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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Eugène De La Michellerie

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.01.2018
1802 França / Pays de la Loire / Nantes
1875 França / Pays de la Loire / Nantes
Eugène Hubert De La Michellerie (Nantes, França, 1802 – idem,1875).1 Desenhista, pintor, retratista, miniaturista, litógrafo, professor e engenheiro militar. Integra o Corpo de Engenheiros Militares e sua chegada ao Brasil coincide com um momento de incentivo à imigração de jovens militares e profissionais ligados à construção civil, arregimenta...

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Biografia

Eugène Hubert De La Michellerie (Nantes, França, 1802 – idem,1875).1 Desenhista, pintor, retratista, miniaturista, litógrafo, professor e engenheiro militar. Integra o Corpo de Engenheiros Militares e sua chegada ao Brasil coincide com um momento de incentivo à imigração de jovens militares e profissionais ligados à construção civil, arregimentados sobretudo pelo major Schaeffer (1779-1836).2

No periódico Spectador Brasileiro, de 6 de dezembro de 1826, o artista recém-chegado expõe a intenção de lecionar desenho nos colégios locais e oferece seus serviços de pintor de retratos em miniatura. Com o arquiteto Pierre-Joseph Pezerat (1800-1872), Michellerie realiza projeto para o emblema da Imperial Ordem da Rosa, assinando a maior parte dos desenhos, em 1829. Já para a litografia de Johann Jacob Steinmann, desenha mapas, vistas da cidade e plantas, dentre as quais A Capital do Brasil, de 1831, comercializada pela casa Plancher.

Retorna à França em 1832, onde leciona desenho e detém-se mais ativamente na pintura, rememorando cenas observadas no Brasil. Realiza, em 1834, um desenho do Largo da Constituição,3 pertencente à Biblioteca Nacional. Entre 1832 e 1861, expõe em diversos salões de Nantes aquarelas pintadas no Brasil, como A Glória Vista de um Jardim Público do Rio de Janeiro e um retrato do imperador d. Pedro I. Publica desenhos e litografias em periódicos de sua cidade. Ilustra cenas da vida regional bretã.

Alguns de seus trabalhos são recuperados pelo livreiro e colecionador Walter Geyerhahn, sócio da Livraria Kosmos, que encontra em Londres uma série de desenhos, aquarelas e litografias sobre motivos arquitetônicos, paisagísticos e costumes cariocas.

Análise

Eugène De La Michellerie é descrito pelo pesquisador Mario Carelli como “o exemplo típico do marinheiro de Nantes com um bom manejo do lápis”4 para esboços de paisagens e tipos humanos, entre os tantos que desembarcaram no Rio de Janeiro à procura de paisagens exóticas. Os desenhos de escravos e indígenas, como Negro Munjolo ou Jovem Botocudo de 15 Anos (ambos de 1830), possuem traços delicados e reveladores de singularidades fisionômicas. O artista pretendia oferecer uma série de desenhos ao príncipe de Leuchtenberg, em estadia no Rio de Janeiro por conta do casamento de sua irmã, a princesa Amélia, com d. Pedro I, em outubro de 1829.

Realiza muitas plantas e mapas, para os quais lhe serviram os conhecimentos de engenheiro e miniaturista. O mapa A Capital do Brasil, de 1831, exibe do aqueduto à região portuária e a Ilha das Cobras, com as fortificações que seriam palco dos acontecimentos representados por Michellerie em dois desenhos de 1831: O Assalto à Ilha das Cobras,5 sobre a revolta do Corpo de Artilharia da Marinha, e a Entrada na Igreja de São Francisco de Paula do Enterro do Guarda Municipal Estevão de Almeida Chaves. Ambos foram editadas por Plancher, que as fez circular como folhas volantes em uma edição do Jornal do Commercio.

Já os desenhos do projeto para a condecoração da Imperial Ordem da Rosa exploram diferentes conformações até chegarem àquela que seria a adotada pela ordem: uma estrela branca de cinco pontas (posteriormente seis), unidas por uma guirlanda de rosas encimada pela coroa imperial. Ao centro, as iniciais de Pedro e Amélia.6

Notas

1. As fontes referem-se ao nome do artista sob formas variadas, como na Missão Artística Francesa, p. 89, Eugène Marie de La Michellerie ou o dicionário crítico de Benezit, Cyprien François Hubert de la Michellerie, que se refere ao artista como autor de motivos brasileiros.
2. LE GAL, Damien. Contextualisation didactique et usages des manuels: une approche sociodidactique del'enseignement du Français Langue Étrangère au Brésil. Doctorat en Sciences du langage. Rennes: Université Européenne de Bretagne, Université de Rennes 2, 2010, p. 200. Disponível em: http://hal.archives-ouvertes.fr. Acesso em: 25 ago. 2013.
3. O desenho foi realizado, provavelmente, a partir da litografia de Debret Aceitação Provisória da Constituição de Lisboa. Vide DEBRET, Jean Baptiste. Voyage pittoresque et historique au Brésil. Paris: Firmin Didot Frères, 1834, v. 3, p. 220. Disponível em: http://www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/00624530. Acesso em: 24 ago. 2013.
4. CARELLI, Mario. Os pintores viajantes, a travessia da diferença. In: Missão artística francesa e pintores viajantes: França-Brasil no século XIX. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Brasil-França: Fundação Casa França-Brasil, 1990. p. 89.
5. Esta ilha foi conquistada por uma sublevação do Corpo de Artilharia da Marinha, em 7 out. 1931. In: BIELINSKI, Alba Carneiro. Os fuzileiros navais na história do Brasil. Rio de Janeiro: Agência 2A Comunicação, 2008. p. 44.
6. A Imperial Ordem Rosa foi criada em 17 out. 1929 por d. Pedro I como marco das segundas núpcias do imperador com a princesa Amélia de Leuchtenberg. ANUÁRIO do Museu imperial. Petrópolis: Museu imperial, v. 8, 1947.

Exposições 3

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Fontes de pesquisa 19

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  • 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • BASTOS, Haydée Di Tommaso. Em torno das ordens de Pedro I e da Rosa. Anuário do Museu Imperial. v. 8. Petrópolis: Museu Imperial, 1947. p. 189-205.
  • BERGER, Paulo. Pinturas & pintores: Rio Antigo. Rio de Janeiro: Livraria Kosmos Editora, 1990. p. 224.
  • BIBLIOTECA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO. 4 séculos do Rio de Janeiro. Exposição Comemorativa do IV Centenário da Fundação da Cidade do Rio de Janeiro, 1565-1965. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, 1965.
  • BIBLIOTECA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO. Catálogo da exposição de história do Brasil. Intr. José Honório Rodrigues. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1981. p. 257.
  • BOGHICI, Jean (org.). Missão Artística Francesa e pintores viajantes: França-Brasil no século XIX. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Brasil-França, 1990.
  • BÉNÉZIT, Emmanuel. Dictionnaire critique et documentaire des peintres, sculpteurs, dessinateurs et graveurs de tous les temps et de tous les payspar un groupe d'écrivains spécialistes français et étrangers. v. 6. Paris: Gründ, 1948-55. p. 111.
  • CARELLI, Mario. Culturas cruzadas intercâmbios culturais entre França e Brasil. Campinas: São Paulo: Papirus, 1994. p. 74-75.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • FERREIRA, Orlando da Costa. Imagem e letra: introdução à bibliologia brasileira: a imagem gravada. São Paulo: Melhoramentos: Edusp, 1976. p. 194-195.
  • IMAGENS e documentos: iconografia. Catálogo da Exposição organizada pela Seção de Iconografia e inaugurada em dezembro de 1976. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1976, p. 11-12.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. A travessia da Calunga Grande: três séculos de imagens sobre o negro no Brasil (1637-1899). São Paulo: Edusp: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2000. p. 116.
  • O Rio é Lindo: A Paisagem Carioca no Acervo do Banerj. Rio de Janeiro, RJ: Galeria de Arte do Banerj, 1985.
  • O SPECTADOR Brasileiro. Rio de Janeiro: Imperial Typographia de P. Plancher-Seignot, 6 dez. 1826, n. CXLIV, p. 4.
  • SANTOS, Francisco Marques dos. As bellas artes no Primeiro Reinado: 1822-1831. Estudos Brasileiros, Rio de Janeiro: Instituto de Estudos Brasileiros, v. 3, n. 7, p. 471-515, jul. /ago. 1939.
  • SANTOS, Francisco Marques dos. Dois artistas franceses no Rio de Janeiro. Revista do Sphan, n. 3. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1939. p. 136.
  • SANTOS, Renata. A imagem gravada: a gravura no Rio de Janeiro entre 1808 e 1853. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2008. p. 56-59.
  • VERGER, F. J. Archives curieuses de la ville de Nantes et des départements de l'Ouest: pièces authentiques inédites, ou devenues très-rares, sur l'histoire de la ville et du comté de Nantes et ses environs. v 3. Nantes: Forest, 1837. (Google e-Livro).

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