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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

João Francisco Lopes Rodrigues

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.01.2020
19.12.1825 Brasil / Bahia / Salvador
11.10.1893 Brasil / Bahia / Salvador
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Sonho de Catarina Paraguaçu, 1871
João Francisco Lopes Rodrigues
Óleo sobre tela

João Simões Lopes Neto (Pelotas RS 1865 – idem 1916). Contista, folclorista, poeta, dramaturgo. Vive em sua cidade natal até os 13 anos, idade com a qual se transfere para o Rio de Janeiro. Nesta cidade, então capital do país, realiza seus estudos no Colégio Abílio e, em seguida, na Faculdade de Medicina, curso que, no entanto, não pode completa...

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João Simões Lopes Neto (Pelotas RS 1865 – idem 1916). Contista, folclorista, poeta, dramaturgo. Vive em sua cidade natal até os 13 anos, idade com a qual se transfere para o Rio de Janeiro. Nesta cidade, então capital do país, realiza seus estudos no Colégio Abílio e, em seguida, na Faculdade de Medicina, curso que, no entanto, não pode completar devido a sérios problemas de saúde. Retorna para Pelotas em 1886, onde passa a atuar intensamente no meio literário e na imprensa local, colaborando e editando jornais como Diário Popular, A Opinião Pública (no qual publica textos assinados com o pseudônimo João do Sul) e Correio Mercantil. É nestes periódicos que publica suas primeiras produções literárias (contos e folhetins, principalmente). Em 1893 inicia sua carreira no teatro ao escrever e montar a revista musical O Boato, em parceria com o português José Gomes Mendes, seu futuro cunhado.

Apesar das suas numerosas produções na imprensa pelotense, João Simões Lopes Neto tarda a ser editado em livro, estreando apenas em 1910 com a publicação de Cancioneiro Guasca, obra em que compila lendas e histórias folclóricas, poemas e canções tradicionais do Rio Grande do Sul. Em 1912 é publicado Contos Gauchescos, um dos seus livros mais reconhecidos por público e crítica e, no ano seguinte, Lendas do Sul. Três anos depois desta publicação, no dia 14 de junho de 1916, João Simões Lopes Neto falece devido a uma úlcera duodenal perfurada.

Análise

A obra narrativa de João Simões Lopes Neto tornou-se referência central para os estudos da literatura regionalista brasileira, aparecendo muitas vezes situada ao lado de nomes mais reconhecidos como os de José de Alencar, José Lins do Rego e João Guimarães Rosa.

Para além da importância histórica e até mesmo antropológica do seu papel como pesquisador e compilador de casos, lendas e histórias tradicionais da região sul do Brasil, João Simões Lopes Neto também se destaca, no que diz respeito especificamente à literatura, pela incorporação da linguagem e da expressão coloquial dos gaúchos da época à sua narrativa. Deste modo, é grande o número de termos, vocábulos e ditos locais que aparecem na narrativa, muitas vezes desconhecidos dos leitores contemporâneos ou não familiarizados com a variante do português falado no Rio Grande do Sul.

Seus célebres Contos Gauchescos, por exemplo, são narrados pelo vaqueano Blau Nunes, personagem que encarna a figura de um velho contador de histórias gaúcho – e, ao ceder a voz narrativa a esta figura, Simões Lopes Neto justifica a presença da oralidade em sua literatura.

Como o crítico Everson Pereira da Silva afirma, João Simões Lopes Neto “aproveita-se da paisagem típica, do linguajar pitoresco, da construção das personagens para construir seu regionalismo”. Com seus contos situados na região dos pampas, descrita em toda a sua beleza e em todos os seus mistérios e perigos, centrados nos conflitos (ora existenciais, ora práticos e cotidianos) dos moradores desta área rural do Rio Grande do Sul, a obra de Simões Lopes Neto configura-se também como um meio de contato entre o leitor e uma realidade linguística e expressiva distinta da sua, através da qual a experiência da leitura se intensifica, tornando-se mais significativa do que seria se fosse amparada apenas na descrição dos tipos e da paisagem.

Obras 1

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Exposições 6

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Fontes de pesquisa 13

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  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DINIZ, Carlos Francisco Sica. João Simões Lopes Neto: uma biografia. Porto Alegre: Editora AGE, 2003.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LOPES NETO, João Simões. Contos gauchescos & Lendas do sul. Porto Alegre: L&PM, 2007.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte do século XIX. Curadoria Luciano Migliaccio, Pedro Martins Caldas Xexéo; tradução Roberta Barni, Christopher Ainsbury, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000. xxxxxx
  • OLIVEIRA, Dênisson (coord.). +100 Artistas Plásticos da Bahia. Salvador: Prova do Artista, 2001. 128 p., il. color. 709.8142 M231
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).
  • SILVA, Everson Pereira da. “Vida e obra”. In: LOPES NETO, João Simões. Contos gauchescos & Lendas do sul. Porto Alegre: L&PM, 2007.
  • VALLADARES, Clarival do Prado. Presciliano Silva: um estudo biográfico e crítico. trad. Tradução de France Knox e Richard Spock. Prefácio de Clemente Maria da Silva-Nigra,Dom. Rio de Janeiro: Fundação Conquista. 1973. (Fundação Conquista, 1).

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