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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Emeric Essex Vidal

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 07.12.2020
29.03.1791 Reino Unido / Inglaterra / Bedford
07.05.1861 Reino Unido / Inglaterra / Brighton
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

O Chafariz de Catumbi, 1827
Emeric Essex Vidal
Aquarela s/ papel, a.a.
33,20 cm x 23,00 cm

Emeric Essex Vidal (Bedford, Inglaterra, 1791 – Brighton, Inglaterra, 1861). Pintor, secretário no Brasil para assuntos ingleses. Ingressa na Marinha Real Britânica em 1806. Torna-se secretário do comandante do navio Her Majesty’s Ship (HMS) Clyde, produzindo documentos, cartas marítimas, desenhos e panoramas dos locais visitados.

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Emeric Essex Vidal (Bedford, Inglaterra, 1791 – Brighton, Inglaterra, 1861). Pintor, secretário no Brasil para assuntos ingleses. Ingressa na Marinha Real Britânica em 1806. Torna-se secretário do comandante do navio Her Majesty’s Ship (HMS) Clyde, produzindo documentos, cartas marítimas, desenhos e panoramas dos locais visitados.

Em 1808, vem ao Brasil num dos navios ingleses que acompanham a vinda da família real portuguesa. Fica até 1811 e retorna ao país entre 1816 e 1819, como comissário para as costas do Brasil e da Argentina. Percorre Rio Grande do Sul, Buenos Aires, Argentina, Montevidéu e Uruguai. Em 1820, em Londres, publica o livro Picturesque Illustrations of Buenos Ayres and Monte Video [1]

Retorna ao Brasil entre 1826 e 1829 e, pela última vez, entre 1834 e 1837. Nesta viagem, é secretário, intérprete e tradutor do almirante Sir Graham Eden Hamond (1779-1862). 

Viaja para diversas localidades do Rio de Janeiro, da Bahia, de Pernambuco e de Santa Catarina. Nelas, realiza, além das tarefas profissionais, desenhos e panoramas em aquarela, alguns deles medindo cinco metros de largura. Visita também o Museu Nacional e a Academia Imperial de Belas Artes (Aiba). Em 1836, oferece um desenho de Pernambuco ao príncipe holandês Henrique de Orange (1820-1879), então em visita ao Brasil. Em 1837, seu chefe, Hamond, demite-o do cargo de secretário, fazendo com que retorne à Inglaterra.

 

Análise

Emeric Essex Vidal não é artista profissional. Nos relatos e diários que escreve, ou naqueles em que é citado, torna-se evidente o seu compromisso com a marinha britânica e com os serviços solicitados por ela. Os trabalhos visuais que realiza sobre o Brasil ao longo de mais de duas décadas de viagens, quase que exclusivamente em aquarela, são um entre outros deveres: o de construir “documentos visuais” (topografias e cartografias marítimas), cujo fim é mais prático que artístico.

Entretanto, há desenhos que excedem o compromisso prático (oferecidos a seus amigos e personalidades no Brasil). Ainda que em muitos deles Vidal reitere seu interesse pelas marinhas, também sugere, em outros, apontamentos sobre o seu entorno. Um deles é a crítica que faz do regime escravista brasileiro do século XIX. Suas imagens nunca representam homens e mulheres brancos. Evidenciam o tráfico e o trabalho do negro escravo como força motriz da economia brasileira, algo que ele (assim como um de seus chefes, o almirante Sir Graham Hamond) acha inaceitável.

Do ponto de vista artístico, Vidal é melhor colorista que desenhista. Os efeitos de cores e as gradações tonais de suas imagens favorecem a representação de ambientes brasileiros tal como são, por muito tempo, relatados por viajantes. Apenas no começo do século XIX, com a abertura dos portos para as nações amigas, as imagens tornam-se visíveis: sugerem uma natureza luxuriante, envolta em clima tropical, sempre ensolarado.

 

Nota

1. Há um exemplar desse livro na coleção Brasiliana Itaú.

Obras 2

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Exposições 12

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Fontes de pesquisa 23

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  • ALCÂNTARA, Dora et al. Museus Castro Maya: Museu do Açude, Chácara do céu. Rio de Janeiro, RJ: Agir, 1994.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. O Brasil dos viajantes: A construção da paisagem. São Paulo: Metalivros; Salvador: Fundação Emílio Odebrecht, 1994. v.3.
  • BERGER, Paulo (org.). Pinturas e pintores do Rio antigo. Apresentação de Sérgio Sahione Fadel. Textos de Paulo Berger, Herculano Gomes Mathias e Donato Mello Júnior. Rio de Janeiro: Kosmos, 1990.
  • BÉNÉZIT, Emmanuel-Charles. Dictionnaire critique et documentaire des peintres, sculpteurs dessinateurs et qraveurs: de tous les temps et de tous les pays par un groupe d´écrivains spécialistes français et étrangers. Nova edição revista e corrigida. Paris: Grund, 1976. 10 v.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • FERREZ, GILBERTO. Iconografia do Rio de Janeiro: 1530-1890. Rio de Janeiro: Casa Jorge, 2000. 2 v.
  • FERREZ, Gilberto. A muito leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro: quatro séculos de expansão e evolução. Rio de Janeiro: Raymundo de Castro Maya: Candido Guinle de Paula Machado: Fernando Machado Portella: Banco Boavista, 1965.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • HAMOND, Graham Eden. Os diários do Almirante Graham Eden Hamond 1825-1834/38. Rio de Janeiro: Ed. J.B, 1984.
  • LAGO, Pedro Corrêa do. Iconografia paulistana do século XIX. São Paulo: Metalivros, 1998.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MORALES DE LOS RIOS FILHO, Adolfo. Grandjean de Montigny e a evolução da arte brasileira. Rio de Janeiro: Noite, 1941.
  • MUSEUS CASTRO MAYA. Museu da Chácara do Céu (Rio de Janeiro, RJ) (org.), MUSEUS CASTRO MAYA. Museu do Açude (Rio de Janeiro, RJ) (org.). Museus Castro Maya: Museu do Açude, Chácara do céu. Tradução Sylvia Lemos; apresentação Carlos Martins; comentário Dora Alcântara. Rio de Janeiro: Agir, 1994. 349p. il. color. p.63.
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
  • RIO de Janeiro, capital d'além-mar: na coleção dos Museus Castro Maya. Tradução Ricardo Schaeppi. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994.
  • VIDAL, E. E. Picturesque ilustrations of Buenos Aires and Monte Video. Editorial Mitchell's English Book-Store. Buenos Aires, 1944.
  • VIDAL, Emeric Essex. São Salvador da Baía de Todos os Santos: vista panorâmica, aquarelas, 1835 - 1837. Apresentação Pedro Henrique Mariani. Textos de Maximiliano de Habsburgo e Pedro Agostinho. s.l.: Banco da Bahia Investimentos S.A., 1996. Edição fac-similar.
  • VISÕES do Rio na coleção Geyer. Curadoria Maria de Lourdes Parreiras Horta; assistência de curadoria Maria Inez Turazzi, Maurício Vicente Ferreira Junior; versão em inglês Barry Neves, Cristina Baum, Rebecca Atkinson. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2000.
  • VISÕES do Rio na coleção Geyer. Curadoria Maria de Lourdes Parreiras Horta; assistência de curadoria Maria Inez Turazzi, Maurício Vicente Ferreira Junior; versão em inglês Barry Neves, Cristina Baum, Rebecca Atkinson. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2000.

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