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Música

Didier Guigue

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.10.2019
02.02.1954 França
Didier Jean Georges Guigue (Redessan, França, 1954). Musicólogo, compositor, instrumentista e professor de análise musical e música computacional na Universidade Federal da Paraíba. Em 1979, forma-se em música pela Université Paris 8 Vincennes-Saint-Denis (Paris 8), França. Obtém o título de mestre pela mesma universidade em 1989. Torna-se douto...

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Didier Jean Georges Guigue (Redessan, França, 1954). Musicólogo, compositor, instrumentista e professor de análise musical e música computacional na Universidade Federal da Paraíba. Em 1979, forma-se em música pela Université Paris 8 Vincennes-Saint-Denis (Paris 8), França. Obtém o título de mestre pela mesma universidade em 1989. Torna-se doutor em música e musicologia do século XX pela École des Hautes Études en Sciences Sociales – França em 1996.

É professor associado da Universidade Federal da Paraíba, onde coordena linha de pesquisa e eventos nas áreas de sonologia e musicologia do século XX, no programa de pós-graduação em música. 

Participa de associações científicas, artísticas e de pesquisa, como o International Exchanges on Music Theory and Performance (IEMTP), o Electronic Music Foundation (EMF), a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música, Brasil  (Anppom) e a Sociedade Brasileira de Musica Eletroacústica (SBME). É, também, pesquisador associado ao Observatoire Musical Français (Université de Paris-Sorbonne, Groupe de Recherche en Musique Brésilienne) e ao Núcleo de Pesquisa em Sonologia (Nusom) da Universidade de São Paulo (USP). 

Em 1999,  lança o CD Vox Victimae, que reúne composições que utilizam o computador, nas vertentes erudita e pop. Reason Studies é o álbum lançado em 2004, seguido por Náufragos (2005) e A Eternidade Segundo Jeremias Vlodolvsky (2012). 

Em 1997, suas obras são tocadas em Brasília; na Bienal de Música Contemporânea Brasileira, Rio de Janeiro; no Jazz Festival Brazil/ Argentina, Nova York; e no International Computer Music Conference, Thessaloniki. 

Com ênfase em teoria e tecnologia da música, atua com teoria e estética musical, metodologias de análise, música do século XX e XXI, sonologia, computação aplicada à música. Seu livro Estética da Sonoridade (2011) expõe sua pesquisa em música até aquele momento.  Em 2007/2008, realiza o pós-doutorado na Université Paris-8.

Análise 

Didier Guigue é um artista-pesquisador. Nas dez faixas do CD Vox Victimae, título homônimo de um poema de Augusto dos Anjos (1884-1914), explora sonoridades mescladas em um conjunto tecno-pop. Instrumentos musicais, música computacional e vozes são tratados em um álbum dedicado “a todas as vítimas de ontem e de hoje, daqui e de todos os lugares”. 

Com o álbum digital A Eternidade Segundo Jeremias Vlodovstky, retoma o projeto tecno-pop do álbum de 1999. As onze faixas reduzem o vocal e os instrumentais e o artista mergulha na música eletroacústica, constituindo um cenário rico e complexo, de variações rítmicas e referências sonoras.  

O álbum Reason Studies traz cinco faixas que exploram sonoridades relacionadas ao uso “racional” e “sustentável” dos recursos composicionais, baseados em uma macroestrutura de harmonia e de tempo cíclico. Menos tecno-pop e mais experimental, o álbum é composto por faixas produzidas entre 2003 e 2004. 

Náufragos exibe, em 12 faixas, referências que vão do poeta Lúcio Lins (1948-2005) ao poema sinfônico do francês Claude Debussy (1862-1918) “La Mer”. A música eletroacústica explode em seis faixas, compondo um mosaico de sonoridades processadas computacionalmente.

Guigue amplia seu repertório, que desde a sua vinda para o Brasil é articulado com a Orquestra Sinfônica da Paraíba, onde atua entre 1982 e 1988, dialogando com o teatro e a performance. A performance aparece em produções recentes, mesclando música, teatro e artes visuais, com uma tensão poética circunscrita à sonoridade.

Suas composições eletroacústicas já foram executadas em festivais de música na China, França, Espanha, Áustria, Estados Unidos, Grécia e Brasil e publicadas na Inglaterra, Estados Unidos e Brasil.

A produção passeia entre o pop, o experimental e o erudito, com recepção positiva de público e de crítica. Isso revela a versatilidade musical do artista, sua competência e arrojo ao buscar entender a cultura sonora, sem se ater a limites teóricos ou preconceitos musicais.

A importância de Guigue está, ainda, na descentralização da pesquisa sonora, do eixo Rio de Janeiro-São Paulo e Brasília, e na formação de novos artistas-pesquisadores, como orientador de mestrado e doutorado. Com vários artigos e capítulos de livros publicados, o livro Estética da Sonoridade é impresso primeiro em francês1, reforçando a relevância internacional de seu trabalho. 

Pesquisa e produção são indissociáveis em Guigue. Experimentador, atua em caminhos fronteiriços das artes, com especial atenção para o uso computacional. É versátil nos estilos e erudito na concepção experimental dos arranjos e fontes sonoras. Com isso, busca validar uma estética sonora contemporânea, sem perder de vista o embasamento clássico. 

Na música eletroacústica, é referência da cena brasileira para a qual compõe, experimenta, funde estilos e se reinventa, sustentado por uma pesquisa sonora bem fundamentada. 

Nota

1. GUIGUE, Didier. Esthétique de la Sonorité: l'héritage de Debussy dans la musique pour piano du XXe siècle. Paris: L’Harmattan, 2009.

Fontes de pesquisa 4

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