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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Amilcar de Castro

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.05.2022
08.06.1920 Brasil / Minas Gerais / Paraisópolis
21.11.2002 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Reprodução fotográfica Itaú Cultural

Sem Título, 2000
Amilcar de Castro
Litogravura

Amilcar Augusto Pereira de Castro (Paraisópolis, Minas Gerais, 1920 – Belo Horizonte, Minas Gerais, 2002). Escultor, gravador, desenhista, diagramador, cenógrafo, professor. Um dos principais artistas plásticos brasileiros do século XX, Amilcar de Castro promoveu inflexões radicais e inovadoras no campo da escultura e da geometria, tornando-se r...

Texto

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Amilcar Augusto Pereira de Castro (Paraisópolis, Minas Gerais, 1920 – Belo Horizonte, Minas Gerais, 2002). Escultor, gravador, desenhista, diagramador, cenógrafo, professor. Um dos principais artistas plásticos brasileiros do século XX, Amilcar de Castro promoveu inflexões radicais e inovadoras no campo da escultura e da geometria, tornando-se referência incontornável para essa forma de expressão artística, tanto no Brasil quanto no mundo.

Muda-se com a família para Belo Horizonte em 1935 e estuda na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), entre 1941 e 1945. A partir de 1944, frequenta a Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, onde participa curso livre de desenho e pintura com Guignard (1896-1962). Com o professor, aprende a usar o lápis duro, o que exige firmeza no traço. Estuda escultura figurativa com Franz Weissmann (1911-2005). No fim da década de 1940, assume alguns cargos públicos, que logo abandona, assim como a carreira de advogado.  

Artisticamente, dá-se a passagem do desenho para a tridimensionalidade. Em 1952, muda-se para o Rio de Janeiro e trabalha como diagramador em diversos periódicos, com destaque para a reforma gráfica realizada no Jornal do Brasil. Depois de entrar em contato com a obra do artista suíço Max Bill (1908-1994), realiza sua primeira escultura construtiva, exposta na 2ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1953. Participa de exposições do grupo concretista, no Rio de Janeiro e em São Paulo, em 1956, e assina o Manifesto neoconcreto em 1959.

Em sua escultura, em vez de adicionar ou subtrair matéria, parte de um plano (circular, retangular, quadrado etc.) que é cortado e dobrado, formando um objeto tridimensional articulado por intenso diálogo com o espaço. Sem fragmentar a matéria, a separação provocada pelos cortes e dobras mantém a unidade interna da escultura. A ausência da solda, o que lhe daria um caráter artificial, e a resistência do ferro à ação do homem, devido à espessura das placas, convivem com a presença do tempo que o encardido da ferrugem explicita. Se os concretistas, sobretudo Max Bill, partem de uma ideia e sublimam a matéria de que é feita a escultura, Amilcar de Castro mantém sua ligação com o solo e com a natureza. 

Em 1960, participa da Mostra Internacional de Arte Concreta, organizada em Zurique por Max Bill. Em 1968, vai para os Estados Unidos, conjugando bolsa de estudo da Guggenheim Memorial Foundation com o prêmio de viagem ao exterior obtido na edição de 1967 do Salão Nacional de Arte Moderna (SNAM). Nesse período, realiza algumas esculturas que partem de anéis, chapas e fios de aço. Essas peças, às quais não dá sequência, possuem diferentes pontos de equilíbrio no solo. 

De volta ao Brasil, em 1971, fixa residência em Belo Horizonte. Torna-se professor de composição e escultura da Escola Guignard, na qual trabalha até 1977, inclusive como diretor. Entre as décadas de 1970 e 1980, leciona na Faculdade de Belas Artes da UFMG. Nesse período, retoma intensamente o desenho e dá continuidade à escultura anterior ao período americano. Em seus desenhos – ligados profundamente ao trabalho escultórico e à litografia que desenvolve nos anos 1990 –, seu gesto se acentua e alguns permitem diversas posições e configurações (o artista inclusive assina em vários lados). A organização do espaço surge neles sem um projeto anterior, como se pode ver na fluidez de seu gesto e do rastro da pincelada. Em parte de suas últimas esculturas, não realiza dobras, mas apenas cortes em espessas paredes de ferro que deixam a luz passar. Em algumas, liberta um sólido móvel, mas resguarda a unidade que o corte a princípio teria desfeito. É a sutil justaposição desse sólido ao plano que mantém a possibilidade de sua integração ao todo. 

Em 1990, aposenta-se da docência e passa a dedicar-se com exclusividade à atividade artística. Em 1999, apresenta trabalhos novos em exposição realizada no Centro de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, em que respeita o limite de resistência das lajes do histórico edifício. Ao lado do prédio, na praça Tiradentes, expõe um conjunto de peças monumentais. Em suas últimas esculturas, afastado da ortodoxia construtiva, não parte de figuras geométricas regulares que caracterizam um período de sua produção.

Há muito tempo fora da base, suas obras se estendem horizontalmente no solo e dialogam com a paisagem. Num percurso de cerca de cinco décadas, Amilcar de Castro experimenta infinitas possibilidades do plano. Resistente ao excesso de racionalismo, suas dobras tornam a geometria maleável e mais humana.

Obras 99

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Registro fotográfico Sérgio Guerini/Itaú Cultural

Carranca

Ferro recortado
Reprodução fotográfica Sergio Guerini/Itaú Cultural

Coluna

Aço sac 41
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Sem Título

Aço corten

Exposições 418

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Feiras de arte 2

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Mídias (1)

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Amilcar de Castro - Enciclopédia Itaú Cultural
“Gosto do que é simples, o mais direto. Não só na escultura, como em tudo”, diz o mineiro Amilcar de Castro, que leva sua objetividade quase matemática para obras com formas geométricas tridimensionais, feitas principalmente em chapas de ferro retorcidas e dobradas, sem solda, para manter sua estrutura. Essas obras chegam a ter 8 metros de diâmetro e 24 toneladas, caso de um projeto para o antigo bairro Hellersdorf, na extinta Berlim Oriental, que começou de um desenho em preto e branco, como tudo o que o artista produz: “para mim, o desenho é só um exercício gráfico”, explica. Castro começou figurativo, produzindo cabeças, mãos e dorsos em materiais como arame, gesso e barro, para depois passar para a arte abstrata e gráfica, utilizando inicialmente o cobre e, depois, as chapas de ferro: “Gosto do ferro, da cor do ferro, é fácil de trabalhar, não há mistério”, conta.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 53

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  • 10 escultores. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1989. [12] p., il. p&b.
  • 10 escultores. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1989. [12] p., il. p&b. SPgara 1989
  • 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • 4X minas. Rio de Janeiro: MAM, 1993. 48 p., il. color. CAT-G RJmam 1993/q
  • 4X minas. Texto Marcus de Lontra Costa, Angelo Oswaldo, Philippe Cyroulnik, Ferreira Gullar, Roberto Pontual, Márcio Sampaio; produção Marisa Guimarães; tradução Maurício Fernandes. Rio de Janeiro: MAM, 1993. 48 p., il. color.
  • AMARAL, Aracy (org.). Arte construtiva no Brasil - Constructive art in Brazil. Tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Companhia Gráfica Melhoramentos: DBA Artes Gráficas, 1998. (Coleção Adolpho Leirner).
  • AMARAL, Aracy (org.). Arte construtiva no Brasil - Constructive art in Brazil. Tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Companhia Gráfica Melhoramentos: DBA Artes Gráficas, 1998. (Coleção Adolpho Leirner). 709.04057 A786
  • AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na arte (1950-1962). Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna; São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1977.
  • AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na arte (1950-1962). Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna; São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1977. 709.8104 M986p
  • AMARAL, Aracy et al. Modernidade: arte brasileira do século XX. São Paulo: MAM; Paris: Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, 1988.
  • AMARAL, Aracy et al. Modernidade: arte brasileira do século XX. São Paulo: MAM; Paris: Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, 1988. SPmam 1988
  • AMILCAR de Castro: corte e dobra. Texto Tadeu Chiarelli. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. 188 p., il. color.
  • AMILCAR de Castro: corte e dobra. Texto Tadeu Chiarelli. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. 188 p., il. color. ISBN 85-7503-273-9. 730.981 C3552c
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 709.81 A163ar v.1
  • BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 20., 1989, São Paulo, SP. Catálogo geral. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989. v. 1.
  • BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 20., 1989, São Paulo, SP. Catálogo geral. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989. v. 1. 700 BI588sp 20/1989 v.1
  • BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 20., 1989, São Paulo. 20ª Bienal Internacional de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989. Exposição realizada no período de 14 out. a 10 dez. 1989. Disponível em: https://issuu.com/bienal/docs/20___bienal_de_s__o_paulo_-_vol._i_.
  • BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 20., 1989, São Paulo. 20ª Bienal Internacional de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989. Exposição realizada no período de 14 out. a 10 dez. 1989. Disponível em: https://issuu.com/bienal/docs/20___bienal_de_s__o_paulo_-_vol._i_. SPfb 1989
  • BRITO, Ronaldo. Neoconcretismo: vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro. Tradução Lia Wyler. Rio de Janeiro: Funarte, 1985. (Temas e debates, 4).
  • BRITO, Ronaldo. Neoconcretismo: vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro. Tradução Lia Wyler. Rio de Janeiro: Funarte, 1985. (Temas e debates, 4). 709.8104 Br862n
  • CASTRO, Amilcar de. Amilcar de CASTRO : depoimentos. Belo Horizonte: C/Arte, 1999. 95 p., il. color. (Circuito atelier, 5). ISBN 85-87073-12-5. 707 C3552p
  • CASTRO, Amilcar de. Amilcar de CASTRO. Rio de Janeiro: Centro de Arte Hélio Oiticica, 1999. 52 p., 37 il. p&b. color. ISBN 85-86675-08-3. CAT-G C3552a 1999
  • CASTRO, Amilcar de. Amilcar de Castro. Apresentação Helena Severo, Walter Nunes de Vasconcelos Junior, Vanda Mangia Klabin; texto Ronaldo Brito, Amilcar de Castro; curadoria Ronaldo Brito; fotografia Cassio Vasconcellos, Eduard Krajewski, Eduardo Eckenfels, Elizabeth Jobim, Romulo Fialdini, Vanda Mangia Klabin; edição Ronaldo Brito, Vanda Mangia Klabin, Sula Danowski; tradução Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Centro de Arte Hélio Oiticica, 1999. 52 p., 37 il. p&b. color.
  • CASTRO, Amilcar de. Amilcar de Castro. Goiânia: Fundação Jaime Câmara, 1998. [16 p.], il. color. C3552a 1998
  • CASTRO, Amilcar de. Amilcar de Castro. Rio de Janeiro: Galeria Paulo Klabin, [198 -?]. [8 p.], il. p&b. C3552 [198-?]
  • CASTRO, Amilcar de. Amilcar de Castro. São Paulo: Galeria de Arte Paulo Vasconcelos, 1988. [8] p., il. p&b. C3552 1988
  • CASTRO, Amilcar de. Amilcar de Castro: depoimentos. Belo Horizonte: C/Arte, 1999. 95 p., il. color. (Circuito atelier, 5).
  • CASTRO, Amilcar de. Amílcar de Castro. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1989. 1 folha dobrada, 1 il. color. Não catalogado
  • DEZ artistas mineiros. São Paulo: MAC/USP, 1984. [12] p., il. p&b.
  • DEZ artistas mineiros. São Paulo: MAC/USP, 1984. [12] p., il. p&b. SPmac 1984
  • GRAVURA: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000.
  • GRAVURA: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000. IC 769 G777
  • LEIRNER, Sheila; WILDER, Gabriela Suzana (Curad.). Em busca da essência: elementos de redução na arte brasileira. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1987.
  • LEIRNER, Sheila; WILDER, Gabriela Suzana (Curad.). Em busca da essência: elementos de redução na arte brasileira. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1987. SPfb 1987
  • LOUZADA, Maria Alice do Amaral. Artes plásticas Brasil 1995: seu mercado, seus leilões. São Paulo: Júlio Louzada, 1995. v. 7. R702.9 L895a v.7
  • LOUZADA, Maria Alice do Amaral. Artes plásticas Brasil 1999. São Paulo: Júlio Louzada, 1999. v. 11. R702.9 L895a v. 11
  • NAVES, Rodrigo. A Forma difícil : ensaios sobre arte brasileira. São Paulo: Ática, 1996. 285 p., il. color. ISBN 85-08-06122-6. 709.81 N323f
  • NAVES, Rodrigo. A Forma difícil: ensaios sobre arte brasileira. São Paulo: Ática, 1996. 285 p., il. color.
  • PERFIL da Coleção Itaú. Curadoria Stella Teixeira de Barros. São Paulo: Itaú Cultural, 1998. IC 708 P438 1998
  • PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973.
  • PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973. 709.8104 P818a
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987. 709.8104 Cg492pr
  • PRECISÃO: Amilcar de Castro, Eduardo Sued, Waltercio Caldas. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. 79 p., il. p.b. color. CAT-G RJccbb 1994
  • PRECISÃO: Amilcar de Castro, Eduardo Sued, Waltercio Caldas. Traducao Alita Kraiser. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. 79 p., il. p.b. color.
  • RIBEIRO, Marília Andrés (org.); SILVA, Fernando Pedro da (org.). Um século de história das artes plásticas em Belo Horizonte. Belo Horizonte: C/Arte, 1997. (Centenário). 709.8151 S446
  • TASSINARI, Alberto (org.). Amilcar de Castro. Versão em inglês Oswaldo S. Costa. São Paulo: Tangente, 1991. (Goeldi).
  • TASSINARI, Alberto (org.). Amilcar de Castro. Versão em inglês Oswaldo S. Costa. São Paulo: Tangente, 1991. (Goeldi). 730.981 C3552t
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999. IC 730.981 T824
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1. 709.81 H673 v.2

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