe. Jardim do Poder. Brasília: Centro Cultural Banco do Brasil, 2007.
  • CHIARELLI, Tadeu; CHAIMOVICH, Felipe; ALVES, Cauê. MAM na OCA: Arte brasileira do acervo do museu de arte moderna. São Paulo: Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2005.
  • CHIODETTO, Eder. Comendo Paisagens /Colunas. Texto criado para a exposição coletiva Geração 00 – A Nova Fotografia Brasileira. São Paulo: Sesc Belenzinho, 2011. Disponível em: https://liachaia.com/COMENDO-PAISAGENS-COLUNA. Acesso em: 23 maio 2020.
  • FARIAS, Agnaldo; TEJO, Cristina. Futuro do presente. São Paulo: Itaú Cultural, 2008.
  • FONSECA, Andrea Matos da. Corporeidade na arte atual brasileira: sensibilidades desveladas. 2012. 153f. Dissertação (Mestrado) – Programa Interunidades em Estética e História da Arte, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
  • LAGNADO, Lisette. A cidade e o jornal. In: 31 artistas + 1 metrópole. Folha de São Paulo, São Paulo, 17 jan. de 2004. Caderno Especial, p.4.
  • LEONE, Beth. O espírito e o tempo. In: Com que corpo eu vou? São Paulo: Unicid, 2002. 24 p. Catálogo de exposição, 16 ago. 2002-29 set. 2002, Unicid.
  • MACHADO, Arlindo. Made in Brasil. São Paulo: Iluminuras, 2007.
  • MACHADO, Arlindo. O corpo. Entre o público e o privado. São Paulo: Paço das Artes, 22 de mar a 18 abr de 2004, p. 5.
  • MELLO, Christine. Arte nas Extremidades. In: MACHADO, Arlindo (Org.). Made in Brasil: três décadas do vídeo brasileiro. São Paulo: Itaú Cultural, 2003.
  • MIRANDA, DUDA. Coleção Duda Miranda. Belo Horizonte: Rona, 2007.
  • RONNA, Giorgio. Contrapasso. Texto criado para a individual Contrapasso de Lia Chaia. Porto Alegre: Galeria Ecarta, 2013. Disponível em: https://liachaia.com/CONTRAPASSO-1. Acesso em: 23 maio 2020.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LIA Chaia. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa249297/lia-chaia>. Acesso em: 13 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7