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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Lúcio Cardoso

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.06.2021
14.08.1912 Brasil / Minas Gerais / Curvelo
09.1968 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução Fotográfica Horst Merkel

Crônica da Casa Assassinada, 1959
Lúcio Cardoso
Brasiliana Itaú/Acervo Banco Itaú

Joaquim Lúcio Cardoso Filho (Curvelo, Minas Gerais, 1912 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1968). Romancista, poeta, dramaturgo, tradutor e artista plástico. Muda-se com dois anos para Belo Horizonte e, depois, para o Rio de Janeiro, cidade para a qual se transfere definitivamente em 1929. Ainda na adolescência, escreve peças teatrais que circul...

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Joaquim Lúcio Cardoso Filho (Curvelo, Minas Gerais, 1912 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1968). Romancista, poeta, dramaturgo, tradutor e artista plástico. Muda-se com dois anos para Belo Horizonte e, depois, para o Rio de Janeiro, cidade para a qual se transfere definitivamente em 1929. Ainda na adolescência, escreve peças teatrais que circulam entre os amigos. Um desses textos, O Reduto dos Deuses, é elogiado pelo escritor Aníbal Machado (1894-1964), que o incentiva a seguir a carreira literária. Cardoso faz parte da fundação de duas revistas, A Bruxa e Sua Revista, enquanto acumula poemas, peças e contos na gaveta.

Publica, em 1934, com o auxílio do poeta Augusto Frederico Schmidt (1906-1975), seu primeiro romance, Maleita, sobre a fundação de uma cidade no interior de Minas Gerais. Em 1935 é a vez de Salgueiro, retratando a vida nos morros cariocas. Mas é somente com A Luz no Subsolo (1936) que encontra seu caminho, voltado para uma ficção introspectiva. Em 1939, faz sua única incursão pela literatura infantil com Histórias da Lagoa Grande e dois anos depois publica Poesias, compilação de trabalhos escritos na década anterior. Nos anos 1940, trabalha incessantemente escrevendo peças de teatro, fazendo traduções e colaborando com crônicas policiais nos jornais.

Interessado em cinema, inicia em 1949 as filmagens do longa-metragem A Mulher de Longe e, em 1961, escreve o roteiro de Porto das Caixas, do cineasta Paulo César Saraceni (1933-2012). No ano seguinte, sofre um acidente vascular cerebral (AVC) que paralisa o lado direito de seu corpo, passando, então, a dedicar-se à pintura. Expõe suas telas em diversas exposições no país e no exterior.

Comentário crítico
Lúcio Cardoso faz sua estreia na década de 1930 dentro do contexto da ficção regionalista. Seus dois primeiros livros, Maleita e Salgueiro, compartilham com os romances de Graciliano Ramos (1892-1953), Érico Veríssimo (1905-1975), Jorge Amado (1912-2001) e José Lins do Rego (1901-1957) uma nova atitude em relação à vida nacional, modificando os rumos do primeiro modernismo brasileiro, datado da década de 1920. O ponto principal dessa mudança, segundo o crítico literário Alfredo Bosi (1936), está em certa “atitude interessada diante da vida contemporânea”.

Os romances da década de 1930 centralizam sua atenção em regiões específicas do país e adotam uma atitude crítica em relação às diferenças sociais. Lúcio Cardoso, no entanto, encontra o caminho da sua ficção no terceiro romance, A Luz do Subsolo, em que as questões regionalistas saem de foco e são substituídas pela sondagem psicológica e moral do indivíduo. Dessa forma, se filia a outra importante vertente, a do romance introspectivo brasileiro que, ao lado do regional, participam, nos decênios de 1930 e 1940, de um momento decisivo para o desenvolvimento da literatura moderna brasileira. É nesse romance em que se firmam as principais características da obra de Lúcio Cardoso: clima soturno, atmosferas de pesadelo, indagações metafísicas, exploração psíquica e moral. A loucura e o desejo são investigados por um casal que, após a chegada de uma nova empregada, se percebe envolvido por um ambiente que progressivamente se torna mais abafado e escuro, chegando ao ápice em um desfecho trágico, em que questões existenciais vêm à tona quando a morte já se coloca presente.

Seu romance Dias Perdidos (1943) e as novelas publicadas entre as décadas de 1930 e 1950 intensificam a exploração psicológica e os ambientes soturnos de seu livro anterior e funcionam, também, como uma espécie de preparação à sua grande obra. Crônica da Casa Assassinada, romance publicado em 1959, se diferencia dos anteriores principalmente pela sofisticada construção narrativa. Pontos de vista são criados por meio de depoimentos, cartas e diários com o objetivo de investigar Nina, personagem falecida que atribuía vitalidade à casa que centraliza os acontecimentos do livro. A deterioração do imóvel - com janelas emperradas, rachaduras nas paredes e um jardim abandonado - espelha a morte lenta e progressiva das personagens que a habitavam. Os relatos dos familiares tecem um romance multifacetado, gerando um entrecruzar de narrativas inusitadas, permeadas de atmosfera mórbida.

A obra poética de Lúcio Cardoso prolonga e dá formulações particulares a questões e atmosferas que aparecem em sua prosa. Ele publica em vida dois livros de poemas, Poesias (1941) e Novas Poesias (1944). Também é realizada uma coletânea póstuma, organizada pelo crítico Otávio de Faria (1908-1980), reunindo aproximadamente 500 páginas de poemas inéditos. Muitos deles receberam apenas recentemente uma atenção maior da crítica e possuem ecos da poesia romântica. As vozes dessas líricas se colocam em situações abafadas, comprimidas, aprisionadas por uma realidade escura e assemelham-se aos climas geralmente mórbidos que o autor constrói em diversos momentos da sua prosa.

Lúcio Cardoso tem um importante trabalho ligado ao nascente cinema nacional. No fim da década de 1940 escreve o roteiro do longa-metragem Almas Adversas, estrelado por Bibi Ferreira (1922). Escreve, dirige e produz, também nessa época, o longa inacabado A Mulher de Longe e, em 1950, é responsável pelo texto do filme Despertar de um Horizonte. Depois de mais de dez anos afastado, volta, no começo da década de 1960, a colaborar em um importante momento da cinematografia nacional, produzindo o argumento do filme Porto das Caixas.

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