Artigo da seção pessoas Leopoldino de Faria

Leopoldino de Faria

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Artes visuais  
Data de nascimento deLeopoldino de Faria: 27-10-1836 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Campos dos Goytacazes) | Data de morte 27-10-1911 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia
Leopoldino Joaquim Teixeira de Faria (Campos, Rio de Janeiro, 1836 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1911). Pintor, arquiteto e engenheiro civil. Frequenta a Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), estudando desenho com Jules Le Chevrel (ca.1810-1872) e pintura com Victor Meirelles (1832-1903). Em fins da década de 1870, inicia a pintura A Resposta de Tiradentes ao Desembargador Rocha, no Ato da Comutação da Pena aos Companheiros, Depois da Missa, executada por encomenda do Governo de Minas Gerais. Exibe esboços dessa obra e da Batalha de Itororó na Exposição Geral de Belas Artes de 1876.

Em 1880, realiza mostra individual nos salões da Tipografia Nacional, no Rio de Janeiro, onde expõe, pela primeira vez, a versão final de Resposta de Tiradentes. A Crítica reconhece Faria como autor de cenas históricas, entre as quais A Constituição e a Alegoria à Lei de 28 de Setembro (1882). Participa da Exposição Geral de 1884 com o esboço de Auto de Vistoria Feito no Cadáver do Desembargador Joaquim Nunes Machado, o Retrato de Francisco Portela e a Alegoria às Artes. Produz muitos retratos, entre eles, o do prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Pereira Passos (1836-1913) e os dos provedores da Santa Casa de Misericórdia de Campos. Na década de 1890, trabalha como arquiteto na Diretoria de obras da Prefeitura do Rio de Janeiro, cargo que exerce até 1908.

Análise da trajetória
Leopoldino de Faria expõe Resposta de Tiradentes, pela primeira vez em 1880, coincidindo com a polêmica historiográfica sobre o verdadeiro papel de Tiradentes na Inconfidência Mineira. A obra é uma das que, em fins do século XIX, resgata a figura do mártir, elegendo-o como herói nacional, capaz de fortalecer o então crescente movimento republicano.

O foco da pintura recai sobre Tiradentes, que se opõe à sentença proclamada. No esboço, pertencente ao Museu Histórico Nacional, há pouca naturalidade na definição do espaço pela luz, que entra pela janela revelando apenas os condenados. A versão final explora um cromatismo mais aberto, permitindo a emergência de outros detalhes, como o jogo entre os interlocutores, cujas expressões são agora mais claras e variadas. A figura de Tiradentes ganha em vigor e dramaticidade. No entanto, o conjunto da cena perde um pouco de sua eloquência.

O esboço da Batalha de Itororó articula uma variedade de movimentos, mas concentra-se no gesto de Duque de Caxias, sinalizando o avanço de suas tropas. A composição de Alegoria à Lei 28 de Setembro – descrita por Ângelo Agostini (1843-1910)[1] – representa a Princesa Isabel na cerimônia de assinatura da Lei do Ventre Livre. Tais obras decorrem da tendência da pintura histórica, que começa a se tornar comum a partir da Revolução Francesa: a de registrar os acontecimentos políticos, mais ou menos recentes.

Notas
[1] Revista Illustrada, Rio de Janeiro,  ano VII, n. 294, p. 6, 1882.

Outras informações de Leopoldino de Faria:

  • Outros nomes
    • Leopoldino Joaquim Teixeira de Faria
  • Habilidades
    • Pintor
    • Arquiteto

Exposições (3)

Fontes de pesquisa (15)

  • DUQUE, Gonzaga. A Arte brasileira: pintura e esculptura. Rio de Janeiro: H. Lombaerts & C., 1888. 254 p.
  • ACQUARONE, Francisco. História da arte no Brasil. Rio de Janeiro: Oscar Mano & Cia, 1939.
  • ALBETINO. Artistas e Quadros. O Mequetrefe, Rio de Janeiro,  ano 9, n. 320, p.3-6, 10 set. 1883.
  • AYALA, Walmir (org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: MEC / INL, 1980. v.4: Q a Z. (Dicionários especializados, 5).
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • CAVALCANTI, Carlos (org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: MEC / INL, 1974. v.2: D a L. (Dicionários especializados, 5). IC R703.0981 C376d v.2 pt. 1
  • FERREIRA, Félix. Belas Artes: estudos e apreciações. Introdução e notas de Tadeu Chiarelli. 2. ed. Porto Alegre: Zouk, 2012. p. 217. 
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983. 677 p.
  • GUIMARÃES, Argeu. História das artes plásticas no Brasil. Revista do Instituto Histórico e Geográphico Brasileiro, Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, volume IX, p. 401-497, 1930. Número especial.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEVY, Carlos Roberto Maciel. Exposições gerais da Academia Imperial e da Escola Nacional de Belas Artes : período monárquico, catálogo de artistas e obras entre 1840 e 1884.
  • LIMA, Herman. História da Caricatura no Brasil I. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1963. 410 p., il. p.b. color.
  • O MUSEU Histórico Nacional. Prefácio de Solange de Sampaio Godoy. Editado por Solange de Sampaio Godoy. Textos de Abbadia Cararelli et al. São Paulo: Banco Safra, 1989.
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LEOPOLDINO de Faria. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa23668/leopoldino-de-faria>. Acesso em: 14 de Mai. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7