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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Leandro Joaquim

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 18.01.2021
1738 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
1798 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro

Vista da Lagoa do Boqueirão e do Aqueduto de Santa Teresa, 1790
Leandro Joaquim
Óleo sobre tela
105,00 cm x 86,00 cm

Leandro Joaquim (Rio de Janeiro ca.1738 - idem ca.1798). Pintor, cenógrafo, arquiteto. Considerado pelo crítico Mário de Andrade (1893 - 1945) como um dos mais destacados artistas da segunda metade do século XVIII que trabalham de maneira inovadora a tradição artística portuguesa. É aluno do pintor João de Sousa (17--? - 17--?), no Rio de Janeir...

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Biografia
Leandro Joaquim (Rio de Janeiro ca.1738 - idem ca.1798). Pintor, cenógrafo, arquiteto. Considerado pelo crítico Mário de Andrade (1893 - 1945) como um dos mais destacados artistas da segunda metade do século XVIII que trabalham de maneira inovadora a tradição artística portuguesa. É aluno do pintor João de Sousa (17--? - 17--?), no Rio de Janeiro. Alguns estudiosos o apontam como responsável por um projeto, não realizado, para a reconstrução do prédio do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto. Trabalha com o escultor Mestre Valentim (ca.1745 - 1813) em desenhos e projetos urbanos. É considerado pelo estudioso Teixeira Leite um dos melhores pintores da Escola Fluminense, tanto na técnica quanto no estilo, destacando-se pelo desenho fluente e pelo colorido harmonioso. São consideradas pinturas suas as cópias de duas obras de João Francisco Muzzi (séc. XVIII-1802): Incêndio e Reedificação do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto, para a igreja de mesmo nome, no Rio de Janeiro. Realiza ainda três painéis laterais para a capela-mor da Igreja de São Sebastião do Castelo e a pintura Nossa Senhora da Boa Morte para a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte. São também atribuídos ao artista seis painéis ovais executados no final do século XVIII para figurar em um dos pavilhões do Passeio Público do Rio de Janeiro - Cena Marítima, Pesca da Baleia na Baía de Guanabara, Procissão ou Romaria Marítima ao Hospital dos Lázaros, Revista Militar no Largo do Paço - e duas vistas da cidade - Vista da Igreja da Glória e Vista da Lagoa do Boqueirão e dos Arcos da Carioca. Também são de sua autoria os retratos do vice-rei Dom Luís de Vasconcelos e Sousa (1740 - 1807), do Conde de Rezende e do Capitão-mor Gregório Francisco de Miranda, que atualmente integram o acervo do Museu Histórico Nacional - MHN. Suas pinturas impressionam pelo colorido e estão entre as primeiras paisagens, marinhas e vistas de cidade realizadas no país por brasileiros.

Comentário Crítico
O mulato Leandro Joaquim, destaca-se, para o crítico Mário de Andrade (1893 - 1945), entre os artistas da segunda metade do século XVIII que trabalham de maneira inovadora a tradição artística portuguesa. Nesse período, é aluno do pintor João de Sousa (17--? - 17--?), no Rio de Janeiro. Alguns estudiosos o apontam como responsável por um projeto, não realizado, de reconstrução do prédio do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto. Ele realiza cenários para o teatro de Manuel Luís, uma das primeiras casas de espetáculo do Brasil, criada em cerca de 1769, cujo dono, português, fora ator, músico e dançarino em sua pátria. Trabalha com o artista Mestre Valentim (ca.1745 - 1813) em desenhos e projetos urbanos.

Leandro Joaquim, para o estudioso Teixeira Leite, é um dos melhores pintores da Escola Fluminense, tanto na técnica quanto no estilo, destacando-se pelo desenho fluente e pelo colorido harmonioso. São consideradas pinturas suas as cópias de duas obras de João Francisco Muzzi (séc. XVIII - 1802): Incêndio e Reedificação do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto, para a igreja de mesmo nome, no Rio de Janeiro. Realiza três painéis laterais para a capela-mor da Igreja de São Sebastião do Castelo e a pintura Nossa Senhora da Boa Morte para a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte. São também atribuídos a ele seis painéis ovais, executados, no fim do século XVIII, para figurar em um dos pavilhões do Passeio Público do Rio de Janeiro: Vista de uma Esquadra Inglesa na Baía de Guanabara, que representaria a chegada ao Rio de Janeiro de uma frota inglesa a caminho da Austrália, em 1787; Pesca da Baleia na Baía de Guanabara, sobre esta atividade econômica; Procissão Marítima, que lembra as festas marítimas venezianas; Revista Militar no Largo do Paço, registro de uma parada militar realizada na inauguração do Largo do Paço; Vista da Igreja e Praia da Glória; e Vista da Lagoa do Boqueirão e do Aqueduto Santa Teresa. As pinturas impressionam pelo colorido e estão entre as primeiras paisagens, marinhas e vistas de cidade realizadas no país por brasileiros. Nessas telas, Leandro Joaquim mostrra diversos aspectos da vida cotidiana no Rio de Janeiro e fixa com cuidado os personagens e tipos humanos e os detalhes das construções: balcões, alpendres, torres e campanários, rodas d'água, fortalezas e fábricas. Para o historiador Luciano Migliaccio, os painéis correspondem ao programa de urbanização da cidade do Rio de Janeiro, promovido pelo vice-rei para dotar a nova capital de estruturas adequadas. Colocados em lugar de divertimento público, têm a finalidade didática de exaltar os produtos e a paisagem nacionais.

Leandro Joaquim pinta também retratos de importantes figuras históricas, como o do conde de Bobadela e do capitão-mor Gregório Francisco de Miranda. Para o crítico carioca Gonzaga Duque (1863 - 1911), o retrato que faz do vice-rei Dom Luís de Vasconcelos e Sousa (1740 - 1807), de quem é amigo, é realizado com traço preciso e delicado que alcança representar a personalidade do retratado, homem simples que incentiva as artes do seu tempo. Para o crítico, o artista, que em suas primeiras obras não sabe utilizar os tons e iluminar os quadros, aos poucos consegue mais domínio técnico, como em Nossa Senhora da Boa Morte (final do século XVIII), que se destaca entre as produções contemporâneas pela unidade de ação, expressividade dos personagens e harmonia de cor.

Obras 8

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Exposições 5

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Fontes de pesquisa 16

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  • LEITE, José Roberto Teixeira. Negros, pardos e mulatos na pintura e na escultura brasileira do século XVIII. In: ARAÚJO, Emanoel (org.). A Mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. São Paulo: Tenenge, 1988.
  • LEVY, Hannah. A pintura colonial no Rio de Janeiro. In: Pintura e escultura I. Compilação Hannah Levy, Luís Jardim. São Paulo: MEC/IPHAN : FAU/USP, 1978. 230 p., il. p&b. ( Textos escolhidos da Revista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 7). p.35-96.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte do século XIX. Curadoria Luciano Migliaccio, Pedro Martins Caldas Xexéo; tradução Roberta Barni, Christopher Ainsbury, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. Cronologia do Barroco. In: O UNIVERSO mágico do barroco brasileiro. Curadoria Emanoel Araújo. São Paulo: Sesi, 1998. Exposição realizada no período de 30 mar. a 03 ago. 1998.
  • PINTURA Colonial. Apresentação Ernest Robert de Carvalho Mange; texto Frederico Morais, Lélia Coelho Frota, José Roberto Teixeira Leite. São Paulo: Instituto Cultural Itaú, 1994. 51 p. , il. color. (Cadernos história da pintura no Brasil, 7).
  • VALLADARES, Clarival do Prado. Rio barroco: análise iconográfica do barroco e neoclássico remanentes no Rio de Janeiro. Apresentação de Marcos Tamoyo. Rio de Janeiro: Bloch, 1978. v. 1.

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