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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Eros Martim Gonçalves

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.09.2020
14.09.1919 Brasil / Pernambuco / Recife
18.03.1973 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Eros Martim Gonçalves (Recife PE 1919 - Rio de Janeiro RJ 1973). Cenógrafo e diretor. Encena, como diretor de teatro, textos de inspiração expressionista, de Roger Vitrac, Jean Genet e Nelson Rodrigues. Apaixonado pela plasticidade, ressalta os recursos teatrais do ator e do palco e foge do naturalismo.

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Biografia
Eros Martim Gonçalves (Recife PE 1919 - Rio de Janeiro RJ 1973). Cenógrafo e diretor. Encena, como diretor de teatro, textos de inspiração expressionista, de Roger Vitrac, Jean Genet e Nelson Rodrigues. Apaixonado pela plasticidade, ressalta os recursos teatrais do ator e do palco e foge do naturalismo.

Aos 25 anos, Martim faz sua estréia como cenógrafo e figurinista com Bodas de Sangue, de Federico García Lorca, da Companhia Dulcina-Odilon, em 1944, mesmo ano em que embarca para o Ruskin College Oxford, na Inglaterra, com bolsa de estudo. Lá estagia na Companhia Old Vic. De volta em 1946, cria os cenários de O Desejo, de Eugene O'Neill, dirigido por Ziembinski, pela companhia Os Comediantes, pelo qual recebe medalha de ouro da Sociedade de Críticos Teatrais. Em 1947 trabalha em três produções do Teatro de Marionetes, no Rio de Janeiro, e em 1948 faz cenário e figurino para o Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP). Em 1951, no Rio de Janeiro, assina o cenário de O Moço Bom e Obediente, de Betty Barr e Gould Stevens, primeira montagem d'O Tablado, onde durante quatro anos trabalha como cenógrafo, figurinista e realiza as primeiras direções. Em 1955, aceita o convite da Escola de Teatro da Universidade da Bahia para lecionar, fazer cenários e dirigir espetáculos de formação. Quando volta ao Rio de Janeiro, em 1962, passa a se dedicar inteira e exclusivamente à direção teatral. Funda o Teatro Novo com o objetivo de montar autores de vanguarda, polêmicos e inovadores - Roger Vitrac, Nelson Rodrigues, Jean Genet, Oscar Wilde. O Teatro Novo identifica antes uma linha de direção dos espetáculos do que um coletivo de artistas, uma vez que os atores mudam a cada temporada. O diretor dedica seus ensaios à compreensão do texto e dos princípios estéticos a serem defendidos nas atuações. Os críticos exaltam a homogeneidade das interpretações, a beleza visual e a ousadia da iniciativa. Ao mesmo tempo, apontam a tendência do diretor de recorrer a marcas eminentemente plásticas, que impedem a fluência do espetáculo. Trabalhando com atores consagrados - Ítalo Rossi, Maria Fernanda, Thelma Reston, entre outros, o diretor produz em média um espetáculo por ano. Em 1967, apresenta ao público o Grupo Poliedro, formado por seis integrantes, entre eles Sérgio Viotti e Helena Inês. O grupo estréia com Verão, de Romain Weingarten, espetáculo que confere a Martim o Prêmio Molière de melhor diretor, ainda que críticos como Yan Michalski e Henrique Oscar considerem a encenação equivocada. Segundo Isabel Câmara, "os atores movem-se continuadamente, não nos levam com eles, não nos penetram das suas intenções [...] não chega até nós o lirismo do qual a peça está cheia e é feita".1

Em 1970, dirige seu último espetáculo, O Balcão, de Jean Genet, alguns meses depois da estréia, em São Paulo, da montagem histórica de Victor Garcia. O espetáculo tem cenários, figurinos e marionetes de Helio Eichbauer e conta, entre outros, com Maria Fernanda, Miriam Pérsia, Maria Pompeu, Oswaldo Loureiro e Carlos Vereza no elenco. Enquanto na montagem paulista o texto é transformado em roteiro, Martim Gonçalves se mantém fiel ao original.

Na crítica ao espetáculo Verão, de Romain Weingarten, Yan Michalski insere Martim Gonçalves em uma tendência - "a incapacidade de ser simples" - e observa que "esta incapacidade invade cada vez mais o teatro brasileiro".2

Notas
1. CÂMARA, Isabel. Um teatro de vanguarda. Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, 14 nov. 1967.

2. MICHALSKI, Yan. Verão sem sol. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 nov. 1967.

Espetáculos 73

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Exposições 14

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Fontes de pesquisa 11

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  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. (Aplauso Especial).
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculos: Verão - 1967, Salomé - 1968; A Noite dos Assassinos - 1969; A Celestina - 1969; O Balcão - 1970; Senhorita Júlia - 1971.
  • Em preto e branco... Imprensa Popular, Rio de Janeiro, p. 5, 16 maio. 1954. BNDigital: Biblioteca Nacional Digital. Rio de Janeiro. Disponível em: < http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=108081&PagFis=6198 >. Acesso em: 4 fev. 2016.
  • GONÇALVES, Martim. Rio de Janeiro: CEDOC / Funarte. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • O TABLADO. Dyonisos, Rio de Janeiro, n. 27, 1986.
  • OS COMEDIANTES. Dyonisos, Rio de Janeiro, n. 22, dez. 1975.
  • Planilha enviada pelo Pesquisador Luís Reis.
  • Programa do Espetáculo - Victor, ou As Crianças no Poder - 1974.
  • SANTANA, Jussilene. Martins Gonçalves: uma escola de teatro contra a província. 776f. 2011. Tese (doutorado) - Universidade Federal da Bahia, Escola de Teatro, 2011. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/32002/1/martim-goncalves-jussilene-santana-sf-dvv.pdf. Acesso em: 23 set. 2020.
  • TEMPOS de guerra: Hotel Internacional / Pensão Mauá. Curadoria Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1986. (Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro).

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