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Artes visuais

Jean Leon Pallière

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 28.03.2017
01.01.1823 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
1887 França / Ile de France / Paris

Descida da Cruz
Jean Leon Pallière

Jean Leon Pallière Grandjean Ferreira (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1823 - Paris, França 1887). Litógrafo, aquarelista, decorador e professor. Filho do pintor Arnaud Julien Pallière (1784 - 1862) e neto do arquiteto Grandjean de Montigny (1776 - 1850). Muda-se para Paris em 1830, cidade em que inicia o aprendizado artístico freqüentando o ate...

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Biografia

Jean Leon Pallière Grandjean Ferreira (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1823 - Paris, França 1887). Litógrafo, aquarelista, decorador e professor. Filho do pintor Arnaud Julien Pallière (1784 - 1862) e neto do arquiteto Grandjean de Montigny (1776 - 1850). Muda-se para Paris em 1830, cidade em que inicia o aprendizado artístico freqüentando o ateliê do pintor François-Edouard Picot (1786 - 1868). Em 1848, retorna ao Rio de Janeiro, passa a estudar na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba e, no ano seguinte, recebe o prêmio viagem ao exterior. Em 1850, viaja para Roma e estuda na Academia de França. Prolonga sua estada na Europa, e freqüenta curso de gravura em Paris, em 1853. De volta ao Brasil, em 1855, Pallière realiza a série Alegoria das Artes Plásticas para o teto da biblioteca da Aiba, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, muda-se para Buenos Aires, onde leciona desenho na Escuela Normal del Colegio de Huérfanos, e, dois anos mais tarde, vai para o Chile. No início da década de 1860, percorre o litoral brasileiro, visitando Bahia, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Em 1864, publica o Album Pallière. Escenas Americanas. Reducción de Cuadros, Aquarelles y Bosquejos, composto de cerca de 50 litografias de trabalhos realizados em suas viagens. Em 1866, muda-se para Paris, onde, até 1882, participa de diversas edições do Salão de Paris. Em 1945, a editora Peuser publica os diários de suas viagens sul-americanas.

Análise

Jean Leon Pallière é filho do pintor francês Arnaud Julien Pallière (1784 - 1862) e neto de Grandjean de Montigny (1776 - 1850), arquiteto integrante da Missão Artística Francesa. Realiza seus primeiros estudos artísticos com Félix Taunay (1795 - 1881), na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, e aperfeiçoa-se posteriormente na França.

O crítico de arte Gonzaga Duque (1863 - 1911) ressalta que o artista, dotado de um desenho encantador, especializa-se, inicialmente, em temas religiosos e mitológicos. É autor da decoração do teto da biblioteca da Aiba, considerada uma de suas obras mais relevantes. O crítico comenta ainda a tela Fauno e Bacante (s.d.), e afirma que a sua pintura é fina, o contorno suave, o toque delicado e a perspectiva aérea profunda, "nesse quadro tudo é sensual. O corpo da bacante tem uma provocante opulência de redondezas, de curvas, de proeminências tépidas."1

Após seu retorno da França, permanece por longo tempo na Argentina. Leciona desenho na Escuela Normal del Colegio de Huérfanos, em Buenos Aires, e, estimulado pelos êxitos dos álbuns ilustrados de Vidal (1791 - 1861) e Ouseley (1797 - 1866), inicia viagens por países sul-americanos, nas quais realiza desenhos em que enfoca os costumes e tradições locais, destinados a um álbum de cenas americanas, com 51 litografias, lançado em 1864.

Nesse período, Pallière percorre do Nordeste ao Sul do Brasil. De sua estada na região no Paraná, restam duas aquarelas, Canoa do Rio Paranaguá (s.d.) e Tropa Carregada de Mate Descendo a Serra (s.d.), obras que, segundo o estudioso Newton Carneiro, destacam-se pela qualidade da pintura e pelo tema. Esse último trabalho possui também interesse histórico, por constituir um importante registro da atividade com a erva-mate na região, além de documentar uma das vias de acesso ao mar utilizada na época.

Notas

1. DUQUE, Gonzaga. A Arte brasileira. Campinas: Mercado de Letras, 1995. p. 126.

 

Obras 2

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Exposições 7

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 11

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  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DUQUE, Gonzaga. A Arte brasileira: pintura e esculptura. Rio de Janeiro: H. Lombaerts & C., 1888. 254 p.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GARAÑO, Alejo B. Gonzalez. El pintor Juan Leon Pallière, ilustrador de la vida argentina del 1860. Buenos Aires, 1943.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • MORALES DE LOS RIOS FILHO, Adolfo. Grandjean de Montigny e a evolução da arte brasileira. Rio de Janeiro: Noite, 1941.
  • PINACOTECA do Estado de São Paulo. A arte e seus processos: o papel como suporte. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1978.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).

Como citar

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