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Música

Denise Garcia

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.05.2019
1955 Brasil / São Paulo / São Paulo
Denise Hortência Lopes Garcia (São Paulo, São Paulo, 1955). Compositora, professora. Obtém o bacharelado em música, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) em 1985.

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Biografia
Denise Hortência Lopes Garcia (São Paulo, São Paulo, 1955). Compositora, professora. Obtém o bacharelado em música, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) em 1985.

Estuda piano com Menininha Lobo (1904-1986), Caio Pagano (1940), Werner Genuit (1937-1997) e Gottfried Hefele (1957), e composição com Willy Corrêa de Oliveira (1938), Giselher Klebe (1925-2009) e Willhelm Killmayer (1927). Estuda composição na Alemanha, na Nordwestdeutsche Musikakademie Detmold, e na Musikhochshule, em Munique entre 1979 e 1984. Durante a estada na Alemanha, suas obras são executadas em vários festivais daquele país, incluindo o Concerto de Jovens Compositores do Festival de Darmstadt, em 1982.

De volta ao Brasil, dedica-se, de 1984 a 1991, a pesquisas interdisciplinares com a dança e o teatro, enquanto docente do curso de dança da Unicamp e pesquisadora do Lume teatro, núcleo interdisciplinar de pesquisas teatrais da mesma universidade. Assina composições para importantes produções teatrais daquele núcleo.

Obtém o bacharelado em música, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) em 1985. Em 1989, inicia pesquisas com registros e estudos de sonoridades ambientais e, desde então, volta-se à música eletroacústica, dedicando seus trabalhos a esse gênero musical. Dois CDs solos e várias publicações de obras em coletâneas são o destaque de suas composições. Em 1993, conclui mestrado em artes pela Unicamp e, durante o ano de 1997, faz um estágio de pesquisa para sua tese de doutorado no no Institut National Audiovisuel – Groupe de Recherches Musicales (INA-GRM), em Paris, sob orientação de Daniel Teruggi (1952). Torna-se doutora em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) em 1998.

Seus trabalhos eletroacústicos são apresentados em diversas capitais brasileiras, e em festivais internacionais, como o Futura, França, 1994 e 1998; Freiburg, 1997; Canadá, 1998; México, 1999; e Berlim, 2000. Em outubro de 2001, tem seu primeiro concerto-solo no Festival L'Espace du Son, em Bruxelas, Bélgica. Compõe, ainda, obras para Orquestras Sinfônicas.

Em 2007, realiza pós-doutorado na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Especializa-se em análise de música eletroacústica, tema a que se dedica, desde a documentação até a análise do cenário eletroacústico brasileiro. Desde 2007, coordena o projeto de pesquisa “Faces da Música Eletroacústica Brasileira: o Estúdio da Glória nos anos 80 e 90”, pequena historiografia e análise de obras dos compositores que atuam no Estúdio da Glória, fundado em 1981 no Rio de Janeiro.

Análise
Denise Garcia começa o trabalho com a música eletroacústica no início dos anos de 1990, já deixando importante contribuição ao contexto nacional. Sua produção é singular, de base de sonoridades gravadas e não música de síntese, como é mais comum no gênero. Acostumada com outros eixos interdisciplinares, como o teatro e a dança, é evidente esta influência em trabalhos como “Par Lui” (1996) e “Infobodies” (1999).

Sua obra possui grande carga expressiva, dificilmente alcançada na música eletroacústica, em que, muitas vezes, o cuidado com o processamento técnico acaba por se sobrepor à expressão musical. Sua produção inclui trabalhos audiovisuais e composições diversas, inclusive de trilhas sonoras.

No CD A Casa do Poeta(2003), a artista explora a sonoridade eletroacústica. Nas cinco faixas que compõem a obra, a maioria é inspirada no "Poema Sujo", de Ferreira Gullar (1930-2016): “Vozes da cidade”, “Um dia feito d'água”, “Trem-pássaro” e “Par Lui 2”. “Infobodies” é a exceção, única faixa que contempla um exercício de música mista, com sons instrumentais e eletroacústicos.

O CD Kelbilim, o Cão da Divindade (2005) é a trilha sonora de uma peça criada em 1988 que estreou no Teatro Evolução, em Campinas. As peças revelam influencia das músicas cristãs pré-gregorianas, mas “foram as impressões emocionais que os hinos ambrosianos exerciam sobre sua pessoa [...]”¹ que definem o rumo dos trabalhos. A compositora afirma que teve como objetivo traçar uma linha histórico-evolutiva da escrita musical ocidental, desde o canto monódico até a polifonia a quatro vozes. O resultado é inquietante, como a própria peça que aborda parte da vida de Santo Agostinho. As peças musicais vasculham e atualizam características ambrosianas e gregorianas, na liberdade criativa da compositora, a partir de duas razões declaradas: o desejo pessoal de visitar e dialogar com tais características e a noção de que a banda sonora tem a missão de situar o espectador no local e momento histórico onde o enredo se desenvolve.

Suas reflexões auxiliam na compreensão desse percurso. A intuição de artista alia-se à pesquisa, como fundamento das composições. Neste último viés, o da pesquisa, a estética musical concorre para situar seu trabalho como princípio gerador criativo.

Distante de concepções generalistas da música, as pesquisas e composições da artista atrelam detalhes nem sempre visíveis ao espectador, o que a faz complementar as composições com textos. Não que detalhes sejam destituídos de sentido, pelo contrário. Sua riqueza e complexidade por vezes extrapola o audível. Mais que ouvir, os modos de apresentação convidam a refletir. Talvez este seja o binômio que caracteriza o trabalho de Denise Garcia: ouvir e refletir.

Denise Garcia inspira o cenário da música ao buscar a mescla com outras artes, outros tempos, com detalhes que enfatizam a sensibilidade da artista que também produz relevante pesquisa em música.

Nota
1 GARCIA, Denise. O trabalho musical em 'Kelbilim o cão da divindade'. Sala Preta (USP), São Paulo, v. 01, n.05, p. 101-109, 2005.

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