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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Dulcina de Moraes

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 01.01.2018
03.02.1908 Brasil / Rio de Janeiro / Valença
28.08.1996 Brasil / Distrito Federal / Brasília
Registro fotográfico Documentação Oswaldo Motta

Dulcina de Moraes em cena de César e Cleópatra, 1944
Dulcina de Moraes
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Dulcina de Moraes (Valença, Rio de Janeiro, 1908 - Brasília, Distrito Federal, 1996). Atriz. Intérprete de marcado estilo próprio, sobretudo no gesto e no rosto, e de temperamento mais propício à comédia, Dulcina atravessa cinco décadas de montagens sucessivas, três delas à frente de sua companhia, tornando-se um "monstro sagrado" do teatro bras...

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Biografia

Dulcina de Moraes (Valença, Rio de Janeiro, 1908 - Brasília, Distrito Federal, 1996). Atriz. Intérprete de marcado estilo próprio, sobretudo no gesto e no rosto, e de temperamento mais propício à comédia, Dulcina atravessa cinco décadas de montagens sucessivas, três delas à frente de sua companhia, tornando-se um "monstro sagrado" do teatro brasileiro. Na década de 50 cria a Fundação Nacional de Teatro, uma das primeiras escolas de formação em teatro no país.

Filha dos atores Conchita e Átila de Moraes, Dulcina toma parte em representações da companhia mambembe dos pais ainda bebê. A carreira de atriz começa na década de 20, quando assina seu primeiro contrato, com a Companhia Brasileira de Comédia, de Viriato Corrêa. Aos 17 anos, entra para a empresa teatral de Leopoldo Fróes, a mais importante do início do século. Já no começo de carreira, seu desempenho chama a atenção do público e da imprensa, que o define como uma vocação inata. Ao mesmo tempo em que é elogiada pela sinceridade, pela naturalidade e pelo temperamento vivaz, recebe restrições a seus excessos, sua falta de domínio do rosto e dos gestos, incapazes de comedimento.

Em 1934, funda com o marido, o ator Odilon Azevedo, a companhia Dulcina-Odilon. No mesmo ano, protagoniza Amor, de Oduvaldo Vianna. O autor se encarrega da orientação artística da montagem e promove uma lapidação na interpretação da atriz que a faz, segundo o crítico Mário Nunes, transformar seu nervosismo em expressividade e, dessa forma, atingir "a posição mais alta que no nosso meio uma atriz pode alcançar".1

O sucesso da atriz atinge as camadas mais altas da sociedade e Dulcina faz moda: os vestidos que usa em cena servem como modelo para o público feminino. Ganha medalha do mérito da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT), como melhor atriz do ano de 1939 pelo conjunto de trabalhos.

Em 1945, a montagem de Chuva, de John Colton e Clemence Randolph, tem apoio e subvenção do ministro Capanema para uma temporada oficial no Theatro Municipal. O espetáculo se torna um marco em sua carreira, na medida em que se mostra engajado na modernização teatral - principalmente pela idéia de conjunto em que se baseia. A crítica considera o papel de Sadie Thompson um dos melhores da carreira da atriz. Um dos aspectos que mais impressiona o público é a chuva, que durante os três atos cai sem parar no palco. Em viagem ao exterior, Dulcina merece destaque na imprensa espanhola e Chuva se torna o carro-chefe da companhia, fazendo parte de seu repertório durante 15 anos. Na remontagem de 1953, a revista Anhembi publica que "Chuva está para os nossos velhos grupos profissionais como Vestido de Noiva está para os novos",2 em função da técnica e do equilíbrio que caracterizava a montagem.

Em 1949, ganha novamente o Prêmio ABCT, mas agora como melhor direção por Mulheres, de Claire Boothe.

Em 1952, Dulcina já é a "primeira atriz do teatro brasileiro".3 Volta a ser criticada pela interpretação desmedida em A Doce Inimiga, de André-Paul Antoine, 1953, ano em que ganha o Prêmio Municipal de Teatro de melhor direção por O Imperador Galante, de Raimundo Magalhães Junior.

No final dos anos 50, convencida da necessidade de revestir a profissão de ator de uma preparação técnica, a atriz investe o dinheiro poupado ao longo da carreira na criação da Fundação Brasileira de Teatro (FBT), que realiza cursos e espetáculos. Em 1972, transfere-se com sua fundação para a capital federal.

Dulcina só retorna ao palco carioca em 1981, a convite de Bibi Ferreira, que a dirige em O Melhor dos Pecados, de Sérgio Viotti, escrito especialmente para a atriz. O espetáculo se inicia com uma citação de Chuva: ao se apagarem as luzes, ouve-se a gargalhada da atriz na coxia - o que faz o público, na estréia, ovacionar vivamente, em sinal de reconhecimento. Ganha o Prêmio Molière Especial. O crítico Yan Michalski, identificando que toda a razão de ser do espetáculo estava no retorno e na homenagem a Dulcina, a define como "monstro sagrado", termo que identificava os grandes atores, capazes de unir carisma e técnica numa interpretação pessoal. No texto, o crítico define o estilo da atriz: "O instrumental de que Dulcina dispõe, particularmente no gênero da comédia ligeira e sofisticada, sempre foi admirável: ela domina o desenho do gesto com precisão milimétrica, desloca-se pelo palco com uma elegância toda pessoal, dispõe de uma gama bem definida de recursos faciais, elaborou uma musicalidade de inflexões inconfundível, e sobretudo controla à perfeição esse trunfo misterioso - mas eminentemente técnico - chamado 'tempo da comédia'." 4

Notas

1. NUNES, Mário. 40 anos de teatro. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1956. v. 4. p. 94.
2. REVISTA Anhembi, abr. 1953. Citado por RABETTI, Beti. Trabalho realizado para o catálogo de inauguração do Teatro Dulcina, Rio de Janeiro, 1984.
3. ABREU, Brício. Citado por RABETTI. Op. cit. p. 10-11.
4. MICHALSKI, Yan. Dulcina em noite de glória. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 agos. 1981.

Obras 1

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Espetáculos 224

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