Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Tereza Costa Rêgo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.01.2021
28.04.1929 Brasil / Pernambuco / Recife
26.07.2020 Brasil / Pernambuco / Recife
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Interior com Mulher Nua Deitada, 1988
Tereza Costa Rêgo
Acrílica em compensado naval, c.i.e.

Tereza Costa Rêgo (Recife, Pernambuco, 1929 – Idem, 2020). Artista plástica e gestora pública. Representante do figurativismo pernambucano, utiliza a pintura para representar o universo feminino, questões políticas e históricas, aliada a questões autobiográficas.

Texto

Abrir módulo

Tereza Costa Rêgo (Recife, Pernambuco, 1929 – Idem, 2020). Artista plástica e gestora pública. Representante do figurativismo pernambucano, utiliza a pintura para representar o universo feminino, questões políticas e históricas, aliada a questões autobiográficas.

Inicia sua formação como artista em 1944, no curso de pintura da Escola de Belas Artes de Pernambuco (Ebap). Em 1965, muda-se para São Paulo e realiza o bacharelado em história na Universidade de São Paulo (USP). Em virtude da ditadura militar, passa a viver no Chile em 1972 e, posteriormente, na França, onde realiza um curso de pós-graduação em história na École des Hautes Études en Sciences Sociales [Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais] da Sorbonne. Durante os anos no exterior, vive clandestinamente usando o pseudônimo de “Joanna Arruda”, com o qual assina as pinturas produzidas na época.

Com a Lei da Anistia, retorna ao Brasil em 1979 e vai viver em Olinda, mergulhando na vida de artista. Faz mestrado em história na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em que desenvolve uma pesquisa sobre a comunidade artística de Olinda, e exerce diversos cargos públicos ligados à cultura. No ano de 1989, assume a diretoria do Museu do Estado de Pernambuco (Mepe), no Recife, onde trabalha por dez anos. À frente dele, ressalta a temática indígena presente em obras do acervo, como no 42º Salão Infantil de Arte (1993), que foca a arte indígena Karajá. Em 2009, assume a diretoria do Museu do Mamulengo – Espaço Tiridá, em Olinda.

A década de 1980 demarca o início de uma nova fase do trabalho artístico de Tereza. Suas experiências na Brigada Portinari e no coletivo da Oficina Guaianases de Gravura trazem elementos novos para sua prática. Na Brigada Portinari, une-se a outros artistas para pintar os muros de Recife e Olinda durante as eleições. Vivencia a política por meio da arte e passa a pintar em grandes dimensões. Integra o coletivo da Oficina Guaianases de Gravura de 1983 a 1995, onde entra em contato com novas técnicas e materiais.

O universo infantil é um dos temas retratados em suas obras, representando a infância solitária da artista: são crianças brincando sozinhas com brinquedos ou animais de estimação, como na pintura Boneca (1984). Outro tema recorrente é o universo feminino, cuja construção se dá por meio de imagens de mulheres desnudas e independentes, trabalhadas por um figurativismo lírico e nostálgico, em que também se manifestam traços autobiográficos. 

Na série Imaginário do Bordel – o Parto do Porto (2003), Tereza faz a releitura de lembranças de sua infância, dos diálogos de seus irmãos. O intuito não é tratar objetivamente dos bordéis recifenses, mas representar um universo erótico e fantasioso: “(...) eu nunca entrei em um bordel. Não por preconceito ou censura, mas – ao contrário – pra não matar o encanto que tanto fascinou as noites de minha infância”1. Na tela Bairro do Recife (1992), retrata prostitutas sensuais, rodeadas por felinos, frutas e licores, em um ambiente aconchegante e voluptuoso, veneradas em tom respeitoso por um cavalheiro que oferece um buquê de flores.

Um dos recursos presentes em suas obras é a colagem, como na pintura A Partida (1981), em que preenche o fundo da tela com bilhetes escritos pelo marido. A citação de um elemento já trabalhado em outro quadro também é comum, como em Natureza Morta (2008), em que reproduz uma pintura assinada por ela no interior de outra obra. Outro recurso recorrente é a hibridização entre texto e imagem, como na exposição Diário das Frutas (2013), realizada no Centro Cultural Correios do Recife, em que une a pintura às crônicas do escritor pernambucano Bruno Albertim. As cores quentes também são características marcantes de suas pinturas, embasadas em camadas de tons vermelhos sobre o suporte pintado de preto. A estrutura cromática comunica uma atmosfera pictórica dramática, que reflete a poética de sua prática artística.

Em algumas produções, Tereza Costa Rêgo apresenta de forma mais contundente reflexões políticas aliadas à pesquisa histórica. Na série Sete Luas de Sangue (2000), exibida no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam/Recife), a artista elenca sete marcos da história do Brasil para representar, simbolicamente, em sete painéis de grandes dimensões, a identidade nacional. Na pintura Zumbi dos Palmares ou Herdeiros da Noite (1993), trata da escravidão; em A Gênese ou Massacre dos Índios (1997), representa a dizimação dos povos indígenas; em O Ovo da Serpente – Problemas da Terra (1999), retrata a questão da reforma agrária; em Pátria Nua – Ceia Larga Brasileira (1999), critica a classe política nacional.

Outras obras icônicas da artista são Apocalipse de Tereza (2009), um painel de 12 x 2,2 metros, em que elementos religiosos e mitológicos representam a história da civilização; e Mulheres de Tejucupapo (2015), em que reflete sobre política e o feminino ao interpretar um dos mitos da história nacional e pernambucana: a expulsão dos holandeses no Brasil, que acontece em um vilarejo de Pernambuco, em uma batalha liderada por mulheres.

A atuação de Tereza Costa Rêgo como pintora e gestora pública contribui com a circulação das artes brasileira e pernambucana. Suas representações sobre a figura feminina e a história nacional, aliadas a diferentes recursos técnicos e autobiográficos, colaboram com os estudos sobre a identidade brasileira e a representatividade das mulheres nas artes visuais.

 

Nota:

1. RÊGO, Tereza Costa. Bordel imaginário – o parto do porto. In: CATÁLOGO da exposição individual “Imaginário do Bordel – O parto do Porto”. Recife: Espaço Cultural Bandepe do Recife, 2003. p. 6.

Obras 2

Abrir módulo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Interior I

Acrílica sobre hardboard

Exposições 27

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 25

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: