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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Estêvão Silva

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.01.2021
1844 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
09.11.1891 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Natureza-Morta
Estêvão Silva
Óleo sobre tela, c.i.d.
62,00 cm x 50,00 cm
Coleção Família Sebastião Loures RJ

Estêvão Roberto da Silva (Rio de Janeiro RJ ca.1844 - idem 1891). Pintor e professor. É o primeiro pintor negro formado pela Academia Imperial de Belas Artes (Aiba) a obter destaque. Matricula-se na instituição em 1864 e estuda com Victor Meirelles (1832-1903), Jules Le Chevrel (ca.1810-1872) e Agostinho da Motta (1824-1878), com quem compartilh...

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Biografia

Estêvão Roberto da Silva (Rio de Janeiro RJ ca.1844 - idem 1891). Pintor e professor. É o primeiro pintor negro formado pela Academia Imperial de Belas Artes (Aiba) a obter destaque. Matricula-se na instituição em 1864 e estuda com Victor Meirelles (1832-1903), Jules Le Chevrel (ca.1810-1872) e Agostinho da Motta (1824-1878), com quem compartilha a predileção por naturezas-mortas. Na década de 1880, convive com os integrantes do Grupo Grimm, em especial com Antônio Parreiras (1860-1937) e Castagneto (1851-1900), de quem pinta um retrato em 1880. No entanto, Silva não segue os integrantes do grupo em sua ruptura com a Aiba. Um episódio de sua vida torna-se particularmente conhecido: em uma sessão da Aiba, em 1880, Silva protesta, na presença do imperador dom Pedro II (1825-1891), por discordar da premiação destinada a ele na 25ª Exposição Geral de Belas Artes da Aiba. Uma comissão avalia sua atitude como insubordinação e suspende-o das atividades discentes por um ano.1 A partir da década de 1880, Silva leciona no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. O artista, que realiza retratos e composições de temas históricos e religiosos, é considerado um dos melhores pintores de naturezas-mortas do século XIX.

Análise

Estêvão Silva é o primeiro pintor negro de destaque formado pela Aiba e, como apontam vários estudiosos, pode ser considerado um dos melhores pintores de naturezas-mortas do século XIX. Seu interesse pelo tema deve ter sido motivado pelo estudo com Agostinho da Motta (1824-1878), na Aiba. Silva realiza predominantemente pintura de frutos, como Grumixamas e Jaboticabas, s.d., Araçás, 1870 ou Natureza-Morta, 1884.

O crítico Gonzaga Duque (1863-1911) ressalta a qualidade das composições do artista, realizadas com prodigalidade de vermelhos, amarelos e verdes, nas quais ele consegue dar a aparência de fidelidade à representação, passando para a tela tudo o que vê e sente na natureza. Parece-lhe até impossível "pintar frutos melhor do que os tem pintado Estêvão. Os seus pêssegos são na forma, na cor, na penugem macia e alourada que os reveste, verdadeiros pêssegos".2

Na década de 1880, Estêvão Silva convive com os integrantes do Grupo Grimm, porém sem nunca romper seus vínculos com a Aiba. O artista realiza também alguns retratos, como o do pintor Castagneto (1851-1900), em 1880, e composições de temas históricos e religiosos, como S. Pedro, s.d., A Caridade, s.d. e um esboço para o quadro A Lei de 28 de Setembro, s.d.

Notas

1. O fato é relatado de forma detalhada pelo crítico de arte Laudelino Freire (1873 - 1937) e também na autobiografia de Antônio Parreiras. Ver: FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil: de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983; PARREIRAS, Antônio. História de um pintor contada por ele mesmo: Brasil - França: 1881-1936. Apresentação Athayde Parreiras. Niterói: Diário Oficial, 1943.

2. DUQUE, Gonzaga. A arte brasileira. Campinas: Mercado de Letras, 1995. (Coleção Arte: Ensaios e Documentos). p. 219.

 

Obras 18

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Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Araçás

Óleo sobre madeira
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Goiabas

Óleo sobre madeira
Reprodução fotográfica autoria desconhecida/Pinacoteca do Estado de São Paulo

Natureza-Morta

Óleo sobre tela

Exposições 22

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Fontes de pesquisa 12

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  • ARAUJO, Emanoel. A mão afro-brasileira. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1988.
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DUQUE, Gonzaga. A Arte brasileira: pintura e esculptura. Rio de Janeiro: H. Lombaerts & C., 1888. 254 p.
  • DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Tipografia Benedicto de Souza, 1929.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Pintores negros do oitocentos. São Paulo: MWM-IFK, 1988. (Coleção MWM-IFK).
  • LEVY, Carlos Roberto Maciel. Exposições gerais da Academia Imperial e da Escola Nacional de Belas Artes: período monárquico, catálogo de artistas e obras entre 1840 e 1884. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1990. v.1.
  • MARQUES, Luiz. O século XIX, o advento da Academia de Belas Artes e o novo estatuto do artista negro. In: ARAÚJO, Emanoel (org.). A Mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. São Paulo: Tenenge, 1988.
  • PARREIRAS, Antônio. História de um pintor contada por ele mesmo: Brasil - França: 1881-1936. Niterói: Diário Oficial, 1943. 262 p., il. p&b.
  • PINACOTECA do Estado de São Paulo. A arte e seus processos: o papel como suporte. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1978.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).

Como citar

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