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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Raimundo da Costa e Silva

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.06.2017
0018 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
0019

Nossa Senhora do Carmo (painel), 0018
Raimundo da Costa e Silva
Óleo sobre tela

Raimundo da Costa e Silva (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 17--? - Rio de Janeiro Rio de Janeiro? 18--?). Pintor e escultor. Sabe-se muito pouco a respeito de sua vida. Algumas fontes o descrevem como pardo, alto e corpulento e também que é major de ordenanças. Aprende escultura e entalhe com o pai. Executa e decora presépios para a Capela do Li...

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Biografia

Raimundo da Costa e Silva (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 17--? - Rio de Janeiro Rio de Janeiro? 18--?). Pintor e escultor. Sabe-se muito pouco a respeito de sua vida. Algumas fontes o descrevem como pardo, alto e corpulento e também que é major de ordenanças. Aprende escultura e entalhe com o pai. Executa e decora presépios para a Capela do Livramento, no morro do Livramento, e para a Igreja de Santa Teresa, ambas no Rio de Janeiro. Pode ter sido autodidata em pintura. Segundo o crítico José Roberto Teixeira Leite1, são atribuídos a ele as pinturas N. Sra. do Carmo, do Convento do Carmo; a N. Sra. da Conceição, da atual Igreja da Conceição e da Boa Morte; Ceia do Senhor, hoje na Catedral de São Sebastião; o Batismo de Cristo, da Igreja do Santíssimo Sacramento da antiga Sé; e a Sagrada Família, da Igreja de São José, todos no Rio de Janeiro. Ademais, outros autores atribuem a ele o São Sebastião da já demolida Igreja do Castelo; a Sagrada Ceia da Capela Imperial, atual Igreja de N. Sra. do Monte do Carmo; e a N. Sra. da Conceição da Igreja do Hospício, Rio de Janeiro. Parece que ele também realiza pinturas sobre vidro, tendo feito uma para a Capela do Santíssimo Sacramento, Rio de Janeiro. Não nos resta nenhum desses trabalhos. Alguns autores dizem que é igualmente retratista. É tido por membro da Escola Fluminense de Pintura. Consta que falece octogenário.

Análise

Considerado membro da Escola Fluminense de Pintura por todos os autores que escrevem sobre ela2, pouco se sabe além disso sobre Raimundo da Costa e Silva. São-lhe atribuídas diversas pinturas não assinadas. Segundo a tradição, aprende escultura e entalhe com seu pai, mas isso tampouco é documentado. Não se sabe se deixa discípulos. O historiador Antônio da Cunha Barbosa o considera fundador da escola dos coloristas no Brasil. Diz que o pintor se revela, em assuntos sagrados e profanos, profundo pensador e pintor religioso admirável3. Hoje em dia não são conhecidas reproduções de seus retratos. O pintor, crítico, historiador e professor Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806 - 1879) diz que Costa e Silva é "filho do seu próprio entusiasmo, laborioso por gênio, chegou a um grau de talento que o honra"4, sem mais detalhes. Pelas imagens de quadros apresentadas pelo historiador José Roberto Teixeira Leite5, é difícil imaginar, como sugere o historiador José Maria dos Reis Júnior6, que o pintor seja autodidata. De fato, as reproduções de N. Sra. do Carmo e N. Sra. da Conceição apresentam figuras ricamente vestidas, com cabelos e poses de nobreza europeia. A pincelada parece delicada e suave. As cores são harmoniosas, com tons tendendo para o escuro. Outra N. Sra. Da Conceição e uma Virgem do Carmelo, também reproduzidas na referida obra, mostram figuras menos nobres, com o desenho e o colorido bastante suaves.

Notas

1 LEITE, José Roberto Teixeira. Negros, pardos e mulatos na pintura e na escultura brasileira do século XVIII. In: A mão afro-brasileira: significado e contribuição artística e histórica. Organização Emanoel Araújo. São Paulo: Tenenge, 1988, p. 14 e 20.

2 PORTO-ALEGRE, Manuel de Araújo. Memória sobre a antiga Escola fluminense de pintura. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, 1841, v. 3, p. 547 - 557. Disponível em: ; BARBOSA, Antônio da Cunha. Aspecto da arte brasileira colonial. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, 1898, t. LXI, parte I, p. 95 - 154. Disponível em: ; GUIMARÃES, Argeu. História das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Jornal do Commercio, 1918; LEVY, Hannah. A pintura colonial no Rio de Janeiro. In: Pintura e escultura I. São Paulo: FAU/USP: MEC-Iphan, 1978.

3 BARBOSA, Antônio da Cunha, op. cit., p. 105.

4 PORTO-ALEGRE, Manuel de Araújo, op. cit., p. 554.

5 LEITE, José Roberto Teixeira. Negros, pardos e mulatos na pintura e na escultura brasileira do século XVIII. In: A mão afro-brasileira: significado e contribuição artística e histórica. Organização Emanoel Araújo. São Paulo: Tenenge, 1988, p. 20 a 23.

6 REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944, p. 62.

Obras 4

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Exposições 2

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Fontes de pesquisa 12

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  • ARAÚJO, Emanoel (org.). A Mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. São Paulo, SP: Tenenge, 1988.
  • BARBOSA, Antônio da Cunha. Aspecto da arte brasileira colonial. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, 1898, t. LXI, parte I, p. 95 - 154. Disponível em: https://ihgb.org.br/publicacoes/revista-ihgb/item/107790-revista-ihgb-tomo-lxi-parte-i.html.
  • BATISTA, Nair. Pintores do Rio de Janeiro colonial: notas bibliográficas. In: Pintura e escultura II. Compilacao Carlos Ott; compilação Joaquim Cardozo, Nair Batista. São Paulo: MEC/IPHAN : FAU/USP, 1978. 157 p., il. p&b. (Textos escolhidos da Revista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 8). p.23-38.
  • GUIMARÃES, Argeu. História das artes plásticas no Brasil. Revista do Instituto Histórico e Geográphico Brasileiro, Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, volume IX, p. 401-497, 1930. Número especial.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Negros, pardos e mulatos na pintura e na escultura brasileira do século XVIII. In: ARAÚJO, Emanoel (org.). A Mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. São Paulo: Tenenge, 1988.
  • LEVY, Hannah. A pintura colonial no Rio de Janeiro. In: Pintura e escultura I. Compilação Hannah Levy, Luís Jardim. São Paulo: MEC/IPHAN : FAU/USP, 1978. 230 p., il. p&b. ( Textos escolhidos da Revista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 7). p.35-96.
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
  • SILVA, Áurea Pereira da. Pintura colonial no Rio de Janeiro e em são Paulo. In: Pintura Colonial. Apresentação Ernest Robert de Carvalho Mange; texto Frederico Morais, Lélia Coelho Frota, José Roberto Teixeira Leite. São Paulo: Instituto Cultural Itaú, 1994. 51 p. , il. color. (Cadernos história da pintura no Brasil, 7).
  • SQUEFF, Letícia Coelho. Quando a história (re)inventa a arte: a escola de pintura fluminense. In: Rotunda, nº 1, Campinas: Centro de Pesquisas em História das Artes no Brasil (CEPAB), Instituto de Artes, Unicamp 2003, p. 19-31. Disponível em <http://www.iar.unicamp.br/rotunda/rotunda01.pdf>. Acesso 23 set. 2010.
  • VALLADARES, Clarival do Prado. Rio barroco: análise iconográfica do barroco e neoclássico remanentes no Rio de Janeiro. Apresentação de Marcos Tamoyo. Rio de Janeiro: Bloch, 1978. v. 1.

Como citar

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