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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Mugnaini

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
16.05.1895 Brasil / São Paulo / São Paulo
25.05.1975 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Velho Casarão, 1961
Mugnaini
Óleo sobre tela, c.i.e.

Túlio Mugnaini (São Paulo SP 1895 - idem 1975). Pintor, decorador e professor. Em 1910 começa a estudar no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo - Laosp. Trabalha como decorador com Gino Catani, colaborando nos trabalhos para as igrejas de Santa Cecília e de Santa Ifigênia. Realiza sua primeira exposição individual em 1913, na qual são apresenta...

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Biografia
Túlio Mugnaini (São Paulo SP 1895 - idem 1975). Pintor, decorador e professor. Em 1910 começa a estudar no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo - Laosp. Trabalha como decorador com Gino Catani, colaborando nos trabalhos para as igrejas de Santa Cecília e de Santa Ifigênia. Realiza sua primeira exposição individual em 1913, na qual são apresentadas paisagens paulistanas e retratos. Em 1914 viaja para a Europa. Reside em Florença e recebe orientação de Filadelfo Simi (1849 - 1923). Pinta nesse período muitas paisagens dos arredores de Florença. Muda-se para Roma em 1916, onde cursa a Academia Joseph Noel e a Academia Franla. Expõe duas telas no salão anual do Circolo Artistico de Roma. Retorna ao Brasil em 1920 e expõe 60 quadros na Câmara Portuguesa, 20 deles de paisagens. Volta a Roma poucos meses depois. Lá recebe a notícia da obtenção da pensão do governo do Estado de São Paulo e parte para Paris. Na Académie Julian, é aluno de Paul Albert Laurens (1870 - 1934), Marcel Bachet e Henry Royer. Participa de vários salões franceses, em geral com telas de figuras femininas. Em 1925 regressa ao Brasil. Realiza mostra com sua produção européia. Pleiteia e obtém a prorrogação por mais dois anos de sua bolsa, retornando a Paris em 1926. Viaja pela costa da França e pela Espanha. Conhece a Córsega, para onde volta várias vezes para pintar marinhas. Em 1928 retorna ao Brasil e passa dar aulas de pintura. Integra a exposição do Grupo Almeida Júnior em 1929, e no ano seguinte instala seu ateliê no 3º andar do Palacete Santa Helena. A convite do arquiteto Georg Przyrembel (1885 - 1956), realiza, de 1932 a 1934, pinturas de cenas do Evangelho para a decoração do forro da nova Igreja do Carmo. De 1944 a 1965, é diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp. Ao longo de sua carreira, colabora em jornais e revistas. Em São Paulo, leciona por quase 30 anos em seu ateliê, no bairro da Vila Mariana, e no Palacete Santa Helena.

Comentário crítico
Nascido numa família de artistas-artesãos, desde criança Mugnaini se interessa pela pintura. Por causa das encomendas recebidas pelo pai, pintor e decorador, ele passa a infância pelo interior de São Paulo, em cidades como Campinas, Leme, Mogi-Mirim, Tatuí e Avaré.

No período em que mora na Europa, enfrenta dificuldades financeiras, em decorrência da Primeira Guerra Mundial, 1914-1918, por isso envia regularmente pinturas para que seu pai as comercialize em exposições, como as realizadas na Casa Aurora, em 1916, e na Casa Editora O Livro, em 1919, ambas em São Paulo. Em Paris, costuma se reunir com colegas brasileiros como José Wasth Rodrigues (1891 - 1957), Monteiro França (1875 - 1944) e Alípio Dutra (1892 - 1964). Segue-se um período de intensa produção e participação em exposições. Integra o salão da Sociedade dos Artistas Franceses em 1921, 1922, 1923 e 1925 e o salão da Sociedade Nacional de Belas-Artes de Paris, de 1923. Em 1924 ocorre outra exposição sua em São Paulo, na residência de seu pai. Em 1925, expõe na Galeria Marsan em Paris cerca de 30 obras, a maioria paisagens da região da Provença. Retornando à França em 1926, após breve passagem por São Paulo, expõe no Salon de Paris, em 1927, e no Salon des Indépendents em 1928.

A estada em Paris altera sua paleta, que fica marcada pelas tonalidades diluídas e suaves. Segundo a pesquisadora Ruth Tarasantchi, Tarsila do Amaral (1886 - 1973), que convive com Mugnaini em Paris, testemunha o entusiasmo do artista pelo impressionismo naquele período. Seus quadros trazem grande luminosidade e uma aplicação da tinta em camadas espessas, deixando o desenho em segundo plano. Esse estilo faz com que tenha problemas de aceitação quando retorna ao Brasil, criticam-lhe as cores claras e o processo francês que utiliza. Mário de Andrade (1893 - 1945), por exemplo, não aprecia os trabalhos de Mugnaini. Embora reconheça sua técnica e a qualidade dos efeitos alcançados por sua pintura, não se conforma com a falta de preocupação com a composição.

De todo modo, a volta ao Brasil parece ter forçado uma adaptação em sua produção. Como era comum acontecer com os artistas que iam para a Europa, as pinturas de Mugnaini parecem para o contexto local demasiado européias, num momento em que, incentivado pelo movimento nacionalista, cresce o interesse plástico por temáticas brasileiras. Provavelmente influenciado por esse ambiente, na década de 1930 viaja para Sabará e Ouro Preto, em Minas Gerais, e produz quadros de temática local, de um colorido mais vibrante, paisagens com casas e fazendas do interior iluminadas por um sol forte.

É nesse clima de valorização do nacionalismo nas artes que desponta no meio paulistano a célebre desavença entre Mugnaini e Clodomiro Amazonas (1883 - 1953). Longas cartas trocando ofensas são publicadas nos jornais, dividindo os artistas entre adeptos de Clodomiro Amazonas - que julgava que Mugnaini, por ser filho de italianos e ter estudado na Europa, não era um pintor brasileiro - e defensores de Mugnaini.

Definitivamente no Brasil em 1928, participa ativamente do movimento artístico paulista, fazendo-se presente também no meio carioca. De 1936 a 1939, realiza anualmente exposições na Casa das Arcadas, com pintura de paisagens, figuras, flores, marinhas e naturezas-mortas. A quantidade de exposições, a constância das premiações e a relativa freqüência com que suas obras são vendidas indicam um progressivo processo de aceitação do meio cultural local de seus trabalhos e de acomodação de sua produção às preferências em voga. Passa a gozar de reconhecimento como pintor paisagista, de marinhas, naturezas-mortas e retratos.

Depois da fase parisiense, não se verificam grandes mudanças em sua produção. Pelas temáticas e pelo tratamento, pode-se considerar que sua pintura é de fácil compreensão e não apresenta impulsos inovadores. Seu principal objeto é a luz. Sempre há em seus trabalhos uma preocupação com a luz e com as cores, mais do que com a composição e o desenho.

Paralelamente à sua atuação como artista, destaca-se seu papel como diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp, no período de 1944 a 1965. É também presidente do Salão Paulista de Belas Artes, depois de ter sido membro de comissões de seleção e organização desde 1944. Os prêmios recebidos na década de 1950 e 1960 - como o 1º prêmio de pintura do governo do Estado de São Paulo, em 1957, os prêmios da prefeitura de São Paulo, em 1959 e 1968, e o da Assembléia Legislativa do Estado, em 1960 - atestam sua consagração como artista e homem público.

Obras 4

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Paisagem

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Velho Casarão

Óleo sobre tela

Exposições 78

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Fontes de pesquisa 15

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  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997. xxxxxx
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • CAMARGO, Armando de Arruda; LÔBO, Hélio de Sá; AZEVEDO, João da Cruz Vicente de (Orgs.). A paisagem brasileira: 1650-1976. São Paulo: Sociarte: Paço das Artes, 1980.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5). R703.0981 C376d v.3 pt. 2
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. xxxxxx
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. xxxxxx
  • LOUZADA, v.1-9. xxxxxx
  • PINACOTECA do Estado - São Paulo. Apresentação de Fábio Magalhães. Texto de Aracy Amaral. Rio de Janeiro: FUNARTE; São Paulo: Secretaria Estadual de Cultura, 1982. (Museus brasileiros, 6).
  • PINTORES contemporâneos de São Paulo. S.l.: [s.n.], s.d.
  • PINTORES contemporâneos de São Paulo. S.l.: [s.n.], s.d. 759.98106 P659
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).

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