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Dona Lia do Coco

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.11.2021
20.06.1948 Brasil / Pernambuco / Goiana
16.08.2021 Brasil / Pernambuco / Recife
Maria dos Prazeres Benevides Ramos (Goiana, Pernambuco, 1948 - Igarassu, Pernambuco, 2021). Cantora, mestra da cultura popular. Difusora das danças e culturas típicas de sua região natal, Dona Lia do Coco se notabiliza pela autoralidade nas composições e pela manutenção das manifestações tradicionais pernambucanas, notadamente na cidade de Igara...

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Maria dos Prazeres Benevides Ramos (Goiana, Pernambuco, 1948 - Igarassu, Pernambuco, 2021). Cantora, mestra da cultura popular. Difusora das danças e culturas típicas de sua região natal, Dona Lia do Coco se notabiliza pela autoralidade nas composições e pela manutenção das manifestações tradicionais pernambucanas, notadamente na cidade de Igarassu, onde constitui seu terreiro e realiza as festas.

Conhece as rodas de coco, cavalo marinho e ciranda1 em casa, onde brinca junto com a família. Aos 10 anos começa a cantar nas festividades nos terreiros organizados pelo pai, também mestre do coco. A repetição de músicas e temas no coco familiar leva a artista em busca de parcerias com outros cantores e funda sua própria roda.

Com 20 anos, junta-se com Mestre Ramos, seu esposo, e o sogro para fazer o que chama de “minha sambada”, o espaço que dá liberdade de criação à artista e permite a exploração de novos temas. Abre concorrência com a festa do pai e encontra o ambiente ideal para criar cocos autorais.

Define-se como mestra do coco porque mantém a tradição e ensina aos outros a sua arte. Durante sua carreira, canta músicas de outros artistas do coco mas considera fundamental que cada brincante crie suas próprias composições. A marca de sua produção é apresentar elementos de sua própria vida e do universo cultural popular típico da Mata Norte e do litoral pernambucano.

Com quase 50 anos de carreira e 67 anos de vida, lança seu primeiro e único disco chamado Meu Coqueirá (2015). Com produção de Mestre Ulisses Cangaio e Joel Carlos, o álbum traz 30 faixas que, além do coco, apresenta outros ritmos, como a ciranda. As canções têm como característica formal a repetição dos versos e a estrutura de pergunta e resposta. Como temas, a artista elege a natureza (principalmente em referência ao litoral, como mar, praia, coqueiro e animais da região); as manifestações próprias das relações de casais e da comunidade, como namoro, traição, desilusão e fofoca; além de elementos das próprias festas (o samba, a dança e o par, por exemplo).

A partir de seu fazer cotidiano, Dona Lia do Coco integra um grupo de mestres da cultura popular que preserva as práticas tradicionais, ao mesmo tempo que atualiza as brincadeiras com características da sua comunidade e do seu tempo.

Nota
1. Coco, cavalo-marinho e ciranda são folguedos, manifestações de caráter popular que misturam diferentes formas de expressão (como música, dança, poesia e teatro) estabelecidos na tradição local. Suas origens geralmente envolvem elementos folclóricos e religiosos numa mescla da herança cultural indígena, africana e europeia.

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