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Artes visuais

Eduard Hildebrandt

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.04.2019
09.09.1818 Polônia / a definir / Gdansk
25.10.1869 Alemanha / Berlim / Berlim
Eduard Hildebrandt (Dantzig, Prússia, atual Alemanha 1818 - Berlim, Prússia 1869). Aquarelista e pintor. De 1838 a 1840, é aluno em Berlim do pintor Wilhem Krause. Participa das exposições da Academia de Berlim. Em 1840, viaja pela Escandinávia, Inglaterra e Escócia. Em 1842, estuda em Paris com o pintor Eugène Isabey. Expõe no Salão de Belas Ar...

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Biografia

Eduard Hildebrandt (Dantzig, Prússia, atual Alemanha 1818 - Berlim, Prússia 1869). Aquarelista e pintor. De 1838 a 1840, é aluno em Berlim do pintor Wilhem Krause. Participa das exposições da Academia de Berlim. Em 1840, viaja pela Escandinávia, Inglaterra e Escócia. Em 1842, estuda em Paris com o pintor Eugène Isabey. Expõe no Salão de Belas Artes de 1842 e 1843, ano em que ganha medalha. De volta a Berlim, conhece o naturalista Alexander von Humboldt, que o indica ao rei da Prússia, Frederico-Guilherme IV. Este o patrocina em viagens a vários continentes.

Chega ao Brasil em março de 1844, percorrendo os estados do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco. Participa da Exposição Geral de Belas Artes (EGBA) do Rio de Janeiro. Louis Auguste Moreaux (1818-1877) faz um retrato seu. Recebe de d. Pedro II o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa. Em junho, vai para os Estados Unidos, lá ficando até 1845. Volta à Europa, tornando-se, em seguida, membro da academia de Berlim.

Em 1847, viaja para Escócia, Ilhas Canárias, Espanha e Portugal. No mesmo ano, tem uma aquarela exposta no Brasil, na EGBA. Em 1850, recebe medalha de ouro em exposição de Berlim, além do título de Cavaleiro da Águia Vermelha da Prússia. A partir de 1851, visita Itália, Egito e Grécia. Em 1854, torna-se Cavaleiro da Ordem de Christo de Portugal. Ainda expondo por vários anos no Salão de Paris, recebe medalha em 1855.

No de 1859, apresenta 38 aquarelas e recebe menção positiva na apreciação do crítico e poeta Charles Baudelaire. Faz uma viagem ao redor do mundo entre 1860 e 1862. Em 1867, publica o álbum Viagem ao Redor da Terra, editado por Ernst Kossak. Morre em 1869. Em 1881, um retrato que faz de Humboldt (em 1845) é apresentado na Exposição de História do Brasil. Sua obra é, por anos, ignorada pelos brasileiros, sendo redescoberta pelo embaixador do Brasil Joaquim de Sousa Leão, em acervos da Alemanha, pouco antes da Segunda Guerra Mundial. É trazido à luz novamente por Gilberto Ferrez (1908-2000), em coletânea de trabalhos do artista, publicada em 1987.

Análise

Eduard Hildebrandt é um artista viajante por excelência. Em sua obra, quase totalmente formada por paisagens feitas em aquarela e desenho em grafite, coexistem sempre uma técnica precisa e uma grande sensibilidade para a síntese dos elementos que observa em cada parada que realiza ao redor do mundo.

Com relação às imagens que produziu no Brasil quando da sua estada em 1844, àquelas duas características são somadas ainda uma terceira: o artista não se interessa apenas pela paisagem natural do país (motivo que atrai a maioria dos viajantes do período), mas revela fascínio pelas pessoas, sobretudo pelos escravos; indivíduos que, durante todo o século XIX, foram muito pouco representados por artistas brasileiros.

O interesse que despertam em Hildebrandt faz com que ele os foque ora mais de perto, revelando um evidente apelo psicológico (por meio do retrato), ora mais de longe, revelando o seu cotidiano e tarefas diárias.

É de fato nesse último enfoque que surgem as imagens mais interessantes do artista. Em vistas urbanas, como Praça no Rio de Janeiro, suas aquarelas sugerem um tom teatral, visualmente "cenográfico", obtido pelo forte contraste das figuras representadas no primeiro plano, por cores terrosas (elementos arquitetônicos mais próximos, massas de pessoas etc.) e outras figuras bem mais claras, em segundo e último planos. Essa tensão entre massas coloridas cria, de início, um forte movimento em suas imagens, o que é realçado em seguida pela profusão de figuras humanas aglomeradas (escravos), representadas realizando suas atividades diárias.

Exposições 17

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Fontes de pesquisa 38

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  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
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  • EXPLICATION DES OUVRAGES DE PEINTURE, sculpture, architecture, gravure, et lithographie des artistes vivants, exposés au Musée Royal le 1 mars 1855. Paris: VINCHON, Imprimeur, 1855.
  • EXPLICATION DES OUVRAGES DE PEINTURE, sculpture, architecture, gravure, et lithographie des artistes vivants, exposés au Musée Royal le 15 avril 1859. Paris: Charles de Mourgues Frères, Imprimeurs des Musées impériaux, 1859.
  • EXPLICATION DES OUVRAGES DE PEINTURE, sculpture, architecture, gravure, et lithographie des artistes vivants, exposés au Musée Royal le 15 mars 1842. Paris: Vinchon, 1842.
  • EXPLICATION DES OUVRAGES DE PEINTURE, sculpture, architecture, gravure, et lithographie des artistes vivants, exposés au Musée Royal le 15 mars 1843. Paris: Vinchon, 1843.
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  • FERREZ, Gilberto. A muito leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro : quatro séculos de expansão e evolução : iniciativa de Raymundo de Castro Maya em comemoração do IVo. centenário da fundação da cidade / textos e organização de Gilberto Ferrez. Rio de Janeiro: Raymundo de Castro Maya : Candido Guinle de Paula Machado : Fernando Machado Portella : Banco Boavista, 1965.
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  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • IX SALÃO DE ARTE E ANTIGUIDADES. São Paulo, 2002.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEVY, Carlos Roberto Maciel. Exposições gerais da Academia Imperial e da Escola Nacional de Belas Artes: período monárquico, catálogo de artistas e obras entre 1840 e 1884. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1990. v.1.
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  • MORALES DE LOS RIOS FILHO, Adolfo. Grandjean de Montigny e a evolução da arte brasileira. Rio de Janeiro: Noite, 1941.
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  • MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. A Travessia da Calunga Grande : três séculos de imagens sobre o negro no Brasil (1637-1899). Apresentação Jacques Marcovitch; produção Minoru Naruto, Maria Cristina Bugan, Flávia Cristina Moino, Marcelo Cordeiro, Cristiane Silvestrin. São Paulo : EDUSP : Imprensa Oficial do Estado, 2000. 691 p.
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  • PFEIFFER, Wolfgang. Artistas alemães e o Brasil. São Paulo: Empresa das Artes, 1996.
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  • VISÕES do Rio na coleção Geyer. Curadoria Maria de Lourdes Parreiras Horta; assistência de curadoria Maria Inez Turazzi, Maurício Vicente Ferreira Junior; versão em inglês Barry Neves, Cristina Baum, Rebecca Atkinson. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2000.

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