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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Simplício de Sá

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.05.2017
1785 Cabo Verde / Barlavento / São Nicolau
09.03.1839 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Marcel Gautherot

Irmão Pedinte, 1835
Simplício de Sá
Óleo sobre tela
21,00 cm x 26,00 cm

Simplício Rodrigues de Sá (São Nicolau, Cabo Verde, 1785 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1839). Pintor. Antes de vir para o Brasil, mora em Lisboa, onde se inicia no ofício de artista. Em 1809 transfere-se para o Rio de Janeiro. Na colônia, é um dos poucos que se aproximam da Missão Artística Francesa, que chega ao Brasil em 1816. Procura Debr...

Texto

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Biografia

Simplício Rodrigues de Sá (São Nicolau, Cabo Verde, 1785 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1839). Pintor. Antes de vir para o Brasil, mora em Lisboa, onde se inicia no ofício de artista. Em 1809 transfere-se para o Rio de Janeiro. Na colônia, é um dos poucos que se aproximam da Missão Artística Francesa, que chega ao Brasil em 1816. Procura Debret (1768-1848) e torna-se seu discípulo. Desta forma, integra o primeiro grupo de alunos do pintor francês, antes do funcionamento oficial da Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, a partir de 1826. Em 23 de novembro de 1820, torna-se professor substituto da Aiba, graças a seu prestígio junto a Debret. Como reconhecimento por seu trabalho, a Casa Imperial o nomeia "Pintor da Real Câmara". Ao mesmo tempo, o artista desempenha o papel de mestre de artes da princesa Dona Maria da Glória. Por seus serviços prestados à coroa, o imperador dom Pedro I (1798 - 1834) lhe confere o Hábito da Ordem de Cristo, em 1826, e a mercê de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro. Em 1831 Debret retorna à França. Simplício de Sá ocupa sua cadeira na Aiba, lecionando pintura histórica. Continua a trabalhar na Casa Imperial. Em 1833, torna-se mestre de dom Pedro II (1825 - 1891) e de todas as suas irmãs. Com a morte de Henrique José da Silva (1772-1834), o artista passa a ocupar a cadeira de desenho na Aiba. O posto parece se adequar mais a sua produção como pintor. Em sua atuação como professor e artista, Simplício de Sá é um dos responsáveis pela afirmação do ensino artístico no país.

Análise

Ao que tudo indica, o pintor Simplício de Sá nasce em Cabo Verde,1 em 1785. Antes de vir para o Brasil, mora em Lisboa, onde se inicia no ofício de artista. Em 1809, transfere-se para o Rio de Janeiro. Na colônia, é um dos poucos que se aproximam da Missão Artística Francesa, que chega ao Brasil em 1816. Ao contrário de alguns pintores locais, Simplício de Sá interessa-se pela relação mais laica com a pintura proposta pelos artistas estrangeiros. Procura Debret (1768 - 1848) e torna-se seu discípulo. Desta forma, integra o primeiro grupo de alunos do pintor francês, antes do funcionamento oficial da Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, a partir de 1826. Entre seus colegas se encontram Francisco Pedro do Amaral (1790-1831), Francisco Souza Lobo (ca.1800-ca.1855), Cristo Moreira (s.d.-1830) e José da Silva Arruda (ca.1805 - 1833). A estes se somam, posteriormente, Porto Alegre (1806 - 1879), August Müller (1815-ca.1883), Guilherme Müller, Reis Carvalho (1800-18--), Alphonse Falcoz (1813-s.d.) e Correia de Lima (1814-1857).

Em 23 de novembro de 1820, torna-se professor substituto da Academia, graças a seu prestígio com Debret. Progride a olhos vistos, o que leva ao reconhecimento da Casa Imperial e a sua subseqüente nomeação como Pintor da Real Câmara. Ao mesmo tempo, o artista desempenha o papel de mestre de artes da princesa Dona Maria da Glória (1819 - 1853), futura Dona Maria II, rainha de Portugal. Pelos serviços prestados à coroa, o imperador lhe confere o Hábito da Ordem de Cristo, em 1826, e a mercê de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro.

Em 1831, Debret retorna para a França. Simplício de Sá ocupa sua cadeira na Academia, lecionando pintura histórica. Continua a trabalhar na Casa Imperial. Em 1833, torna-se mestre de dom Pedro II (1825 - 1891) e de todas as suas irmãs. Com a morte de Henrique José da Silva (1772 - 1834), o artista passa a ocupar a cadeira de desenho na Academia. O posto parece se adequar mais à sua produção como pintor. O artista não se dedica às cenas de história. Sua produção mais conhecida é a de retratos oficiais. Realiza diversas telas da figura do primeiro imperador. Muito presente na vida palaciana, pode pintar toda a família real. Pinta, entre outros, a imperatriz Dona Maria Leopoldina (1797 - 1826) e de sua filha Dona Maria II. Outras figuras públicas importantes são retratadas pelo pintor, como o Marquês de Inhambupe e o bispo Dom Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade.

As cenas religiosas e de costume são outra faceta importante de sua produção. É conhecida uma Santa Ceia pintada para a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e dos Costumes, além de uma tela de Nossa Senhora da Conceição. Entre as cenas de costume, a mais conhecida é o pequeno quadro Irmão Pedinte, hoje no acervo do Museu Nacional de Belas Artes - MNBA.

Pelo que se sabe, o artista não teve nenhuma de suas exposições registrada. A informação de que expôs nos Salões da Academia em 1829 e 1830 é contestada no livro 150 Anos de Pintura.2 Menciona-se que seu nome não aparece no catálogo de nenhuma das duas mostras. Desta forma, sua primeira exposição documentada é póstuma: A Retrospectiva de Pintura no Brasil, em 1848, no MNBA. Como professor e artista, Simplício de Sá é um dos responsáveis pela afirmação do ensino artístico no país. O artista falece cego no dia 8 de março de 1839, no Rio de Janeiro.

Notas

1. 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. p. 50.

2. Idem.

Obras 6

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Reprodução fotográfica Pedro Lôbo

D. Maria II

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Marcel Gautherot

Irmão Pedinte

Óleo sobre tela

Exposições 13

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Fontes de pesquisa 16

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  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997. R750.81 A973d 2.ed.
  • BOLETIM do Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro: MNBA, 1985.
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.
  • DUQUE, Gonzaga. A Arte brasileira: pintura e esculptura. Rio de Janeiro: H. Lombaerts & C., 1888. 254 p.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d
  • LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1985: seu mercado, seus leilões. São Paulo: J. Louzada, 1984. v. 1. R702.9 L895a v.1
  • MARTINS, Carlos (org.). Revelando um acervo: coleção brasiliana. São Paulo: BEI Comunicação, 2000. (Brasiliana). 759.981 R449
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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