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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

José Irineu de Souza

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.09.2014
25.03.1850 Brasil / Ceará / Fortaleza
26.08.1924 Brasil / Ceará / Fortaleza
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Fortaleza Liberta (Painel), 1883
José Irineu de Souza
Óleo sobre tela

José Irineu de Souza (Fortaleza, CE, 1850 – Idem, 1924). Pintor e professor. Em Fortaleza, inicia sua formação artística com o pintor francês Victor Saillard. Em fins da década de 1870, muda-se para o Rio de Janeiro para continuar seus estudos. Matricula-se no Liceu de Artes e Ofícios, tornando-se aluno de Victor Meirelles (1832-1906), Poluceno ...

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Biografia
José Irineu de Souza (Fortaleza, CE, 1850 – Idem, 1924). Pintor e professor. Em Fortaleza, inicia sua formação artística com o pintor francês Victor Saillard. Em fins da década de 1870, muda-se para o Rio de Janeiro para continuar seus estudos. Matricula-se no Liceu de Artes e Ofícios, tornando-se aluno de Victor Meirelles (1832-1906), Poluceno da Silva Manoel e Antonio de Souza Lobo (1840-1909). É possível que tenha sido bolsista de sua província. Participa da 1ª Exposição de Belas Artes organizada pela Sociedade Propagadora de Belas Artes, em 1882. Conquista a medalha de prata.

Em 1883, retorna ao Ceará. Recebe a encomenda do quadro Fortaleza Liberta (1884), que celebra a abolição da escravatura antecipada nessa cidade. Passa a estabelecer contato e receber encomendas do Amazonas e do Pará e, entre 1884 e 1890, pinta alguns retratos. Dentre essas obras, destaca-se uma pintura em tamanho natural do imperador d. Pedro II. Em Belém, a partir da década de 1890, leciona pintura e desenho, tendo sido possivelmente professor do Liceu Paraense e do Liceu Benjamin Constant. Lá, além da produção de diversos retratos, recebe ainda a encomenda do quadro comemorativo Piquenique no Parque.

 

Comentário crítico
Pouco se conhece da obra de José Irineu de Souza em função da sua dispersão nos diferentes locais onde o artista estudou e trabalhou, como Rio de Janeiro, Ceará, Pará e Amazonas. Certo é que o trajeto que traça para si é similar aos dos demais artistas brasileiros que, no fim do século XIX, vivendo em províncias com pouca oportunidade de formação artística, se deslocam para o Rio de Janeiro para estudar na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba) ou no Liceu de Artes e Ofícios – muitas vezes na qualidade de bolsistas. Após algum tempo, regressam aos seus locais de origem e lá estabelecem intensa atividade, tornando-se também professores e, assim, difundindo o aprendizado artístico.

As produções de retratos e de obras comemorativas de eventos regionais constituem suas encomendas mais frequentes. Especializando-se naquele gênero, Souza adquire fama no Ceará com Fortaleza Liberta, considerada a pintura mais importante do século XIX no estado. Representa o  episódio da abolição da escravidão na cidade cearense, a primeira capital a fazê-la no Brasil, cinco anos antes da assinatura da Lei Áurea.1 Ainda que represente um evento memorável, Souza não deixa de imprimir à tela sua formação de retratista e não de pintor histórico. Representando nela centenas de retratos nitidamente inspirados em fotografias, não consegue unifica-las e dar-lhes uma unidade coerente com a narrativa. Resultado que, de resto, não é exclusivo do artista, já que tal traço pode ser visto em obras de pintores estrangeiros e brasileiros que se valeram do mesmo expediente.  

A tentativa, no entanto, parece ter surtido efeito regional, pois Souza logo passa a receber encomendas e a atuar em Belém e Manaus, que se torna a segunda capital brasileira a abolir a escravatura, ainda em 1884.

 

Nota

1 Assinada pela princesa Isabel em 13 de maio de 1888, a lei determina o fim da escravidão no Brasil. 

Obras 1

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Fontes de pesquisa 5

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  • BRASIL: arte do Nordeste. Rio de Janeiro: Spala, 1986.
  • GALVÃO, Roberto. Uma visão da arte no Ceará. Fortaleza: Galeria Ignez Fiuza: GRAFISA, 1987.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).

Como citar

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