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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Frei Ricardo do Pilar

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 28.03.2017
1635 Alemanha / Nordrhein-Westfalen / Colônia
12.02.1700 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução Fotográfica Humberto Moraes Francheschi

Painéis do forro da capela-mor da Igreja e Mosteiro de São Bento, 1680
Frei Ricardo do Pilar
Óleo sobre madeira

Frei Ricardo do Pilar (Colônia, Alemanha ca.1635 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1700). Pintor. Transfere-se para o Brasil na segunda metade do século XVII, após período em Portugal, atendendo a um provável convite do frei Manuel do Rosário, então dirigente do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, entre os anos de 1660 e 1663. O nome do art...

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Biografia

Frei Ricardo do Pilar (Colônia, Alemanha ca.1635 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1700). Pintor. Transfere-se para o Brasil na segunda metade do século XVII, após período em Portugal, atendendo a um provável convite do frei Manuel do Rosário, então dirigente do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, entre os anos de 1660 e 1663. O nome do artista é citado pela primeira vez nos registros da ordem beneditina da cidade do Rio de Janeiro que fazem referência ao triênio 1663-1666, quando é mencionado o primeiro trabalho feito por frei Ricardo para o mosteiro dessa ordem religiosa. Em 1670, passa a residir como secular no interior do mosteiro, recebendo por seus serviços o hábito de converso da Ordem, no ano de 1695. Durante o período em que residiu no Brasil responsabilizou-se pela execução de um grande número de pinturas para a ornamentação do Mosteiro de São Bento da cidade do Rio de Janeiro. Entre elas destacam-se os quadros que compõem o forro da capela-mor e o grande painel Senhor dos Martírios que até hoje ocupa lugar de destaque na sacristia. É apontado por Porto Alegre (1806 - 1879) como o precursor da Escola Fluminense de Pintura.

Análise

Pouco se sabe sobre a vida de Frei Ricardo do Pilar. Começa a trabalhar em Colônia, centro cultural da Europa do norte, chamada de a "Roma Alemã", onde nos séculos XV e XVI aparecem importantes artistas, herdeiros tanto do gótico internacional quanto do Renascimento. Na época em que o jovem Ricardo de Colônia aprende pintura, a cidade abriga mestres como Peter Paul Rubens (1577 - 1640) e Anthony van Dyck (1599 - 1641). Historiadores identificam nos trabalhos de Frei Ricardo do Pilar traços e temas religiosos recorrentes na escola de Colônia e ressaltam a ligação da região com Flandres, Países Baixos e Península Ibérica. Segundo seu maior historiador, o monge beneditino Dom Clemente Maria da Silva-Nigra, é possível que ele tenha realizado trabalhos em mosteiro beneditino em Portugal ou Espanha, o que teria propiciado o convite para sua vinda ao Rio de Janeiro.

A chegada de Ricardo de Colônia ao Brasil data do início da década de 1660, devido a um provável pedido do abade e arquiteto frei Manuel do Rosário de Buarcos, falecido em 1663. Seu primeiro trabalho no Rio de Janeiro, realizado no triênio de 1663/1666, para o salão da portaria do Mosteiro de São Bento, já em 1773 havia sido consumido pelo tempo, assim como outras telas que pintou em linho. Ele inicia as obras da capela-mor do convento em 1669 com os quatro primeiros painéis para o forro, representando a aparição de Nossa Senhora aos beneditinos Santo Ildefonso, Santo Anselmo, Santo Aiberto e a Lactação de São Bernardo. Em 1684, termina outros dez painéis para a capela-mor, quase todos com o mesmo tema da aparição de Nossa Senhora. Frei Ricardo do Pilar é um pintor profissional e erudito, conhece o latim, língua oficial da Igreja, e toda a literatura religiosa. Não ignora a pintura que lhe é contemporânea feita na Europa e usa a diagonal que movimenta a composição, técnica comum do barroco. Entretanto, o panejamento de Nossa Senhora não é exuberante e movimentado, mas, inversamente, é rígido e convencional. Ricardo de Colônia conhece gravuras de outros artistas, principalmente sobre o milagre dos patriarcas beneditinos, e se aplica em disciplinada leitura das biografias e obras dos santos que representa. O pintor seiscentista do Rio de Janeiro trabalha com dois grandes artistas beneditinos de seu tempo o escultor frei Domingos da Conceição da Silva, que realizou a talha do mosteiro, e o arquiteto frei Bernardo de São Bento Corrêa de Souza.

Em 1825, o Mosteiro de São Bento é ocupado por militares alemães, o que acentua a depredação do edifício. Após a retirada das tropas, é iniciada a restauração dos painéis. O abade frei Marcelino do Coração de Jesus Macedo encomenda o restauro das obras de Ricardo de Colônia a Jorge José Pinto Vedras, que é repreendido e desqualificado severamente pelo seu contemporâneo Porto Alegre (1806 - 1879), que o acusa de desfigurar os painéis.

Sua obra considerada mais importante é a tela Senhor dos Martírios, que se encontra na sacristia do Mosteiro São Bento do Rio de Janeiro, realizada por volta de 1690. Nesse trabalho, o misticismo e a origem da escola de Colônia são mais visíveis, a carnalidade da figura a diferencia da idealização característica da escola florentina. A representação de Cristo está mais próxima da pintura medieval germânica que do barroco vigente no período. O Salvador é figurado com sofrimento, há sinais das chagas e da coroa de espinhos, mas com expressão de esperança e perdão. Sobre um fundo negro e com auréola, está envolto num manto bordado, sinal de sua realeza, com dobras que, segundo o crítico Gonzaga Duque (1863 - 1911), esconderiam uma perceptível incorreção. Pertencente ao Mosteiro de São Bento de Salvador, há uma cópia atribuída a Ricardo de Colônia, em que é representado apenas o busto do mesmo Senhor do Martírios.

Ricardo de Colônia leva uma vida humilde como a de um monge, divide suas vestes e comida com os presos. Como prêmio, após 30 anos de serviços, já debilitado e prestes a morrer, ganha, em 1695, o hábito e é recebido como irmão da ordem, como registra o cronista do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. Como de costume, ao vestir o hábito os religiosos adotam um novo nome, Ricardo de Colônia, devoto de Nossa Senhora do Pilar, torna-se assim Frei Ricardo do Pilar. É considerado precursor da chamada Escola Fluminense de Pintura, que floresce no século XVIII.

Obras 10

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Exposições 4

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Fontes de pesquisa 10

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  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • BATISTA, Nair. Pintores do Rio de Janeiro colonial: notas bibliográficas. In: Pintura e escultura II. Compilacao Carlos Ott; compilação Joaquim Cardozo, Nair Batista. São Paulo: MEC/IPHAN : FAU/USP, 1978. 157 p., il. p&b. (Textos escolhidos da Revista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 8). p.23-38.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • PINTURA Colonial. Apresentação Ernest Robert de Carvalho Mange; texto Frederico Morais, Lélia Coelho Frota, José Roberto Teixeira Leite. São Paulo: Instituto Cultural Itaú, 1994. 51 p. , il. color. (Cadernos história da pintura no Brasil, 7).
  • ROCHA, Mateus Ramalho. O Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro: 1590/1990. Apresentação Lucio Costa. Rio de Janeiro: Studio HMF, 1991. 405 p. , il. color.
  • SILVA-NIGRA, Clemente Maria da, Dom. Construtores e artistas do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. Salvador: Tipografia Beneditina, 1950. 3 v. em 1.
  • SILVA-NIGRA, Clemente Maria da, Dom. Frei Ricardo do Pilar: o pintor seiscentista do Rio de Janeiro. Salvador: Tipografia Beneditina, 1950. 99 p. , il. p&b. (Ars historiaque brasiliae).
  • VALLADARES, Clarival do Prado. Rio barroco: análise iconografia do barroco e neoclássico remanentes no Rio de Janeiro. Apresentação Marcos Tamoyo. Rio de Janeiro: Bloch, 1978. [400] p. , il. color.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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