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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Wiegandt

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.04.2017
13.03.1851 Alemanha / Nordrhein-Westfalen / Colônia
28.03.1918 Alemanha / Bremen / Bremen
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Rua São Clemente, RJ, 1884
Wiegandt
Óleo sobre tela, c.i.d.
68,00 cm x 94,00 cm

Bernhard Wiegandt (Colônia, Alemanha, 1851 – Bremen, Alemanha 1918). Pintor aquarelista. Trabalha em Berlim e Hannover como pintor de cenografia. Chega ao Brasil em 1875 e reside no Pará, onde seu irmão, Conrad Wiegandt, tem uma empresa de litografia. Em 1877, pinta oito aquarelas de paisagens amazônicas. No mesmo ano, vai a Vitória, Espírito Sa...

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Biografia

Bernhard Wiegandt (Colônia, Alemanha, 1851 – Bremen, Alemanha 1918). Pintor aquarelista. Trabalha em Berlim e Hannover como pintor de cenografia. Chega ao Brasil em 1875 e reside no Pará, onde seu irmão, Conrad Wiegandt, tem uma empresa de litografia. Em 1877, pinta oito aquarelas de paisagens amazônicas. No mesmo ano, vai a Vitória, Espírito Santo, e realiza uma paisagem da cidade. 

Em 1878, no Rio de Janeiro, visita Teresópolis e a capital, pintando paisagens. Apresenta 15 trabalhos na Exposição Geral de Belas Artes de 1879 e é indicado pela comissão de premiação à medalha de ouro. Entretanto, ao que parece, por sugestão de Bethencourt da Silva (1831-1911), arquiteto e professor da Academia Imperial de Belas Artes e do Liceu de Artes e Ofícios, recebe apenas uma distinção honorífica. Nesse ano, tem imagens publicadas no livro Brazil, the Amazons and the Coast, do naturalista americano Herbert Huntington Smith (1851-1919)1. Em 1880, ano que deixa o país, pinta uma série de vistas da baía e de outras paisagens do Rio de Janeiro.

Na Exposição de História do Brasil, de 1881, tem 12 trabalhos expostos. De volta à Europa, prossegue os estudos de pintura na Academia de Munique com o húngaro Julius de Benczur (1844-1920) e o alemão Ludwig Von Löfftz (1845-1910). Em 1890, passa a viver em Bremen e realiza trabalhos para o parlamento, constituídos por vistas, retratos, plantas territoriais e cartográficas.

Análise

Apesar de demonstrar versatilidade em produções anteriores e posteriores à vinda ao Brasil, Bernhard Wiegandt concentra-se em criar, no país, cenas consideradas pitorescas ou exóticas. 
Como outros artistas estrangeiros que percorrem o extenso território da região Amazônica até o Rio de Janeiro, elege a aquarela como técnica e torna-se um dos artistas mais notáveis no uso desse estilo. Essa característica é percebida pela comissão da Exposição Geral de Belas Artes de 1879, quando, nas premiações, indica o artista à medalha de ouro pelas “excelentes e belíssimas vistas e estudos a aquarela, trabalhos em cujo gênero ainda não foram expostos na Academia outros com tanta perfeição”2.
Se a qualidade das aquarelas de Wiegandt é inegável – pela sutil gradação de cores das imagens e pela acuidade na representação das diferentes espécies vegetais –, a admiração que causa à comissão pode ser vista também como reflexo de ideias que circulam com vigor na Academia desde a gestão de Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879). Elas dizem respeito à importância que a aquarela tem para alguns artistas brasileiros. Imagina-se que a facilidade de transporte do material, mesmo para lugares mais difíceis, e a versatilidade plástica desse meio ampliem as representações da paisagem nacional e as possibilidades de trabalho na época em um mercado dominado pelo retrato.

Notas

1 Smith foi aluno, na Cornell University, de Charles Frederick Hartt (1840-1878). Hartt, um naturalista que, entre 1875 e 1877, é contratado para coordenar a Comissão Geológica do Império do Brasil, da qual Marc Ferrez (1843-1923) foi um dos seus fotógrafos. A partir de 1876, Hartt ocupa o cargo de diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro, instituição responsável pela contratação de Smith para o levantamento de espécimes naturais brasileiros.

2 PEIXOTO, Maria Elizabete Santos. Pintores alemães no Brasil durante o século XIX. Rio de Janeiro: Edições Pinakotheke, 1989., p. 201.

Obras 2

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Exposições 15

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 20

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  • ANDRADE, Geraldo Edson de (Cur.). Visões do Rio. Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna, 1996.
  • BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. O Brasil dos Viajantes. São Paulo/Salvador: Metalivros/Fundação Odebrecht, 1994. 3v.
  • BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. O Brasil dos viajantes: A construção da paisagem. São Paulo: Metalivros; Salvador: Fundação Emílio Odebrecht, 1994. v.3.
  • BUENO, Alexei. O Brasil do século XIX na Coleção Fadel. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Sergio Fadel, 2004.
  • BUNHEIRÃO, Tay (coord.). O Rio de Janeiro de Machado de Assis. Curadoria Geraldo Edson de Andrade; apresentação Geraldo Edson de Andrade. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1989. [40] p., il. color.
  • CATÁLOGO da exposição de História do Brazil realizada pela Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Typ. de G. Leuzinger & Filhos, 1881.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • FERREZ, GILBERTO. Iconografia do Rio de Janeiro: 1530-1890. Rio de Janeiro: Casa Jorge, 2000. 2 v.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEVY, Carlos Roberto Maciel. Exposições gerais da Academia Imperial e da Escola Nacional de Belas Artes: período monárquico, catálogo de artistas e obras entre 1840 e 1884. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1990. v.1.
  • Museu de Arte Moderna (Rio de Janeiro, RJ) (org.). Visões do Rio. Curadoria Geraldo Edson de Andrade. Rio de Janeiro, 1996. 241 p. il. p.b., foto.
  • O RIO é lindo: a paisagem carioca no acervo do Banerj. Rio de Janeiro : Galeria de Arte Banerj, 1985.
  • PEIXOTO, Maria Elizabete Santos. Pintores alemães no Brasil durante o século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1989.
  • PINACOTECA do Estado de São Paulo. Coleção Brasiliana/ Fundação Estudar. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2010.
  • QUADROS Oitocentistas Brasileiros e Europeus. Rio de Janeiro : Maurício Pontual Galeria de Arte, 1979.
  • VISÕES do Rio na coleção Geyer. Curadoria Maria de Lourdes Parreiras Horta; assistência de curadoria Maria Inez Turazzi, Maurício Vicente Ferreira Junior; versão em inglês Barry Neves, Cristina Baum, Rebecca Atkinson. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2000.

Como citar

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