Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Pedro Luiz Correia de Araújo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.09.2021
1874 França / Ile de France / Paris
1955 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Mulher de Pescador, 1941
Pedro Luiz Correia de Araújo
Óleo sobre madeira
30,00 cm x 43,00 cm

Pedro Luiz Correia de Araújo (Paris, França, 1874 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,1955). Pintor, desenhista e professor. De família tradicional pernambucana, é educado em Recife, onde se forma em Direito. Abandona a carreira jurídica e vai a Paris no início do século XX para estudar arte. Afasta-se dos métodos acadêmicos e torna-se autodidata. ...

Texto

Abrir módulo

Biografia

Pedro Luiz Correia de Araújo (Paris, França, 1874 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,1955). Pintor, desenhista e professor. De família tradicional pernambucana, é educado em Recife, onde se forma em Direito. Abandona a carreira jurídica e vai a Paris no início do século XX para estudar arte. Afasta-se dos métodos acadêmicos e torna-se autodidata. Aproxima-se de artistas ligados a diferentes vertentes da vanguarda do período, como o pintor Maurice Denis (1870-1943), a quem substitui por breve período, em 1917, na direção da Académie Ranson. Fundada em 1908, essa escola é conhecida por ter como professores artistas, ligados ao movimento Nabi e à estética simbolista. Ainda em Paris, estabelece, em 1918, uma escola de arte, na qual introduz estudos de geometria plástica e cromática.

Quando vem pela segunda vez ao Brasil, em 1929, radica-se na cidade do Rio de Janeiro, onde mantém ateliê e leciona pintura. Participa do Salão Revolucionário de 1931 com trabalhos desenvolvidos entre 1911 e 1930. Contribui na organização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, criado em 1937, tornando-se um de seus principais especialistas. Entre 1935 e 1937, leciona no Instituto de Arte da Universidade do Distrito Federal. No Salão Nacional de Belas Artes de 1947, expõe um quadro-objeto, obra que chama atenção do público. Em 1952, participa do 1º Salão Nacional de Arte Moderna e da Exposição de Artistas Brasileiros, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Mantém durante alguns anos coluna de crítica de arte no jornal carioca Correio da Manhã.

Análise

Ainda pouco conhecida e estudada, a obra de Pedro Luiz Correia de Araújo insere-se nos debates artísticos nacionais e internacionais de sua época, procurando relacionar-se com ambos. Uma leve deformação no desenho, enfatizada pelo destaque das linhas de contorno das figuras, e uma construção sempre artificial da luz conferem um aspecto de irrealidade a obras como Les Fantoches (1935), aproximando-as do que o crítico alemão Franz Roh (1890-1965) chama, em 1925, “realismo mágico”1.

Também naturezas-mortas com títulos alegóricos, como Eterno Problema (1937), sugerem diálogos com artistas do Novecento italiano. Por um lado, isso mostra que está atento a determinadas vertentes artísticas internacionais. Por outro, indica que em diversos trabalhos procura participar, ainda que tardiamente, do debate local acerca das possibilidades de uma arte nacional. Pinturas como Mulata e os Arcos 1940, sem abrir mão da referência estética àquelas vertentes, aproximam-se das pesquisas por um tipo humano capaz de representar alegoricamente o Brasil, empreendidas também em obras de Candido Portinari (1903-1962) e Di Cavalcanti (1897-1976).

A representação da nação aparece na escolha étnica das figuras e nas cores verde e amarelo dos trajes que vestem muitas de suas mulheres brasileiras. Também na luz verde e amarela, que banha a figura central do quadro Pureza (1938): uma mulata nua, alegoria da pureza brasileira.

Nota

1 ROH, Franz. Realismo mágico. In: Post expresionismo: problemas de la pintura Europea mas reciente; trad. Fernando Vela. Madrid: Revista de Occidente, 1927.

Obras 8

Abrir módulo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Banhista

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Cabocla

Óleo sobre cartão
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Football

Óleo sobre madeira
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Modelo de Verde

Óleo sobre madeira

Exposições 15

Abrir módulo

Feiras de arte 1

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 11

Abrir módulo
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Rio de Janeiro: Spala, 1992. 2v.
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • EXPOSIÇÃO de Artistas Brasileiros. Rio de Janeiro: MAM, 1952.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • KLINTOWITZ, Jacob. Pedro Luiz Correia de Araújo. São Paulo: Galeria de Arte André, 1981.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • SÃO PAULO (ESTADO). SECRETARIA DA CULTURA. Pintores Italianos no Brasil. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo. Secretaria de Estado da Cultura/Sociarte, 1982.
  • TRADIÇÃO e ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1984.
  • UNIVERSO do futebol uma reflexão sobre os significados sociológicos e estéticos do futebol no contexto da cultura brasileira. Rio de Janeiro: MAM, 1982.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: