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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Raphael

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.04.2017
1912 Brasil / São Paulo / São Paulo
1979 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Sem Título, 1949
Raphael
Óleo sobre cartolina, c.i.e.
34,00 cm x 48,00 cm

Raphael Domingues Filho (São Paulo, São Paulo, 1912 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1979). Desenhista, pintor. Na infância, vive com a família no Rio de Janeiro. Na adolescência, estuda no Liceu Literário Português, onde freqüenta aulas de desenho acadêmico. Paralelamente, trabalha como desenhista de cartaz, publicidade e decoração. Nessa époc...

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Biografia

Raphael Domingues Filho (São Paulo, São Paulo, 1912 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1979). Desenhista, pintor. Na infância, vive com a família no Rio de Janeiro. Na adolescência, estuda no Liceu Literário Português, onde freqüenta aulas de desenho acadêmico. Paralelamente, trabalha como desenhista de cartaz, publicidade e decoração. Nessa época, é premiado num concurso de desenho promovido pela multinacional norte-americana Standard Oil Company. Aos 15 anos, apresenta os primeiros sintomas de esquizofrenia. Continua produzindo obras figurativas de feição realista, às vezes utilizando os familiares como modelo. Em 1932, é internado no Hospital da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, sendo transferido em seguida para o Hospital Psiquiátrico Pedro II, no bairro do Engenho de Dentro. Nessa instituição, em 1946, a médica psiquiatra Nise da Silveira cria a Seção de Terapêutica Ocupacional - STOR, na qual, entre outras atividades, estabelece uma oficina de artes plásticas. Raphael passa a freqüentar o ateliê e a desenhar com orientação do artista plástico Almir Mavignier (1925). No início, seus trabalhos se restringem a séries de linhas cruzadas formando pequenos quadrados. Ainda nos anos 1940, começa a traçar figuras, sobretudo rostos e objetos domésticos como vasos e chaleiras. Os desenhos não denotam técnica acadêmica, mas se destacam pelo caráter ornamental combinado à linha contínua traçada com precisão e segurança. Algumas obras são coloridas e têm o fundo pintado com manchas. Participa, em 1947, da exposição dos internos do Engenho de Dentro, no Ministério da Educação e da Saúde do Rio de Janeiro, evento que chama a atenção de críticos como Mário Pedrosa (1900 - 1981), Sérgio Milliet (1898 - 1966) e Antonio Bento. Raphael integra a mostra 9 Artistas do Engenho de Dentro, no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP, em 1949. Após Almir Mavignier transferir-se para a Europa, em 1951, Raphael volta a desenhar séries repetidas de hachuras. Em 1968, o contato com a monitora Martha Pires Ferreira estimula novamente sua produção gráfica, e ele volta a figurar rostos humanos, animais e flores. Pedrosa organiza a exposição retrospectiva Raphael: Desenhos, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, em 1980.

Análise

No fim dos anos 1940, os trabalhos dos pacientes da médica psiquiatra Nise da Silveira no ateliê de artes plásticas do setor de terapia ocupacional do Hospital Psiquiátrico Pedro II, no bairro do Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, despertam o interesse de intelectuais e artistas que atuam no Brasil. Por intermédio de Almir Mavignier (1925), monitor do setor de terapia, o hospital passa a ser freqüentado por pintores como Ivan Serpa (1923 - 1973), Abraham Palatnik (1928) e Geraldo de Barros (1923 - 1998). O crítico Mário Pedrosa (1900 - 1981) torna-se um importante colaborador de Nise da Silveira, auxiliando-a na organização de publicações e mostras, além de defender a dimensão artística da produção dos pacientes do Engenho de Dentro em artigos publicados na imprensa. Anos mais tarde, Pedrosa avalia a experiência da oficina de terapia ocupacional como um dos acontecimentos que anteciparam as transformações no ambiente artístico brasileiro provocadas pela 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951.1 Para o crítico, a qualidade estética dessa produção realizada sem formação acadêmica, influencia a renovação do gosto artístico local, bem como a instauração de novos parâmetros para a arte moderna feita no país, até então predominantemente figurativa.

Realizados nesse contexto, os trabalhos de Raphael chamam atenção pelo traço conciso e ao mesmo tempo ornamental. Segundo Nise da Silveira, sua produção é estimulada, sobretudo, pelo vínculo afetivo estabelecido com os monitores Mavignier e Martha Pires Ferreira.2 Em seu percurso, destacam-se os desenhos feitos sob supervisão de Mavignier: obras gráficas de caráter bidimensional nas quais o traço delgado e sinuoso delineia formas vazadas que se alternam com áreas preenchidas com texturas e arabescos.

Na adolescência, quando estuda no Liceu Literário Português, seus desenhos se caracterizam pela ilusão de tridimensionalidade criada pela perspectiva e por técnicas de sombreamento. No ateliê do Engenho de Dentro, embora Raphael parta da observação de rostos ou objetos do cotidiano, como bule e vaso, seus trabalhos não correspondem a uma representação naturalista das aparências. O resultado denota equilíbrio e domínio espacial, pois muitas vezes o desenho é conseqüência de um gesto contínuo. A maior parte é feita com tinta nanquim preta, mas mesmo quando o fundo é coberto com manchas coloridas ou as linhas são desenhadas com pincel largo, predomina o aspecto gráfico.

Notas

1. PEDROSA, Mário. A Bienal de cá para lá. In: ______. Forma e percepção estética: textos escolhidos II. São Paulo: Edusp, 1996. p. 252.

2. SILVEIRA, Nise da. O mundo das imagens. São Paulo: Ática, 1992. p. 37.

 

Obras 3

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Sem Título

Óleo sobre papel
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Sem Título

Óleo sobre cartolina
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Sem Título

Óleo sobre cartolina

Exposições 7

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Fontes de pesquisa 7

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  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • GULLAR, Ferreira. Relâmpagos: dizer o ver. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. 176 p., il. p&b color.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Imagens do inconsciente. Curadoria Nise da Silveira, Luiz Carlos Mello; tradução John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • MUSEU de Imagens do Inconsciente. Rio de Janeiro: Fundação Nacional de Arte. Instituto Nacional de Artes Plásticas, 1980. 192 p., il. p&b, color. (Museus Brasileiros 2).p.], il. p.b.
  • PEDROSA, Mário. A Bienal de cá para lá. In: ______. Forma e percepção estética: textos escolhidos II. Organização Otília Beatriz Fiori. São Paulo: Edusp, 1996. 368 p., il. p&b color.
  • RAPHAEL. Raphael: desenhos. Texto Mário Pedrosa. Rio de Janeiro: MAM, 1980. [8.
  • SILVEIRA, Nise da. O Mundo das imagens. São Paulo: Ática, 1992. 165 p., il. p&b. color.

Como citar

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