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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Silvestre de Almeida Lopes

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.01.2021
1700 Brasil / Minas Gerais / Diamantina
1800 Brasil / Minas Gerais / Diamantina
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Adoração do Menino Jesus pelos Reis Magos, 1797
Silvestre de Almeida Lopes
Pintura sobre madeira

Silvestre de Almeida Lopes (17-- - ? 18--?). Pintor e dourador. Sabe-se pouco sobre sua vida. Ativo na região de Serro Frio, atual Serro, e Arraial do Tijuco, atual Diamantina, a primeira notícia que se tem dele é de 1764, no arquivo da Igreja de São Francisco de Assis de Diamantina, Minas Gerais, quando recebe da ordem 48 oitavas de ouro por al...

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Biografia
Silvestre de Almeida Lopes (17-- - ? 18--?). Pintor e dourador. Sabe-se pouco sobre sua vida. Ativo na região de Serro Frio, atual Serro, e Arraial do Tijuco, atual Diamantina, a primeira notícia que se tem dele é de 1764, no arquivo da Igreja de São Francisco de Assis de Diamantina, Minas Gerais, quando recebe da ordem 48 oitavas de ouro por algum serviço, possivelmente a pintura da tarja do forro da sacristia da igreja. Em 1780, ele aparece nos documentos da Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Diamantina como membro - e mesmo procurador - da irmandade dos Pardos de Nossa Senhora do Amparo, o que indica que é mulato. Nesta ocasião, é contratado para pintar e dourar o que for preciso para as festividades da igreja e recebe permissão para permanecer na casa do consistório durante o dia para exercer sua arte. Ainda no mesmo ano, em um termo que Silvestre de Almeida Lopes assina como procurador, a irmandade afirma a necessidade de pintar o forro da nave da igreja e aprova um risco de forro branco com tarja central, pequena tarja nos cantos e cimalha de pedra. Em 1790, Almeida Lopes é comissionado para pintar, em seis meses, o forro da nave da igreja e, em 1796, para pintar dois altares colaterais, um do Divino Espírito Santo e da Senhora do Parto e outro de Sant'Anna. Em Serro, Minas Gerais, a pintura do forro, de 1797, e a dos painéis laterais da capela da Igreja do Bom Jesus de Matosinhos são atribuídas a ele, mas não há documentação, pois os livros da irmandade foram perdidos em um incêndio.

Comentário Crítico
Considerada a obra prima de Silvestre de Almeida Lopes1, a pintura da capela da Igreja de Bom Jesus de Matosinhos do Serro consiste em um forro com muro-parapeito e tarja2, e painéis laterais. A tarja do forro tem moldura de formato complexo, com rocalhas e volutas em volta e quatro anjinhos em posições variadas. A decoração é toda em rosa, vermelho, azul e branco e a tarja está ligada ao muro-parapeito por arranjos de flores azuis, vermelhas e brancas. A cena representada é a da descoberta, por pescadores, da imagem do Nosso Senhor de Bouças, na praia de Matosinhos, em Portugal². No primeiro plano, a imagem de Nosso Senhor é amparada por pescadores. Atrás, o mar, florestas, um barquinho e, ao fundo, um castelo. O muro-parapeito é muito recortado e também é decorado com volutas, rocalhas, anjinhos e flores, nas mesmas cores. O forro é tido como um exemplo da pintura rococó em Minas Gerais, em razão das cores claras, dos anjos elegantes - e não gorduchos - coroados de flores e do efeito geral nada dramático, mas sim leve e festivo.
As pinturas dos painéis laterais da capela mostram os quatro evangelistas, uma cena de adoração dos reis magos e uma adoração dos pastores, a qual é imitação de um modelo tirado de um missal antigo, de 1744.³ As cenas seguem os padrões europeus da época pela movimentação e abundância da composição e pelas colunas, figuras e vestimentas. Distinguem-se de grande parte das pinturas de igreja da região por sua qualidade.

Notas
1OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. A pintura de perspectiva em Minas colonial: ciclo rococó. In: ÁVILA, Affonso (org.). Barroco: teoria e análise. São Paulo: Perspectiva; Belo Horizonte: Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineiração, 1997, p. 486; SANTOS FILHO, Olinto Rodrigues dos. Pintores mulatos do ciclo rococó mineiro. In: ARAÚJO, Emanoel (org.). A mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo: Museu Afro Brasil, 2010, p. 136.
2 Segundo o dicionário Houaiss, é o "ornato (pintura, desenho etc.) no entrono de um claro, guarnição, orla". In: HOUAISS, Antonio. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
3 Rodrigo de Melo Franco de Andrade identifica a cena com uma deposição do Cristo com fundo de marinha, ao contrário de outros autores. ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. A pintura colonial em Minas Gerais. In: CAVALCANTI, Lauro (org.). Modernistas na Repartição. Rio de Janeiro: Editora UFRJ: Minc - IPHAN, 2000, p. 93.
4 JARDIM, Luis. A pintura decorativa em algumas igrejas antigas. In: Pintura e escultura I. São Paulo: FAUUSP: MEC-IPHAN, 1978. p. 199.

Obras 8

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Fontes de pesquisa 10

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  • ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. A pintura colonial em Minas Gerais. In: CAVALCANTI, Lauro (org.). Modernistas na Repartição. Rio de Janeiro: Editora UFRJ: Minc - IPHAN, 2000. p. 53-110.
  • ARAÚJO, Emanoel (org.). A Mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. São Paulo, SP: Tenenge, 1988.
  • DEL NEGRO, Carlos. Nova contribuição ao estudo de pintura mineira: norte de Minas: pintura dos tetos de igrejas. Rio de Janeiro: IPHAN, 1978. (Publicações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 29).
  • JARDIM, Luiz. A pintura do guarda-mor José Soares de Araújo em Diamantina. In: Pintura e escultura I. Compilação Hannah Levy, Luís Jardim. São Paulo: MEC/IPHAN : FAU/USP, 1978. 230 p., il. p&b. ( Textos escolhidos da Revista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 7). p.213-230.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MARTINS, Judith. Dicionário de artistas e artífices dos séculos XVIII e XIX em Minas Gerais. Rio de Janeiro: IPHAN, 1974. 2v. (Publicações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 27)NEGRO. Carlos Del. Nova Contribuição ao estudo da pintura mineira: norte de Minas: pintura dos tetos de igrejas. Rio de Janeiro: IPHAN, 1979. 431 p. (Publicações do IPHAN; 29).
  • OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. A pintura de perspectiva em Minas colonial: ciclo rococó. In: ÁVILA, Affonso (org.). Barroco: teoria e análise. Tradução Sérgio Coelho, Pérola de Carvalho, Elza Cunha de Vincenzo; apresentação Affonso Ávila. São Paulo: Perspectiva, 1997. 556 p., il. p&b foto. (Styllus, 10). p.465-489.
  • OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. O rococó religioso no Brasil e seus antecedentes europeus. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. 343 p., 221 il. p&b.
  • SANTOS FILHO, Olinto Rodrigues dos. Pintores mulatos do ciclo rococó mineiro. In: ARAÚJO, Emanoel (Org.). A mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. 2. ed. rev. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo : Museu Afro Brasil, 2010.
  • SILVESTRE de Almeida Lopes: calendário 1983. Prefácio de José E. Mindlin. Texto de Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira. São Paulo: Metal Leve, 1982.

Como citar

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