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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Maria Helena Andrés

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.03.2017
02.08.1922 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Reprodução fotográfica Juninho Motta

Sem Título, 1970
Maria Helena Andrés
Tapeçaria, c.i.d.
190,00 cm x 146,00 cm
Coleção Sr. e Sra. Mário Ribeiro de Oliveira

Maria Helena Coelho Andrés Ribeiro (Belo Horizonte MG 1922). Pintora, desenhista, ilustradora, escritora e professora. Estuda pintura com Carlos Chambelland, no Rio de Janeiro, entre 1940 e 1944, e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte, entre 1944 e 1947. Participa de diversas edições do Salão Nacional de Belas Arte...

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Biografia

Maria Helena Coelho Andrés Ribeiro (Belo Horizonte MG 1922). Pintora, desenhista, ilustradora, escritora e professora. Estuda pintura com Carlos Chambelland, no Rio de Janeiro, entre 1940 e 1944, e com Guignard e Edith Behring na Escola do Parque, em Belo Horizonte, entre 1944 e 1947. Participa de diversas edições do Salão Nacional de Belas Artes - SNBA, do Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM e da Bienal Internacional de São Paulo, entre 1946 e 1961. De 1950 a 1970, leciona pintura e desenho na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, na qual chega ocupar o corpo diretivo durante alguns anos. Em 1961, estuda na Arts Students League of New York [Liga dos Estudantes de Arte de Nova York], onde é aluna de Theodorus Stamos. Em meados da década de 1960, colabora com os jornais Diário de Minas e Estado de Minas, escrevendo sobre arte. Publica os livros Vivência e Arte, 1965, e Os Caminhos da Arte, 1977.

Realiza várias viagens ao Oriente a partir da década de 1970, e conhece o Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia. Nessas ocasiões, participa de seminários e palestras. Em 1979, leciona desenho na Escola de Arte Kalakshetra e criatividade na Theosophical Society [Sociedade Teosófica], em Madras, Índia. Motivada por tais experiências, realiza um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira, publicado no livro Oriente-Ocidente: Integração de Culturas, em 1984. Leciona artes na Universidade Holística Internacional, de Brasília, em 1989. Ministra workshops no curso de formação holística de base. Publica o livro Maria Helena Andrés: Depoimentos, em 1998.

Análise

Maria Helena Andrés forma-se na Escola do Parque, onde é aluna de Guignard. A influência do mestre é perceptível nas pinturas do período que sucede seus estudos em Belo Horizonte, no tratamento transparente e luminoso dado ao fundo, no desenho das figuras, no lirismo e na leveza de composições como a tela Casamento na Roça, 1950.

No decorrer dos anos 1950, a artista rompe com a figuração lírica em direção à arte concreta. A passagem pelo concretismo, movimento do qual é precursora em Minas Gerais, é verificada em obras como Movimento de Cores, 1955, e Fantasia de Ritmos, 1958, esta pertencente à coleção Adolpho Leirner, hoje integrante do Museum of Fine Arts [Museu de Belas Artes], Houston, Estados Unidos. As composições desse período trazem uma sequência ritmada de linhas verticais e horizontais, as áreas delimitadas que resultam dessa distribuição de linhas são preenchidas, aqui e ali, com cores distintas, que originam formas geométricas como retângulos e quadrados.  As linhas e cores são dispostas numa esquematização organizada, alcançando a síntese formal almejada pelos concretistas. Concomitantemente, o ritmo e a delicadeza das composições conferem um aspecto poético a essa produção, cujo resultado formal guarda semelhanças com as telas do artista holandês Piet Mondrian.  A série de desenhos a nanquim Cidades Iluminadas, realizada em 1958, também é exemplo desse tipo de solução plástica.

No início da década de 1960, realiza viagem de estudo a Nova York, onde recebe a orientação de Theodorus Stamos e entra em contato com o expressionismo abstrato. Essa experiência promove uma transformação significativa em sua produção, que se volta à pintura gestual, podendo ser qualificada entre o abstracionismo lírico, informal. Os barcos são referência para a criação da artista em diversas telas desse período, trabalhadas em superfícies de matéria espessa, como na obra Embarcação, 1963.

Realiza, na década de 1960, uma série de desenhos a nanquim sobre o tema da guerra e da destruição e diversas telas que fazem referência à corrida espacial, como Foguete Espacial, de 1968. Em algumas obras, utiliza a colagem de recortes de fotografias extraídas da grande imprensa e outros elementos, mesclando-os com formas abstratas, como em Radioactive Ship, 1964, pertencente à coleção do Museu de Arte da Pampulha - MAP. E na década seguinte, elabora inúmeros projetos para tapeçaria, nos quais busca aplicar aspectos da linguagem pictórica na modalidade têxtil, explorando a combinação de cores e as diferentes texturas dos pontos.

Artista plástica e escritora, há entre a produção plástica e as publicações de Maria Helena Andrés uma nítida conexão. Em 1966, publica Vivência e Arte, que traz uma reflexão sobre as fontes geradoras da criatividade, a natureza da comunicação artística e o ensino da arte. Influenciada pela filosofia de Jacques Maritain e o pensamento estético de Kandinsky, Maria Helena defende a existência de um impulso espiritual no movimento criador e procura estabelecer uma ligação com os ensinamentos cristãos. Caminhos da Arte, de 1977, amadurece as reflexões da autora sobre a arte moderna, voltando especial atenção para a pintura abstrata informal.

O interesse e o estudo da cultura oriental se manifestam nos anos 1970, período em que ela realiza suas primeiras viagens à Índia e a outros países do Oriente. A importância do contato com a arte e a cultura oriental, especialmente a indiana, se verifica em diversos artigos e na publicação de Oriente - Ocidente: Integração de Culturas, em 1984, um estudo comparativo sobre as culturas indiana e brasileira.

Tais reflexões permeiam sua obra artística, que amplia a abstração, o aspecto gestual, a fluidez e transparência da composição, procedimentos provavelmente incorporados por seu contato e admiração pela arte oriental. Na produção mais recente, é frequente a pintura de formas circulares e mandalas. Na última década, a artista volta-se também para a fotografia e escultura.

Obras 17

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Reprodução fotográfica Juninho Motta

Amanhecer

Acrílica sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Barco

Acrílica sobre tela
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Barcos

Acrílica sobre tela

Exposições 127

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Fontes de pesquisa 30

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  • 2ª trienal de tapeçaria. São Paulo: MAM, 1979. s.p. il. fig. p.b. SPmam 1979/s
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  • ANDRÉS, Maria Helena. Maria Helena Andrés. Belo Horizonte: CEMIG, 1984. il. color.
  • ANDRÉS, Maria Helena. Maria Helena Andrés: depoimentos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998. 96 p., il. p&b color. (Circuito atelier).
  • ANDRÉS, Maria Helena. Os Caminhos da Arte. Petrópolis: Vozes, 1977. 144p. (Psicologia transpessoal, 3). 701.17 A561c
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997.
  • BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 1. , 1951, SÃO PAULO, SP. Catálogo. São Paulo: MAM, 1951.
  • BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 1. , 1951, SÃO PAULO, SP. Catálogo. São Paulo: MAM, 1951. LR 700 BI588sp 1/1951
  • CAMINHOS da liberdade: bicentenário da Inconfidência Mineira e centenário da República - exposição de artes plásticas. Belo Horizonte: Secretaria de Estado da Cultura, 1989. , il. color. MGsec 1989
  • CONTAGEM. Prefeitura. Alunos de Guignard em Contagem. Contagem, 1997. s.p. il. color. MGcp 1997/a
  • CONTAGEM. Prefeitura. Alunos de Guignard em Contagem. Curadoria Maristella Tristão; apresentação Newton Cardoso. Contagem, 1997. s.p. il. color.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LOPES, Almerinda da Silva. Maria Helena Andrés. Belo Horizonte: C/Arte, 2004. Não catalogado
  • NEMER, José Alberto. ícones da utopia. Belo Horizonte: Fundação Palácio das Artes, 1992.
  • NEMER, José Alberto. ícones da utopia. Belo Horizonte: Fundação Palácio das Artes, 1992. CAT-G MGfpa 1992/i
  • OS ARTISTAS mineiros. [S. l.]: Cantu, s.d.
  • PANORAMA DE ARTE ATUAL BRASILEIRA, 1969, São Paulo, SP. Panorama de Arte Atual Brasileira 1969. São Paulo: MAM, 1969. Não catalogado
  • PINACOTECA Ruben Berta e PINACOTECA Aldo Locatelli: catálogo geral. 1991. , il. p&b color. RSprb 1991
  • PINACOTECA Ruben Berta e Pinacoteca Aldo Locatelli: catálogo geral. 1991. , il. p&b color.
  • PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973.
  • PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973. 709.8104 P818a
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987. 709.8104 Cg492pr
  • SALÃO GLOBAL DE INVERNO, 6. , 1979, Belo Horizonte. 6º SALÃO GLOBAL de INVERNO. Belo Horizonte: Fundação Clóvis Salgado, 1979. [24] p., il. color. MGsgi 6/1979
  • SALÃO GLOBAL DE INVERNO, 6., 1979, Belo Horizonte. 6º Salão Global de Inverno. Apresentação Anacir Ferreira da Abreu, Roberto Marinho, Jurandir Cunha. Belo Horizonte: Fundação Clovis Salgado, 1979. [24] p., il. color.
  • SEIS expressões da arte mineira: seis mulheres. Belo Horizonte: Galeria Guignard, 1982. 6 lâms., il. p&b.
  • VIEIRA, Ivone Luzia. A Escola Guignard na cultura modernista de Minas: 1944-1962. Pedro Leopoldo: Companhia Empreendimento Sabará, 1988. 709.8104 G951v
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1. 709.81 H673 v.2

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