Artigo da seção pessoas Nuno Ramos

Nuno Ramos

Artigo da seção pessoas
Artes visuais / literatura / teatro  
Data de nascimento deNuno Ramos: 05-03-1960 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Pedras Marcantonio , 1998 , Nuno Ramos
Registro fotográfico Eduardo Giannini Ortega

Nuno Alvarez Pessoa de Almeida Ramos (São Paulo, São Paulo, 1960). Artista plástico, escritor, diretor de cinema, dramaturgo e músico. Ao explorar diferentes linguagens, Nuno Ramos trabalha com formas e materiais distintos, trazendo à tona a brutalidade da realidade. 

Forma-se em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) em 1982. Durante a graduação, edita a revista Almanaque-80 com poemas, ensaios e artes visuais, e a revista Kataloki, um panorama da poesia paulista do período. Em 1983, funda o ateliê Casa 7 com os artistas plásticos Paulo Monteiro (1961), Rodrigo Andrade (1962), Carlito Carvalhosa (1961) e Fábio Miguez (1962). O grupo se dissolve depois da participação da 18ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1985.

Recebe o Prêmio Aquisição do 2º Salão Paulista de Arte Contemporânea e o Prêmio Viagem ao Exterior do 7º Salão Nacional de Artes Plásticas em 1984, e a bolsa Émile Eddé, do MAC USP, em 1987. De 1988 a 1990, destacam-se os quadros de grandes dimensões que recebem aplicação de diversos materiais, como parafina, breu, lona e sucata. 

Até 1991, trabalha sobretudo com pinturas e, ao longo do anos 1990, começa a explorar outras linguagens, como a escrita, a escultura, a instalação e a land art (ou earthwork). Em 1993, publica seu primeiro livro, Cujo, e, em 1995, o livro-objeto Balada.

Desse novo período, distingue-se a obra 111 (1992-1993), instalação que relembra o assassinato, em 1992, de 111 presidiários pela Polícia Militar na rebelião da Casa de Detenção de São Paulo. A obra apresenta, no Instituto Estadual de Artes de Porto Alegre, 111 lápides em forma de paralelepípedos, cobertas de asfalto e com os nomes das vítimas. Cada paralelepípedo traz um recorte de jornal com a notícia do massacre além de cinzas de páginas da Bíblia. Na parede, o artista fixa um texto de sua autoria em letras de parafina em pequenas superfícies de vidro também preenchidas com folhas da Bíblia queimadas. 

Ao contrário de muitos artistas contemporâneos, Nuno não compreende vida e obra como coisas de mesma natureza, entre as quais se realiza uma continuidade. Para ele, essa relação só se dá por caminhos forçados, o que o leva a instaurar descontinuidade radical em seus trabalhos. Como afirma o crítico Rodrigo Naves (1955), Nuno busca “a revelação de uma instância bruta da realidade”, “uma formalização que, em lugar de domesticar, exponencie a materialidade do mundo”1. Daí a importância da matéria em sua obra, presente também no uso da linguagem, pois as palavras são realizadas com materiais como a parafina, e devem ser esculpidas como tal. 

Em 1994, é contemplado com bolsa da Fundação Vitae, mesmo ano em que recebe o prêmio da Associação Nacional de Críticos de Arte. Vence, em 2000, concurso realizado em Buenos Aires para a construção de um monumento em memória aos desaparecidos durante a ditadura militar naquele país.

A estreia no cinema se dá em 2002 com Luz Negra. Em 2005 recebe o Prêmio Mário Pedrosa como artista de linguagem contemporânea da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), e, em 2006, o prêmio da Barnett and Annalee Newman Foundation, de Nova York, pelo conjunto da obra e pela contribuição às artes visuais. A produção literária segue com as publicações da coletânea de narrativas Pão de Corvo (2001), o compilado de fragmentos da produção artística, projetos e ensaios Ensaio Geral (2007), o vencedor do Prêmio Portugal Telecom Ó (2008) e o livro de contos O Mau Vidraceiro (2010). 

O crítico Lorenzo Mammì (1957) compara a escrita de Nuno com os quadros e observa em ambos o mesmo comportamento: não é possível uma visão unitária, nem uma leitura por partes. Para ele, os trabalhos de Nuno Ramos surgem de uma comunicação interrompida entre corpo e signo que faz com que a obra “transborde de um lado ou de outro: num excesso de matéria ou num excesso de significado”2. Dada sua complexidade, é difícil apreender a obra de Nuno Ramos. Com várias proposições formais, sua unidade parece residir nos questionamentos que propõe.

Em 2018, dirige a peça A Gente se Vê por Aqui, na qual os atores permanecem em cena por 24 horas. A abordagem da cultura e da política brasileiras voltam a ser exploradas em 2019 com o livro de ensaios Verifique se o Mesmo.

O trabalho de Nuno Ramos aborda, com diferentes linguagens, temas próprios do contemporâneo. Do tratamento mais alusivo à crítica mais provocadora, o artista coloca em debate questões relacionadas a cultura, política, concretude e potencialidade de transformação dos materiais. 

Notas

1. Ver NAVES, Rodrigo. Nuno Ramos: uma espécie de origem. In: NAVES, Rodrigo. O Vento e o Moinho: ensaios sobre arte moderna e contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

2. Ver MAMMÌ, Lorenzo. Noites brancas. Curitiba: Casa da imagem, 1999.

Outras informações de Nuno Ramos:

  • Outros nomes
    • Nuno Álvares Pessoa de Almeida Ramos
  • Habilidades
    • Escultor
    • Cenógrafo
    • ensaísta
    • Pintor
    • Poeta
    • Gravador
    • Dramaturgo
    • Diretor de cinema
    • Artista plástico
    • músico
  • Relações de Nuno Ramos com outros artigos da enciclopédia:

Obras de Nuno Ramos: (56) obras disponíveis:

Título da obra: O Duelo

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoO Duelo : 1985
Autores da obra:
Imagem representativa da obra
Legenda da imagem representativa:

Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Título da obra: 111

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criação111 : 1992
Autores da obra:
Imagem representativa da obra
Legenda da imagem representativa:

Registro fotográfico Eduardo Ortega

Todas as obras de Nuno Ramos:

Midias (2)

Nuno Rumos - Encontros
Itaú Cultural

Nuno Ramos, 2009
Na mente inquieta de Nuno Ramos, as pedras brilham, a chuva fala e burrinhos carregam vozes. Em atuação desde 1984, o paulistano expressa o que chama de “operações pictóricas” – frutos de seu imaginário e de seus conflitos internos – por meio de gravuras, pinturas, fotografias, poesia e vídeo. Em suas criações, há uma tentativa de infringir o que seria um pensamento estético. Essa busca é feita a partir do uso de matérias-primas como madeira, tecido, arame, cal, esmalte sintético, mármore e granito, com as quais ele desenvolve desenhos, que ganham cores, texturas e formas geométricas, resultando em peças tridimensionais. “Tem algo do mundo das fábulas. Apesar de trabalhar com certa dose de violência, coisas que quebram e são razoavelmente agressivas, no limite, o que eu faço é da ordem da conciliação”, conceitua.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Exposições (232)

Artigo sobre Arte na Rua 2

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioArte na Rua 2: 09-1984
Resumo do artigo Arte na Rua 2:

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP)

Artigo sobre Casa 7: pintura

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioCasa 7: pintura: 30-04-1985  |  Data de término | 26-05-1985
Resumo do artigo Casa 7: pintura:

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP)

Artigo sobre Casa 7: pintura

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioCasa 7: pintura: 07-05-1985  |  Data de término | 02-06-1985
Resumo do artigo Casa 7: pintura:

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ)

Todas as exposições

Eventos relacionados (8)

Artigo sobre sp-arte 2010

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de iníciosp-arte 2010: 29-04-2010  |  Data de término | 02-05-2010
Resumo do artigo sp-arte 2010:

Fundação Bienal de São Paulo

Fontes de pesquisa (40)

  • NAVES, Rodrigo. Nuno Ramos: uma materialismo invulgar. In: ______. O Vento e o moinho: ensaios sobre arte moderna e contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 531 p., il. p&b.
  • AMARAL, Aracy et al. Modernidade: arte brasileira do século XX. São Paulo: MAM; Paris: Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, 1988.
  • AMARAL, Aracy. Uma nova pintura e o grupo da casa 7. In: Casa 7. São Paulo: Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC/USP); Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna (MAM/RJ), 1985. (catálogo).
  • ARÊAS, Vilma. Palavras no chão. In: Morte das Casas – Nuno Ramos. São Paulo: CCBB, de 21/4/2004 a 20/6/2004.
  • ARTISTAS brasileiros na 20ª Bienal Internacional de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BRASIL em Veneza: Arthur Bispo do Rosário, Nuno Ramos. Curadoria Nelson Aguilar; texto Lorenzo Mammì; apresentação Edemar Cid Ferreira. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1995. [26] p., il. color.
  • CASA 7. Tradução Barbara Gancia. São Paulo: Subdistrito Comercial de Arte, 1985.
  • CASA 7: pintura. São Paulo: MAC/USP, 1985.
  • Catálogo casa 7, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo e Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, 1985.
  • CONDE, Miguel. Volta ao mundo. O Globo, Rio de Janeiro, 21 ago. 2010. Prosa e Verso, p. 1.
  • DUARTE, Paulo Sérgio. Arte brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: Silvia Roesler, 2008. p. 236-239.
  • FARIAS, Agnaldo. Nuno Ramos. In: Arte brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.
  • GONÇALVES FILHO, Antônio. Primeira Individual. São Paulo: Cosac & Naify, 2009. p. 199-211.
  • JAÚ e arte: um compromisso. Apresentação Marcantônio Vilaça; texto Lorenzo Mammì, Márcio Doctors, Paulo Herkenhoff, Rodrigo Naves, Sônia Salzstein; tradução Lilian Camargo Veirano Astiz; fotografia Romulo Fialdini, Pedro Franciosi, Eduardo Brandão, Antonio Ribeiro, Sérgio Zalis, Lobo Lobato, Bob Wolfenson; projeto gráfico Noris Lisboa. São Paulo: Jaú Construtora e Incorporadora, 1989. [74] p., il. color.
  • LAGNADO, Lisette. Les Enfants terribles da Casa 7. Arte em São Paulo, São Paulo, n.30, maio 1985.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • MAMMÌ, Lorenzo. Noites brancas. Curitiba: Casa da imagem, 1999.
  • MARTÍ, Silas. Nuno Ramos equaliza o sublime e o grotesco. Folha de S.Paulo, São Paulo, 15 set. 2010. Ilustrada, E7.
  • NAVES, Rodrigo. Nuno Ramos esculpe com o verbo. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 mar. 2006. Cultura, D7.
  • NAVES, Rodrigo. Nuno Ramos: uma espécie de origem. In: ______. O Vento e o moinho: ensaios sobre arte moderna e contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 531 p., il. p&b. 
  • NAVES, Rodrigo; TASSINARI, Alberto. Nuno Ramos. Rio de Janeiro: Centro de Arte Hélio Oiticica, 1999.
  • PINTO, Manuel da Costa. Nuno Ramos. In: PINTO, Manuel da Costa. Literatura brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2005.
  • POR que Duchamp? Leituras duchampianas por artistas e críticos brasileiros. Apresentação Ricardo Ribenboim, Marcos Mendonça; texto Vitória Daniela Bousso, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Agnaldo Farias, Maria Izabel Branco Ribeiro, Paulo Herkenhoff, Celso Favaretto, Stella Teixeira de Barros, Lisette Lagnado, Angélica de Moraes; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Itaú Cultural : Paço das Artes, 1999. 194 p., il. p&b. color.
  • RAMOS, Nuno. Afinidades e diversidades. Curadoria Vanda Mangia Klabin; texto Vanda Mangia Klabin. São Paulo: [s.n.], 2004. [8] p., il. color.
  • RAMOS, Nuno. Cujo. São Paulo: Editora 34, 1993.
  • RAMOS, Nuno. Ensaio geral. São Paulo: Globo, 2007.
  • RAMOS, Nuno. O mau vidraceiro. São Paulo: Globo, 2010.
  • RAMOS, Nuno. O pão do corvo. São Paulo: Editora 34, 2001.
  • RAMOS, Nuno. Ó. São Paulo: Iluminuras, 2008.
  • RAMOS, Nuno. Para Goeldi. São Paulo: AS Studio, 1996.
  • RAMOS, Nuno. Bandeira branca, amor. Folha de S.Paulo, São Paulo, 17 out. 2010.
  • RAMOS, Nuno. Por que sou artista?. Arte em São Paulo, São Paulo, n. 29, mar. 1985.
  • TASSINARI, Alberto. Entre passado e futuro. In: Casa 7. São Paulo: XVIII Bienal de São Paulo, 1985. (catálogo).
  • TASSINARI, Alberto. Nuno Ramos. Rio de Janeiro: Cobogó, 2010.
  • TASSINARI, Alberto; MAMMÌ, Lorenzo; NAVES, Rodrigo. Nuno Ramos. São Paulo: Ática, 1997.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999.
  • __________. Morte das casas. Texto Vilma Arêas, Paulo Venancio Filho; projeto gráfico Rodrigo Andrade, Marcos Brias; versão em inglês Paulo Andrade Lemos. São Paulo: Centro Cultural Banco do Brasil, 2004. 152 p., il. color.
  • __________. Nuno Ramos. Apresentação Helena Severo, Vanda Mangia Klabin, Tadeu Chiarelli; texto Alberto Tassinari, Rodrigo Naves; fotografia Eduardo Giannini Ortega, Vicente de Mello, Pedro Franciosi, Bruce M. White, Romulo Fialdini, Sérgio Zalis, Nuno Ramos, Cesar Medeiros, Fulvio Ozsenigo; projeto gráfico Rodrigo Andrade; tradução Paulo Henriques Britto, Jonathan Morris, Regina de Barros Carvalho; curadoria Alberto Tassinari, Rodrigo Naves. Rio de Janeiro: Centro de Arte Hélio Oiticica, 1999. 96 p., 65 il. color.
  • __________. Nuno Ramos. Fotografia Romulo Fialdini; texto Alberto Tassinari; arte Jaime Prades. São Paulo: MAC/USP, 1988. [12] p., il. color.

Como citar?

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  • NUNO Ramos. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2459/nuno-ramos>. Acesso em: 18 de Jan. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7