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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

João Timotheo da Costa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 30.08.2021
24.12.1879 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
20.03.1932 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro

Decoração da Sede do Fluminense Futebol Clube, 1924
João Timotheo da Costa

João Timótheo da Costa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1879 - idem 1932). Pintor, decorador, gravador. Em 1894, inicia seu aprendizado artístico na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, onde conhece o diretor Enes de Souza, que se torna seu protetor. Paralelamente matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), onde estuda desenho com Bérard,...

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João Timótheo da Costa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1879 - idem 1932). Pintor, decorador, gravador. Em 1894, inicia seu aprendizado artístico na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, onde conhece o diretor Enes de Souza, que se torna seu protetor. Paralelamente matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), onde estuda desenho com Bérard, pintura com Rodolfo Amoedo e freqüenta as aulas com modelo vivo ministradas por Zeferino da Costa. Parte em 1910 para Paris. Trabalha junto ao grupo de artistas brasileiros contratados pelo governo para executar a decoração do Pavilhão Brasileiro na Exposição Internacional de Turim, ocorrida nesta cidade italiana em 1911. Realiza em 1920 com seu irmão Arthur Timótheo da Costa o primeiro de uma série de painéis decorativos para o Fluminense Futebol Clube, terminando sozinho a encomenda deste trabalho no ano de 1924. Em 1925, executa cinco painéis abobadados para a ornamentação do Salão Nobre da Câmara dos Deputados, atual Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e neste mesmo ano realiza mais uma série de painéis decorativos para o Salão do Copacabana Palace. Tendo participado de diversas edições do Salão Nacional de Belas Artes, recebe a pequena medalha de ouro em 1926. Em 1930 interna-se no Hospício dos Alienados, na cidade do Rio de Janeiro, onde morre dois anos depois.

Análise
João Timótheo da Costa é de família humilde. Trabalha, desde 15 anos, como aprendiz na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, instituição que emprega e incentiva outros jovens artistas, entre eles seu irmão Arthur Timótheo da Costa, Rodolfo Chambelland e Eugênio Latour. Paralelamente, matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes - Enba, onde estuda desenho com Bérard, a disciplina de modelo vivo com Zeferino da Costa e pintura com Rodolfo Amoedo. Em 1910 integra o grupo de artistas brasileiros que na cidade de Paris fica responsável pela decoração do pavilhão da Exposição de Turim, na Itália, realizada no ano seguinte. Esse trabalho lhe permite visitar os museus europeus, onde conhece obras impressionistas e divisionistas, além das pinturas decorativas do artista francês Puvis de Chavannes (1824 - 1898), que marcam sua carreira.

Estrutura as composições por meio da cor, em pinceladas largas, onde se percebe a gestualidade do artista. Trabalha as cores tanto com a espátula quanto com o pincel, obtendo fortes empastamentos. Seus quadros, principalmente as marinhas, destacam-se pela luminosidade sutil, muito controlada. Em Porto (1920) revela sensibilidade no uso da cor, sua pincelada sugere volumes e distâncias, e explora o jogo entre as formas sólidas (barcos, construções) e seus reflexos coloridos na água. Em algumas obras, aproxima-se do enquadramento fotográfico, como em Recanto de Atelier (1926) ou em Portal (s.d.). Em Retrato de Artur (s.d.) representa o irmão pintando ao ar livre, com grande simplificação formal. A figura do retratado parece recortada do plano de fundo, no qual a natureza é apenas sugerida em pinceladas soltas. As pinturas de João Timótheo apresentam afinidades com as realizadas por seu irmão, nos temas e também na fatura, porém revelam, em relação a esse, tendência a conferir às tintas os valores de espontaneidade do esboço.

Vencendo as dificuldades enfrentadas por tantos pintores negros ou de ascendência negra, João Timótheo recebe várias encomendas de pinturas decorativas. Nas decorações emprega o princípio das cores fragmentadas e da justaposição de cores, inspirado em Georges Seurat (1859 - 1891). O emprego rítmico das linhas e da paleta de tons rebaixados revela a apreciação da obra de Puvis de Chavannes. Algumas de suas pinturas decorativas não foram preservadas.

A insanidade do irmão, falecido precocemente em 1920, e a morte da filha, aos 6 anos de idade, causam duros golpes ao artista, dos quais nunca se recupera totalmente, e morre, como o irmão, no Hospício dos Alienados, em 1932. Trabalhando no início do século XX, sua obra revela, como a de outros artistas contemporâneos, a atmosfera eclética causada pelo impacto tardio de tendências estéticas como o impressionismo e o pós-impressionismo. A produção de João Timótheo apresenta grande qualidade artística, e abrange todos os gêneros da pintura: retratos, pintura histórica, cenas de costumes e sobretudo paisagens, que têm um sentido particularmente poético.

Obras 13

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Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Portal

Óleo sobre madeira
Reprodução fotográfica Lamberto Scipioni

Casas

Óleo sobre madeira
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Paisagem

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Lamberto Scipione

Paisagem

Óleo sobre tela

Exposições 28

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 9

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  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.
  • DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Tipografia Benedicto de Souza, 1929.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Pintores negros do oitocentos. São Paulo: MWM-IFK, 1988. (Coleção MWM-IFK).
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Pintores negros do oitocentos. São Paulo: MWM-IFK, 1988. (Coleção MWM-IFK).
  • MARQUES, Luiz. O século XIX, o advento da Academia de Belas Artes e o novo estatuto do artista negro. In: ARAÚJO, Emanoel (org.). A Mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. São Paulo: Tenenge, 1988.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Negro de corpo e alma. Curadoria Emanoel Araújo, Maria Lúcia Montes, Carlos Eugênio Marcondes de Moura; tradução Christopher Ainsbury, Denise Kato, Doris Hefti, Douglas V. Smith, Eduardo Hardman, Eugênia Deheinzelin, Grant Ellis, H. Sabrina Gledhill, John Norman, Katica Szabó, Lilian Escorel, Regina Alfarano, Ricardo Gomes Quintana, Robert Slenes, Carlos Galvão, Suzanne Oboler, Elitza Bachvarova, Thomas William Nerney. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo : Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • PINACOTECA do Estado de São Paulo. A arte e seus processos: o papel como suporte. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1978.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).

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