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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Teófilo de Jesus

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 18.01.2021
1758 Brasil / Bahia / Salvador
1847 Brasil / Bahia / Salvador
Reprodução fotográfica Autoria desconhecida

América, 0019
Teófilo de Jesus
Óleo sobre tela
82,00 cm x 65,00 cm

José Teófilo de Jesus (Salvador BA 1758 - idem 1847). Pintor, dourador, encarnador. Pardo e forro, torna-se discípulo de José Joaquim da Rocha (1737 - 1807), em meados do século XVIII, ajudando-o na pintura e douramento de figuras secundárias de tetos e painéis. Auxiliado pelo mestre, viaja para Portugal no ano de 1794, onde freqüenta a Academia...

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Biografia
José Teófilo de Jesus (Salvador BA 1758 - idem 1847). Pintor, dourador, encarnador. Pardo e forro, torna-se discípulo de José Joaquim da Rocha (1737 - 1807), em meados do século XVIII, ajudando-o na pintura e douramento de figuras secundárias de tetos e painéis. Auxiliado pelo mestre, viaja para Portugal no ano de 1794, onde freqüenta a Academia do Desenho, ou do Nu, na cidade de Lisboa, tendo como professor o pintor Pedro Alexandrino de Carvalho (1729 - 1810). Durante a estada nessa cidade, Teófilo de Jesus tem oportunidade de observar as pinturas que Pompeo Batoni (1708 - 1787) realiza entre os anos de 1781 e 1784 para a ornamentação da capela-mor da Basílica e Convento da Estrela. A data do seu retorno ao Brasil é incerta e pode ser situada entre os anos de 1797 e 1801. Os primeiros registros de suas atividades no país realizadas após a viagem datam de 1802, ano em que executa uma série de quatro painéis para a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, na cidade de Salvador. Ao longo de sua carreira, executa inúmeras pinturas nessa cidade, dentre elas: os forros das naves das Igrejas da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo (1817) e da Igreja dos Órfãos de São Joaquim (ca.1823); os painéis laterais dos altares da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco (1845); e vinte e três retratos para o Convento da Piedade, hoje existentes na Casa dos Sete Candeeiros. Trabalha também em Sergipe, nas cidades de Maroim, Divina Pastora e Itaporanga d'Ajuda, e em Itaparica, Bahia.

Comentário Crítico
Um dos principais pintores da escola baiana de pintura, José Teófilo de Jesus, pertence ao grupo de artistas remanescentes da colônia, que apresentam, na primeira metade do século XIX, produção híbrida, com elementos do barroco do século anterior, do rococó e, ao mesmo tempo, componentes clássicos. Discípulo predileto do pintor José Joaquim da Rocha (1737 - 1807), inicia sua formação artística ajudando o mestre em suas encomendas. Além da pintura, aprende a encarnação de figuras e o douramento da talha.

Segundo o historiador Carlos Ott, é difícil atribuir alguma obra a Teófilo de Jesus antes de 1794. Nessa data, o artista parte para Portugal, patrocinado por seu mestre. Ingressa na Escola de Belas Artes em Lisboa e freqüenta o curso de Pedro Alexandrino de Carvalho (1729 - 1810), um dos pintores mais requisitados da segunda metade do século XVIII em Portugal, famoso por suas decorações em grandes dimensões e pelo colorido luminoso. Permanece nesse país cerca de quatro anos, sem viajar para outros lugares. Entra em contato com a obra do famoso artista italiano Pompeo Batoni (1708 - 1787) na Basílica da Estrela, em Lisboa.

A estada de Teófilo de Jesus na Europa contribuiu para a ampliação de suas referências artísticas, restritas, no ambiente baiano dos séculos XVIII e XIX, às gravuras e ilustrações e ao modelo de barroco suntuoso de José Joaquim da Rocha. Neste sentido, a viagem concorreu para que o artista se diferenciasse em relação ao mestre, pois, apesar de nunca superá-lo em sua especialidade - a pintura decorativa ilusionista -, destaca-se como exímio pintor de telas e painéis.

De volta ao Brasil, em 1801, recebe da Ordem Terceira de São Francisco da Bahia sua primeira encomenda (quatro painéis atualmente perdidos, terminados em 1802), provavelmente indicado pelo mestre já idoso e sem as mesmas condições de trabalhar. Em 1803 executa quadro do Senhor do Bonfim (desaparecido) para a Santa Casa de Misericórdia da Cidade de Salvador. Entre os anos de 1804 e 1812 não há documentação sobre qualquer trabalho realizado por Teófilo de Jesus. Mas é certo que não ficou inativo, pois dependia da pintura para viver. Muito provavelmente realiza durante esse período pinturas e douramentos em capelas e oratórios particulares. Como nota o pesquisador Jailson B. Trindade, após a morte de José Joaquim da Rocha em 1807, o artista herda a maior parte de sua clientela. Mas como não pode igualar-se ao mestre em pinturas arquitetônicas, começa a propor grandes medalhões centrais, cuja correção do desenho, colorido e viés clássico das faces dos personagens agradam ao restrito público da época.

Seu primeiro trabalho de vulto é realizado para a nova Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, na qual é encarregado do douramento de toda a talha e da pintura do teto (1815-1817). Contrata ajudantes para realizarem o serviço de douramento, dedicando-se quase exclusivamente à pintura do teto em forma de medalhão, com Nossa Senhora do Carmo entregando o escapulário a Santa Tereza D'Avila e São João da Cruz. As figuras são bem pintadas e a composição sugere um movimento suave, contudo não consegue produzir a perspectiva, parecendo que todos os personagens estão no mesmo plano. O artista sabe de suas limitações, mas continua aceitando encomendas para decoração de tetos de igrejas até o fim da vida. Entre eles, destacam-se os forros das naves da Igreja do Recolhimento dos Perdões (1819), em Salvador, da nova Matriz do Santíssimo Sacramento da Ilha de Itaparica (1823) e da Igreja de Nossa Senhora do Pilar (1837), na capital baiana. Há notícias de que o artista tenha trabalhado em igrejas sergipanas.

Em 1823 atinge o auge da fama quando é convidado pelo prefeito de Salvador a retratar o imperador dom Pedro I (1798 - 1834). Entre seus melhores trabalhos com temas religiosos encontram-se os seis painéis para os altares laterais da Igreja da Piedade, nos quais percebe-se a influência de Peter Paul Rubens (1577 - 1640); os seis grandes painéis para sacristia da Igreja do Bonfim (1836-1837), com destaque para a obra Cristo e a Adúltera (ca.1837); as 34 pinturas pequenas para os corredores da mesma igreja (1838-1839). Octogenário, Teófilo apresenta qualidade irregular, principalmente nas telas menores. No entanto, ainda consegue pintar uma de suas melhores obras, Cristo com as Mães e Seus Filhos (ca.1839), na qual o desenho preciso e o colorido delicado estão em perfeita harmonia. Além disso, introduz no fundo da cena uma paisagem, algo incomum na pintura sacra baiana, revelando talvez influência francesa.

Além de retratos e pinturas religiosas, Teófilo de Jesus pinta cenas históricas e alegóricas como, por exemplo, Judith e Holofernes (ca.1835), O Rapto de Helena e o conjunto de alegorias dos quatro continentes (América, África, Ásia e Europa).  Não é possível apurar as datas exatas nem as circunstâncias em que essas obras são feitas (elas pertencem ao Museu de Arte da Bahia, algumas são datadas do início do século XIX). Nessas telas, a riqueza de detalhes das composições e a qualidade do desenho e da cor sinalizam a extensão da capacidade técnica do artista, nada insignificante para o ambiente cultural e econômico da Bahia na primeira metade do século XIX, como nota o historiador Carlos Ott.

Obras 21

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Exposições 11

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Fontes de pesquisa 15

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  • ALVES, Marieta. Dicionário de Artistas e Artífices da Bahia. Salvador: Editora UFBA, 1976. 210 p.
  • ARAÚJO, Emanoel (org.). A Mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. São Paulo, SP: Tenenge, 1988.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • BARREIRO, João. Arte portuguesa: pintura. Lisboa: Edições Excelsior, s.d.
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. O Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia. São Paulo: Banco Safra, 1987. (Banco Safra).
  • O MUSEU de Arte da Bahia. Apresentação Sylvia Meneses de Athayde. [São Paulo]: Banco Safra, 1997. 359 p., il. color.
  • O UNIVERSO mágico do barroco brasileiro. Curadoria Emanoel Araújo. São Paulo: Sesi, 1998. Exposição realizada no período de 30 mar. a 03 ago. 1998.
  • OTT, Carlos. A Escola bahiana de pintura: 1764-1850. Edição Emanoel Araújo. São Paulo: MWM-IFK, 1982. 153 p., il. p&b. color. (Coleçao MWM-IFK).
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
  • VALLADARES, Clarival do Prado, TEIXEIRA, Cid, VALLADARES, Kátia do Prado. Nordeste histórico e monumental. Versão em inglês James Mulholland; prefácio Burle Marx. Salvador: Odebrecht, 1990. v. 4, 518 p., il., color.
  • VALLADARES, Clarival do Prado. Aspectos da arte religiosa no Brasil: Bahia, Pernambuco, Paraiba. Rio de Janeiro: Odebrecht, 1981. 388 p., il. color.

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